Exposição de Gustavo Torrezan discute acúmulo e Antropoceno
Mostra de Gustavo Torrezan, com curadoria de Ana Paula Lopes, abre em 6 de março e segue até 12 de abril, com entrada gratuita no Centro Cultural UFMG
Pó | Foto: Gustavo Torrezan
Mostra de Gustavo Torrezan, com curadoria de Ana Paula Lopes, abre em 6 de março e segue até 12 de abril, com entrada gratuita no Centro Cultural UFMG
Pó | Foto: Gustavo Torrezan
O Centro Cultural UFMG realiza a abertura da exposição individual ‘Monturo e outros tantos’, do artista visual Gustavo Torrezan, no dia 6 de março de 2026, sexta-feira, às 19 horas. Com curadoria de Ana Paula Lopes, a mostra segue em cartaz até 12 de abril de 2026, na Grande Galeria. A entrada é gratuita e a classificação é livre.
A exposição busca discutir o acúmulo e as relações sociais no mundo contemporâneo. O título faz referência a um amontoado de coisas — plantas, animais, máquinas, ferramentas e engrenagens — associadas à produção agrícola industrial e à lógica das commodities.
A partir desse conceito, o artista questiona por que e para que acumulamos tanto. Em vez de solucionar problemas, esse processo tem gerado crises globais como mudanças climáticas, pandemias e desigualdades extremas. Ao mesmo tempo em que a sociedade dispõe de tecnologias avançadas, também se aproxima de um colapso ambiental e social.
Reunindo pinturas, desenhos, gravuras, objetos e instalações, a mostra dialoga com o conceito de Antropoceno. O termo define a era em que a ação humana se tornou uma força capaz de alterar profundamente o planeta. Assim, as obras evidenciam como o desequilíbrio entre a vida humana e os demais sistemas naturais está ligado à lógica do acúmulo e da exploração.
Entre os destaques está a série ‘Modernização conservadora’ (2023–2025). Nela, paisagens aparentemente preservadas recebem gravações a laser que revelam monoculturas, gado e maquinário agrícola. Desse modo, o trabalho aponta para as transformações promovidas pela agroindústria.
Já na série ‘Quando a natureza passa a ser cultura’ (2024), a sobreposição de imagens de plantas e marcas de agrotóxicos cria um embate visual entre diferentes políticas de vida e morte. Em seguida, a escultura ‘Antropoceno (BBBP)’ (2025) reúne materiais como papel de Bíblia, bosta de boi, chumbo e petróleo.
A exposição inclui ainda ‘Futuro’ (2024), gravura criada a partir da escrita invertida e espelhada da palavra ‘futuro’ por crianças não alfabetizadas. Além disso, a instalação ‘Mesh (superfície e imagem)’ (2025) explora a relação entre o real e o virtual por meio de reflexos e luz, em alusão às dinâmicas de acumulação, exploração e expropriação realizadas na internet.
Por fim, a instalação ‘Monturo’ convida o público a refletir sobre relações de poder, tecnologia e natureza, propondo um olhar crítico sobre os caminhos construídos pela sociedade.
Gustavo Torrezan (1984, Piracicaba-SP) vive e trabalha entre Belo Horizonte e Piracicaba. É professor do curso de Artes Visuais da UFMG. Seus trabalhos integram coleções como MASP, MAM-SP, MAR-RJ, MAB-DF e Pinacoteca de São Paulo, entre outras.
Ana Paula Lopes (1983, São Caetano do Sul-SP) é curadora, pesquisadora e educadora. Atua na Pinacoteca do Estado de São Paulo e leciona na Faculdade Santa Marcelina.
Exposição individual ‘Monturo e outro tantos’ – Gustavo Torrezan
Abertura: 6 de março de 2026 | às 19h
Visitação: até o dia 12/04/2026
Terças a sextas: 9h às 20h
Sábados, domingos e feriados: 9h às 17h
Grande Galeria
Classificação indicativa: livre
Entrada gratuita
Publicado por juniodecarvalho
Publicado em 27/02/26