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Curta “Nós é Ruim e Mora Longe” tem pré-estreia em BH
Filme de Ítalo Almeida integra a VI Mostra Periferia Cinema do Mundo e aborda deslocamento, pertencimento e juventude periférica em Belo Horizonte
Foto: Arthur Lahoz
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Filme de Ítalo Almeida integra a VI Mostra Periferia Cinema do Mundo e aborda deslocamento, pertencimento e juventude periférica em Belo Horizonte
Foto: Arthur Lahoz
A travessia pela cidade como metáfora da vida periférica guia o curta-metragem “Nós é Ruim e Mora Longe”, que tem pré-estreia neste domingo, 21 de dezembro, às 17h, no Cine Santa Tereza, em Belo Horizonte. A exibição integra a programação da VI Mostra Periferia Cinema do Mundo. A entrada é gratuita, com ingressos disponíveis na bilheteria do cinema ou pela plataforma Sympla.
A narrativa acompanha Rayra, jovem moradora da Zona Norte da capital mineira, na noite que antecede seu primeiro emprego. O desejo simples de atravessar a cidade para ir a uma festa revela obstáculos cotidianos enfrentados por milhares de jovens das periferias brasileiras. Assim, o deslocamento urbano se transforma no eixo central de uma história marcada por escolhas, limites e tentativas de pertencimento.
Em “Nós é Ruim e Mora Longe”, a protagonista nasce de uma pessoa real, assim como os demais personagens do filme. O diretor Ítalo Almeida construiu o roteiro a partir de memórias, conversas e experiências compartilhadas com amigos que cresceram juntos na Zona Oeste de Belo Horizonte. A obra se apoia, portanto, em vivências concretas, atravessadas por afetos e conflitos comuns.
“A Rayra é uma mulher de 28 anos agora, e mora na Itália, foi viver a vida de imigrante. E todos nós, inclusive parte do elenco, crescemos juntos na Zona Oeste de Belo Horizonte, entre os bairros Havaí, Marajó e Estrela Dalva. Toda a história do roteiro é uma versão ‘exagerada’ de noites das nossas vidas. Foram muitas noites e manhãs de perrengues voltando à nossa quebrada, e que me ajudaram a sintetizar essa ideia de deslocamento nesse curta”, avalia o diretor Ítalo Almeida.
Mais do que acompanhar uma noite específica, o curta reflete sobre a forma como a cidade impõe barreiras invisíveis. A precariedade do transporte público em Belo Horizonte atravessa a narrativa e define trajetos, encontros e possibilidades. Para o diretor, o tempo gasto em deslocamentos cria divisões profundas entre territórios periféricos.
“Se você faz um corpo periférico levar duas horas para sair da Zona Oeste e ir até a Zona Norte, num trajeto feito em 26 minutos de carro, você não está permitindo essas duas quebradas de se articularem”, diz Ítalo.
O elenco é formado majoritariamente por atores periféricos que viveram a adolescência juntos no grupo teatral Palavra Viva. Marya Bittencourt, Peron e Aimê interpretam personagens inspirados neles mesmos. Nica Alcântara vive Rayra, enquanto Guilherme Hamacek, Rodrigo Arruda e FLIP também integram o elenco, trazendo às telas experiências de quem atravessa a cidade para existir.
Os figurinos, assinados por Gabriel Mendes e Carolina Baião, utilizam peças do Garimpo 101, marca do bairro Estrela Dalva. As roupas reforçam a estética periférica e o desejo de ser visto. “Para esses personagens e para o meu grupo de amigos, ‘dar um close’ não era uma escolha, mas um modo de vida”, afirma Ítalo.
Pré-estreia do curta “Nós é Ruim e Mora Longe”
Data: 21/12 (domingo), às 17h
Local: Cine Santa Tereza – Rua Estrela do Sul, 89, Santa Tereza
Entrada gratuita, com ingressos na bilheteria ou pela Sympla
Publicado por floriano
Publicado em 17/12/25