Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Depois a louca sou eu: Débora Falabella e Yara de Novaes em mais um ótimo encontro

Adaptação do livro de Tati Bernardi chega aos cinemas quase um ano depois do previsto com tema ainda mais pertinente
Cena do filme Depois a louca sou eu. Foto: Stella Carvalho/Divulgação
Cena do filme Depois a louca sou eu. Foto: Stella Carvalho/Divulgação

Certos encontros na arte precisam ser continuamente celebrados. É o caso da parceria entre as atrizes Débora Falabella e Yara de Novaes. Além dos 15 anos de troca nos palcos, a dupla na comédia Depois a louca sou eu é o melhor do novo filme dirigido por Júlia Rezende. Com todo respeito a todos os outros aspectos que envolvem a produção, tá? 

Depois a louca sou eu é a adaptação do livro homônimo de Tati Bernardi. Apesar da protagonista se chamar Dani, papel de Débora, está claro que as quatro letras também se referem a Tati. Ou seja, é uma autobiografia escrita com deboche, ironia e muito humor. Mesmo com em tom de comédia, o roteiro reflete sobre as aflições dos sujeitos ansiosos. 

Tudo, claro, é a partir da perspectiva da escritora. É interessante notar que, sendo assim, a direção, em parceria com o departamento de arte e fotografia, aposta em cores fortes. “Como é ela contando a história, é a cabeça de uma pessoa. Então tem todas aquelas viagens, coisas absurdas que é a maneira como ela enxerga. A cor mais forte também é como ela é e se vê”, completa.

Saúde mental

Além de Débora e Yara de Novaes, Gustavo Vaz, Débora Lamm, Cristina Pereira também estão no elenco. Sendo assim, em ritmo acelerado, todos eles, mãe, namorado, terapeuta, avó, participam da vida da protagonista. É inevitável acompanhar as crises de Dani e não pensar o quanto a ansiedade é mesmo um problema sério de saúde mental do nosso tempo.

“Vejo quantas pessoas ao meu lado que passam por isso e não identificam”, comenta a atriz. Segundo ela, Depois a louca sou eu, divertindo, desperta a reflexão. “Ajuda a entender o que se passa. As pessoas não estão sozinhas. É como se sentir assim, principalmente no mundo em que estamos vivendo. Está tudo tão acelerado que a gente não tem mais tempo para as coisas”. 

Depois a louca sou eu é todo narrado pela protagonista, uma estrutura diferente de tudo o que Débora fez até então. “As cenas são curtinhas e contam pedacinhos da história”, lembra. Sendo assim, ela primeiro filmou todas elas e depois, já vendo as cenas, narrou as experiências da protagonista.

Novos formatos

Depois a louca sou eu era para ter estreado em abril de 2020. O atraso, por causa da pandemia, acabou gerando um outro produto no meio do caminho. É uma websérie no YouTube com pequenas pílulas sobre Dani durante o confinamento. Mas o projeto relacionado ao filme não foi o único experimento online da atriz. 

Débora Falabella também lançou o projeto Cara Palavra, com Andréia Horta, Bianca Comparato e Mariana Ximenes. Elas lançaram diversos vídeos com experimentações bem interessantes de interpretação e dramaturgia para o Instagram. “Eu tinha um problema muito grande com rede social, não sabia para quê existia. Com a pandemia, a Cara Palavra e os outros trabalhos eu vi que é possível usar para fazer dramaturgia ali dentro. Colocar conteúdos mais interessantes também”. 

Grupo 3

No teatro, 2020 seria o ano das comemorações dos 15 anos do Grupo 3 de Teatro, que Débora tem em parceria com Yara de Novaes e Gabriel Fontes Paiva. Sendo assim, a mostra que estava prevista para o presencial foi realizada online com adaptações de ContraçõesNeste Mundo Louco, Nesta Noite Brilhante, a montagem mais recente. “Claro que não é o ideal, mas é uma coisa (online) que vem para se juntar”.

 

Cena do filme Depois a louca sou eu. Foto: Stella Carvalho/Divulgação
Cena do filme Depois a louca sou eu. Foto: Stella Carvalho/Divulgação

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