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Mulheres Míticas estreia “Desmonte de uma Mulher que grunhe”

Montagem com Sara Rojo e Jéssica Ribas revisita “A Mulher Porca” e discute fé, corpo, submissão e violência contra as mulheres.

Foto: Mateus Lustosa

O Grupo de Teatro Mulheres Míticas estreia, nesta quinta-feira (18), “Desmonte de uma Mulher que grunhe”, trabalho com Jéssica Ribas e direção de Sara Rojo. A primeira sessão será às 21h, no Teatro Universitário da UFMG, na Pampulha. No dia seguinte, 19 de setembro, a montagem será às 19h, na Zap Dezoito, no bairro Santa Terezinha.

A criação revisita “A Mulher Porca”, espetáculo desenvolvido pelo grupo a partir do texto do dramaturgo argentino Santiago Loza. Agora, Sara Rojo e Jéssica Ribas retomam cenas, procedimentos e questões daquele processo. Além disso, incorporam novas criações, vídeos, relatos pessoais e memórias.

A proposta investiga temas como fé, corpo, submissão e violência contra as mulheres. Ao mesmo tempo, aproxima a trajetória da personagem das experiências das próprias artistas e de histórias vividas por outras mulheres.

“A Mulher Porca” teve início durante o período de distanciamento social. Naquele momento, os ensaios e parte do processo criativo foram realizados virtualmente. O resultado foi um espetáculo concebido de maneira híbrida e registrado em vídeo.

Anos depois, o grupo retorna ao material a partir da percepção de que questões como violência contra as mulheres, subordinação dos corpos femininos, relações de poder e vulnerabilidade seguem presentes. Porém, em vez de reconstruir a montagem original, as artistas optaram pela desmontagem.

Nesse formato, Sara Rojo também entra em cena ao lado de Jéssica Ribas. As duas dividem a atuação e a construção dramatúrgica do trabalho.

Desmontagem abre processo de criação ao público

A desmontagem teatral parte de uma obra existente para revelar procedimentos, referências, escolhas, dúvidas e materiais utilizados durante sua criação. Na tradição do teatro latino-americano, essa prática ganhou destaque com o Grupo Cultural Yuyachkani, do Peru.

Em “Desmonte de uma Mulher que grunhe”, algumas cenas de “A Mulher Porca” retornam, enquanto outras foram criadas especialmente para o novo trabalho. Dessa forma, personagem, atriz e diretora se aproximam, enquanto memórias pessoais entram em diálogo com a dramaturgia de Santiago Loza.

A nova montagem também permite ao Mulheres Míticas revisitar sua própria trajetória. Fundado em 2014, o coletivo desenvolve pesquisas sobre as relações entre teatro, gênero e política. Entre seus trabalhos estão “O Deszerto”, “Classe”, “Hilda Penha”, “A Mulher Porca” e “Balada para Sofrer con Gusto”.

As duas sessões serão seguidas de bate-papos. Em 18 de setembro, o encontro reúne professores e estudantes do Teatro Universitário da UFMG e o público. Já no dia 19, participam a diretora Cristina Tolentino, o Núcleo de Criação Roda de Mulheres e espectadores presentes.

Serviço

“Desmonte de uma Mulher que grunhe” – Grupo de Teatro Mulheres Míticas
Data: 18 e 19 de setembro
Horário: dia 18, às 21h; dia 19, às 19h
Local: Teatro Universitário da UFMG; e Zap Dezoito.
Após as sessões haverá bate-papo com o público.

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Publicado por juniodecarvalho

Publicado em 15/09/26

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