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Emily em Paris: saudosismo à moda dos anos 2000 ou apenas mais do mesmo?

Apesar de muitos clichês e polêmicas relacionadas à moda e à cultura francesa, série disponível na Netflix diverte.

Especial para o Culturadoria | Por Laura Couto Lopes

20/10/2020 às 08:55

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Emily em Paris. Foto: Netflix

Mesmo depois de três semanas da estreia, no início de outubro de 2020, Emily em Paris se mantém no topo das séries mais assistidas da Netflix. A nova queridinha da plataforma tem dividido opiniões sobre o styling da protagonista antes mesmo do seu lançamento. Isso sem falar, claro, da polêmica levantada na França. A produção é acusada de ser estereotipada. Apesar disso, eis uma opção de entretenimento leve e divertida.

Do mesmo criador que Sex and the City, a série conta a história de Emily Cooper. Ela é uma norte-americana que chega a Paris, sem saber falar o idioma local. Sendo assim, tenta se adaptar à cidade e ao novo trabalho, com o objetivo de trazer a modernidade americana para uma empresa francesa tradicional de Marketing.

Emily, interpretada por Lily Collins, é uma mulher de vinte e poucos anos que traz tudo, menos uma perspectiva moderna. As atitudes da personagem são extremamente questionáveis, desde a arrogância estadunidense com os franceses que não falam inglês, até ações que contradizem a temática feminista. Além disso, o próprio roteiro é muito superficial e descolado da realidade. A narrativa reforça a idealização do sucesso antes dos 30. Também reitera o estereótipo de relações abusivas de trabalho no meio da moda. Ou seja, conceitos antiquados que acabaram sendo refletidos nas vestimentas da protagonista.

MODA

Por que Emily se veste como uma mulher no início dos anos 2000, com looks datados e que reproduzem uma caricatura da mulher que gosta de moda, se ela é a personificação do moderno, do novo, do atualizado? Por que as séries e filmes que se aproximam da moda apresentam o mesmo styling?

Sejamos sinceros: moda é algo extremamente pessoal. Intitular as roupas da protagonista como “cafona”, é fazer uma análise sob uma perspectiva extremamente individual. Se a moda se autointitula como liberdade de expressão, aquilo que é considerado “brega” é apenas uma manifestação do que as pessoas não costumam ver, caso contrário, a moda seria apenas mais uma imposição social para entrarmos no padrão do que é considerado tendência.

Não há absolutamente nada de errado com os looks extravagantes de Emily. A personagem é extravagante. O problema é que seus looks não correspondem com a narrativa criada para a protagonista. Se a maior característica da personagem é ser contemporânea, por que ela desconsidera os gostos da geração que faz parte?

INSPIRAÇÕES

Vez ou outra, a internet ressuscita o debate de como Carrie Bradshaw, a protagonista de Sex and the City se vestiria atualmente. A verdade é que os looks dela provavelmente não seriam nem remotamente parecidos com o que se usava na virada do século. Isso porque Carrie representava a modernidade de Nova Iorque em 1998. Hoje, ela estaria usando looks assinados por Christopher John Rogers. Vale lembrar que ele marcou o Emmy 2020 com o vestido usado pela Zendaya.

Patricia Fields, estilista de Sex and the City e também de Emily em Paris, criou composições lindas, mas datadas. Seria necessário um olhar contemporâneo para uma série que prega a modernidade. A mesmice só reforça uma ideia antiquada de que estilo se resume a grifes de luxo e ver sempre os mesmos looks, sem qualquer atualização, já nos diz muito sobre as repetições dos mesmos profissionais na rodinha fashionista.

A vontade de recriar roupas que foram icônicas no passado, fez com que a estilista perdesse a noção da narrativa individual da personagem. Além do mais, toda essa glamourização errada da moda faz com que as pessoas esqueçam que o simples também pode ser memorável. Em Pulp Fiction, por exemplo, a camisa branca e calça preta, acompanhada de um batom vermelho são mais marcantes que qualquer Chanel vestida por Emily.

NOVOS TALENTOS

Não está na hora de abrir espaço espaço para novos talentos? Euphoria, por exemplo, se arriscou com Donielle Davy e o sucesso foi tanto que hoje a maquiagem com glitter voltou ao mainstream. Ou Charlotte Michell que é a responsável por fazer de Villanelle, da série Killing Eve, a assassina mais estilosa da TV e até mesmo Lou Eyrich, que provou ser um camaleão ao trazer estilos diferentes para todas as séries em que participou.

A realidade é que Emily em Paris vende uma premissa progressista em um formato antiquado. A série tenta fazer uma homenagem aos seriados fashionistas que marcaram os anos 2000, mas acaba trazendo uma triste lembrança. Ou seja: só as casas mais tradicionais da moda têm espaço. E isso mesmo que tenhamos uma infinidade de outros nomes desenvolvendo trabalhos relevantes.

Mas, apesar de tudo isso, Emily em Paris usa bem os clichês. Dessa maneira, se você não se importa com isso e comprar a ideia fantasiosa da série, certamente vai se divertir.

 

Emily em Paris. Foto: Netflix/Divulgação

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