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Discos para entender e conhecer o manguebeat

Movimento surgiu nos anos 1990 unindo ritmos tradicionais do Nordeste a gêneros do mainstream.
Por Jaiane Souza
manguebeat
Chico Science. Foto: Fred Jordaão

A contracultura teve o seu auge em 1960, mas durante muitos anos desencadeou e influenciou movimentos pelo mundo. Ir contra as ideias vigentes impostas às grandes massas, a rebeldia, a insatisfação e a vontade de dar voz às classes e cenários marginalizados eram alguns dos princípios. Em 1991, no Recife, por exemplo, surgia o manguebeat, um movimento que se expressava pela união de ritmos regionais do Nordeste, como o maracatu, coco e ciranda e outros, como o rock, hip hop, funk e música eletrônica. Além disso, as principais mensagens das letras faziam críticas à desigualdade social de Pernambuco, dos estados fora da região Sudeste no geral e ao abandono socioeconômico do mangue, ecossistema característico da região. Por isso, o nome manguebeat, união entre o mangue e beat de música.

O manguebeat tem bases nos anos 1970 em nomes como o de Robertinho do Recife. Mas foi duas décadas depois que o movimento, de fato, surgiu com Chico Science, Fred 04, Renato L, Mabuse e Héder Aragão. Eles foram os principais responsáveis por rotular e difundir a ideia. Dessa forma, com o rock brasileiro do Sul e Sudeste no auge, Pernambuco partiu na tentativa de se colocar no cenário musical novamente. Além disso, havia o desejo de falar para o Brasil assim como os outros ritmos. E eles fizeram isso por meio da música. Sendo assim, destacamos cinco discos que foram fundamentais para o movimento para você ouvir e entender essa história.

Confira.

Da lama ao caos,  de Chico Science & Nação Zumbi

Primeiro disco de estúdio de Chico Science & Nação Zumbi, lançado em 1994, foi também um marco no manguebeat, inaugurando a cena do ritmo no Brasil. Dessa forma, juntando funk rock, maracatu, música afro, psicodelia e embolada, o disco causou estranheza a princípio. Isso porque não soava como a música do momento, mas, aos poucos, caiu no gosto de crítica e público e ganhou disco de ouro no ano seguinte. O reconhecimento do álbum influenciou o rock dos anos 1990 e mais artistas que viriam depois. Além disso, está na 13ª posição da lista dos 100 melhores discos da música brasileira da Rolling Stones.

Ouça no Spotify.

Samba Esquema Noise, do Mundo Livre S/A

Também lançado em 1994, o disco de estreia do grupo foi uma superprodução que contou com participação de integrantes dos Titãs, do Nação Zumbi e do vocalista Nasi. Além das letras com alto teor político, um dos grandes diferenciais do trabalho foi a apropriação do samba atrelado ao punk rock dos anos 1990. Além disso, faz referência ao primeiro álbum do Jorge Ben Jor, Samba esquema novo, foi muito bem recebido pela crítica e também figura na lista dos melhores discos da música brasileira pela Rolling Stone. 

Ouça no Spotify.

Terceiro samba, de Mestre Ambrósio

Samba e mangue dão a tônica ao terceiro e último disco da banda Mestre Ambrósio, lançado em 2001, que é responsável por uma vertente mais enraizada e folclórica do manguebeat. Para construir o disco, a banda utilizou, além do samba, sonoridades do baião, forró, caboclinho e outros ritmos característicos do Pernambuco. Assim como o ritmo em si, as letras também resgatam tradições regionais do grupo. 

Confira no Spotify.

Som de caráter urbano e de salão, de Sheik Tosado

Primeiro e único disco da banda é um mix de hardcore, frevo, maracatu e rock alternativo. Lançado em 1999, teve produção do baterista do Nação Zumbi, Pupillo, de Carlo Bartolini e tem como diferencial o peso rítmico devido à união de elementos. Além disso, essa característica deu um fôlego a mais para o manguebeat, que passou a ter ouvintes que era atrelados ao punk, por exemplo. A banda que já estava na estrada há dez anos foi destaque no Abril Pro Rock, em 1998, e no Rock in Rio de 2001.

Ouça no YouTube.

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Capa do disco “Samba esquema noise”. Crédito: Banguela Records

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