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Embaúba Play: o novo streaming especializado em cinema brasileiro contemporâneo

Com patrocínio do UniBH, plataforma tem lançamento em 14 de maio e oferece produções recentes a preço acessível. Na estreia o público confere uma mostra inédita e gratuita
Por Jaiane Souza
embaúba play
Imagem do filme Mundo Incrível Remix, de Gabriel Martins. Foto: Filmes de Plástico

Oferecer boa parte da produção cinematográfica brasileira recente, a preço acessível e com obras inéditas em circuito comercial. Assim surge a plataforma Embaúba Play, streaming especializado em cinema brasileiro contemporâneo que organiza e facilita o acesso a longas, médias e curtas-metragens a partir de um recorte curatorial. Tal recorte é responsabilidade de Daniel Queiroz, diretor da Embaúba Filmes e coordenador geral da Embaúba Play. “A ideia surgiu de um incômodo de ver que muitos filmes brasileiros excelentes, lançados em mostras e festivais, depois ‘sumiam do mapa’ ou se tornavam de difícil acesso”, explica Queiroz. 

Ainda de acordo com ele, a importância da plataforma para o cinema brasileiro está no fato dela abrigar um acervo muito significativo em diferentes formatos, que não estão disponíveis em nenhum outro lugar. “A intenção é que ela possa contribuir para que a produção contemporânea do cinema brasileiro chegue a mais gente, ajudando no encontro dos filmes com o público”, completa. Além disso, a Embaúba Play tem outra particularidade: o aluguel de filmes é avulsa. Ou seja, não é preciso assinatura fixa. Dessa forma, cada longa custa US$ 1,50, menos de R$ 10, e fica disponível por 72 horas. Haverá também diversos conteúdos gratuitos. 

Lançamento

Para a inauguração, em 14 de maio, a Embaúba Play preparou uma mostra inédita com um mês de duração, viabilizada pela Lei Aldir Blanc e também patrocínio do UniBH. Serão cerca de 80 títulos gratuitos, mas a organização investiu mais de 30% do orçamento para direitos de exibição “entendendo também que seria importante pulverizar esse recurso, uma vez que é uma verba pensada como auxílio emergencial para o setor cultural. Remuneramos, então, todos os filmes participantes, além de uma equipe de 12 profissionais”, destaca Daniel Queiroz. 

Além de servir como cartão de visitas para a plataforma, a mostra permitiu a diversidade de olhares e escolhas. Isso porque a equipe curatorial foi composta por quatro pessoas que contribuíram em quatro programas. “Também somos rascunhos”, com títulos biográficos (Ewerton Belico); “A Fluidez da Forma no Cinema Indígena” (Júnia Torres), “Orgia ou O Cinema que deu cria”, com filmes que dialogam com o cinema de invenção (Victor Guimarães); e “Testemunhar, fabular, existir – modulações de um QuilomboCinema brasileiro contemporâneo”, com curtas-metragens recentes de realizadores negros (Tatiana Carvalho Costa).

Histórico

A Embaúba Play começou a ser concebida em 2012, antes mesmo de Daniel Queiroz entrar para o mercado de distribuição em 2018. No entanto, o projeto demorou a sair do papel, sendo viabilizado em 2019 com patrocínio do UniBH, pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de BH. Então, a plataforma chega no contexto de pandemia, mesmo que a vontade fosse que ela viesse depois. Isso fez com que a Embaúba Play se tornasse mais uma dentre tantas plataformas que estão aparecendo a todo momento. Mas quero acreditar que ela terá seu diferencial”, conta Daniel.

Para além da mostra de estreia, a plataforma chega com mais de 300 filmes no catálogo. Todos passaram pelo crivo profissional que Daniel Queiroz vem formando desde 2005. Ele atuou no Cine Humberto Mauro, Cine 104, Festival Internacional de Curtas de BH e na Semana dos Realizadores, hoje Semana de Cinema. Então, a participação em comissões de seleção de mostras e festivais, em especial, permitiu que tivesse acesso a centenas de filmes. Ou seja, acompanhou de perto a evolução do cinema brasileiro contemporâneo. “A plataforma me permitiu resgatar muitos filmes que considero essenciais, reunindo-os nela. A intenção é dar continuidade a esse trabalho, trazendo sempre lançamentos e incluindo os novos que ainda virão. Mas também ampliando este acervo produzidos nos últimos dez, 20 anos”, conclui. 

Até o fim do ano, a expectativa é que a Embaúba Play tenha mais de 500 produções selecionadas criteriosamente, sem ser um “ajuntmento” de títulos. Além disso, a ideia é viabilizar outros curadores futuramente.

Catálogo

Só para exemplificar, o acervo da plataforma conta com grandes nomes do cinema independente nacional. Entre eles Adirley Queirós, André Novais Oliveira, Guto Parente, Helena Ignez, Juliana Rojas, Kleber Mendonça Filho, Paula Gaitán e Renata Pinheiro. Por outro lado, os títulos da mostra de lançamento passam por Vida, de Paula Gaitán, Yãmiyhex, as mulheres espírito, de Sueli e Isael Maxakali, e Relatos Tecnopobres, de João Batista Silva. Muitos deles ainda são inéditos nos circuitos de streaming.

Acesse a Embaúba Play aqui.

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Imagem do filme Relatos Tecnopobres, de João Batista Silva. Foto: Labareda Produções cinematográficas e tecnológicas

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