Por Gabriel Pinheiro | Colunista de Literatura
A escritora russa, de origem azerbaijana, Egana Djabbárova lança em Belo Horizonte neste mês de maio, seu primeiro romance “As mãos das mulheres da minha família não eram destinadas à escrita”. Esse é o segundo trabalho da autora lançado pela editora Ars et Vita no Brasil, que estreou por aqui com o volume poético “Rus bala”, em 2024. Considerada uma das vozes mais relevantes da nova literatura europeia, a autora participa de duas atividades na capital mineira.
Mesa-redonda e encontro com o público
A programação de lançamento na capital mineira inclui dois encontros. No dia 25 de maio, Djabbárova participa da mesa-redonda “Corpo como campo político e linguístico”, ao lado do poeta Ricardo Domeneck, na Academia Mineira de Letras, às 19h. Já no dia 27 de maio, também às 19h, ela estará na Livraria Quixote para o lançamento do romance, sessão de autógrafos e conversa com leitores.
As mãos das mulheres da minha família não eram destinadas à escrita
Escrito em fragmentos, com vozes herdadas e silêncios que atravessam gerações, “As mãos das mulheres da minha família não eram destinadas à escrita” parte de uma ideia central: para muitas mulheres, escrever nunca foi entendido como possibilidade legítima, mas como algo interditado. É justamente dessa tensão que Djabbarova constrói sua narrativa. O corpo aparece como arquivo de violência, trabalho, cuidado e resistência.
Organizado a partir de diferentes partes do corpo, o romance constrói uma cartografia íntima em que se inscrevem as histórias das mulheres de uma família, atravessadas por trabalho, silêncio, violência e resistência. A experiência da doença, central no livro, transforma o corpo em território de vulnerabilidade e também de descoberta de uma voz própria.
Literatura e Exílio
A dimensão política da obra também se conecta diretamente à vida da autora. Egana Djabbárova vive atualmente na Alemanha, onde está exilada politicamente — em 2024, ela foi forçada a deixar a Rússia após posicionar-se publicamente contra a guerra na Ucrânia e em defesa dos direitos LGBTQIAPN+. Sua trajetória atravessa temas que também aparecem de maneira contundente em sua literatura: deslocamento, memória, violência histórica e a experiência do corpo feminino como território político e linguístico.
Encontre “As mãos das mulheres da minha família não eram destinadas à escrita” aqui.
Gabriel Pinheiro é jornalista e crítico de literatura. Escreve aqui no Culturadoria e também em seu Instagram:@tgpgabriel.
Publicado por tgpgabriel
Publicado em 13/05/26
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