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Dia do Cantor Lírico: artistas comentam desafios da profissão

Dia 22 de julho é celebrado o dia do cantor lírico. Conheça história e a luta de uma meio-soprano, uma soprano e um barítono

Por Thiago Fonseca *

21/07/2020 às 18:23 | *Colaborador

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Pedro Vianna - Foto: Claudio Frateschi / Divulgação

Cinquenta anos da vida de Vanya Soares, de 73, foram dedicados ao canto lírico. Meia vida da Melina Peixoto, de 36, e do Pedro Vianna, de 30, também. O dia 22 deste mês será especial para eles. Na data é celebrado no Brasil o dia do cantor lírico. O gênero surgiu na Grécia antiga, antes mesmo de Cristo, perpetua até hoje e enfrenta desafios.

Basicamente existem dois tipos de canto: o lírico e o popular. O último o mais escutado em rádios, shows, etc. O lírico (erudito) levou anos para se popularizar. É conhecido, por exemplo, pelas óperas. Dessa forma, privilegia um trato da voz e precisa de potência vocal.

“O que difere o canto lírico primeiro é a formação. Depois é a colocação da laringe e a forma que vai emitir a questão sonora. Sendo assim, enfrentamos grandes teatros sem microfone. Isso exige de nós muita articulação. Além de estudo, técnica e repertório. Por fim, é preciso acompanhamento de profissionais”, explica Pedro Vianna.

Meia vida no gogó

A meio-soprano Vanya Soares, já participou de dezenas de óperas. Tantas que já perdeu as contas. Ela é integrante do Coral lírico de Minas Gerais, que é gerido pela Fundação Clóvis Salgado. O único de Minas que é público. É um dos mais famosos do Brasil.

“Sou da primeira turma do concurso de 1970. Saí para fazer parte do Coral Ars Nova, depois fui para o Coral do Theatro Municipal de SP, dei aula na UFMG de música, logo depois, voltei ao Palácio das Artes em 2001. Cantar é a única coisa que sei fazer da vida. Dessa forma, é um prazer enorme. Vivi muita coisa, agora fico triste em ver os cortes na cultura que afetam as produções de canto lírico, elas ficaram reduzidas e a gente triste”, conta.

Do baú de memórias, Vânia lembra das grandes produções, apresentações, viagens e também perrengues. “Rodei o Brasil e fui para muitos países. Nunca vou esquecer da apresentação de peças do Barroco nos Estados Unidos. Nem do dia que passei um sufoco em Madame Butterfly. Tinha que pegar um binóculo para encenar e pregaram ele no cenário. Arranquei e quase perdi metade da música. Por fim, me recordo do dia em que um gato invadiu o palco em uma cena triste e o público caiu no riso”, lembra.

Vânia Soares – Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

Estudo e dedicação

O barítono Pedro Vianna começou a cantar em casa, ainda criança. Dessa maneira, entrou para o coral da Fundação Clóvis Salgado aos dez anos. De lá, saiu como um solista renomado. “Fiz faculdade de música e estudei muito. Participei de muita montagem da Fundação e do Ars Nova. Depois segui como solista. Hoje me apresento nas mais importantes casas, como por exemplo, Palácio das Artes, em BH, Theatro Minaz, em Campinas, Teatro Nacional, em Brasília, e outros”, comenta.

Ainda segundo ele, o maior desafio é saber administrar a carreira. “O início é muito difícil. Temos poucos espaços e produções de canto lírico no Brasil. É um mercado pequeno e pouco valorizado. Dessa maneira, tem que estudar muito e fazer muitas audições. Apesar de tudo, dá pra viver financeiramente. Conseguir executar uma obra e receber o carinho do público também é algo muito gratificante”.

Mercado escasso

A soprano Melina Peixoto também é integrante do Coral Lírico de Minas Gerais. Começou na música aos 16 anos. Já na adolescência participou de concertos e aos 17 ingressou na faculdade de música. Sendo assim, ministrou aulas, fez mestrado e hoje é doutoranda. Desde 2013 dedica ao tempo às produções do coral.

“É um mercado de trabalho que tem que cavar seu destino. Existem poucos corais como o Lírico de Minas com empregos públicos fixos. Minas tem um trabalho muito bonito no canto lírico. Ser cantor e participar de óperas requer muito da gente. Cantar e interpretar é muito difícil. Mas é gratificante”.

 

Melina Peixoto – Foto: Warley Soares / Divulgação

Casas de ópera no Brasil

O Brasil tem hoje pelo menos onze teatros e instituições que investem na produção de obras. São elas: Teatro Amazonas (Manaus), Ópera de Arame (Curitiba), Teatro Municipal de Ouro Preto (Minas Gerais), Palácio das Artes (Belo Horizonte), Theatro da Paz (Belém), Theatro Pedro II (Ribeirão Preto), Teatro Municipal Trianon (Rio de Janeira), Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Theatro Municipal de São Paulo, Theatro São Pedro (São Paulo) e, por fim, o Theatro São Pedro (Porto Alegre).

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