Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Impressões sobre Maestro, filme dirigido e protagonizado por Bradley Cooper

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Além do ator no papel do maestro Leonard Bernstein, o filme conta com Carey Mulligan em performance brilhante

Por Carol Braga

Mais do que apenas um rosto bonito ou um típico galã de Hollywood, Bradley Cooper parece estar distanciando-se progressivamente desse clichê ao revelar-se não apenas como um ator versátil, mas também como um diretor ousado. Maestro, a cinebiografia do renomado maestro e compositor Leonard Bernstein, é uma demonstração convincente desse amadurecimento artístico.

Maestro. Foto: Netflix
Maestro. Foto: Netflix

A produção teve uma breve passagem pelos cinemas antes de chegar à Netflix em 20 de dezembro. Embora a música desempenhe um papel crucial no filme, Maestro vai além, explorando de maneira profunda a complexa história de amor entre Bernstein e Felicia Montealegre, interpretada por Carey Mulligan. O filme transcende o mero retrato de carreiras notáveis, tornando as pessoas e suas interações o foco principal.

Trama

O encontro de Bernstein e Felicia em 1946 marca o início de uma conexão significativa, resultando em casamento, três filhos e 25 anos compartilhados. Paralelamente, acompanhamos o crescimento de Leonard Bernstein como um dos maiores maestros e compositores da música americana, liderando grandes orquestras e contribuindo com trilhas sonoras clássicas, como a inesquecível de “West Side Story”. Embora o roteiro destaque esses feitos notáveis, eles não são o cerne do filme.

A verdadeira essência de Maestro reside na abordagem delicada da sexualidade de Bernstein e a relação com a família. O filme explora a bissexualidade de Leonard, uma faceta que ele compartilhou abertamente com Felicia Montealegre. Este aspecto da narrativa revela os desafios enfrentados pelo casal, evidenciando que, apesar das complexidades, o amor permaneceu sempre presente. Em última análise, o filme transcende as façanhas profissionais para oferecer uma visão íntima e humana da vida de Leonard Bernstein, destacando as complexidades do amor e da identidade.

Interpretações

É o típico filme prato cheio para grandes atores. A performance de Carey Mulligan, que transmite olhares contidos e expressivos a Felicia, é um verdadeiro deleite para os espectadores, pois ela tece uma interpretação repleta de sutilezas e complexidades. Em contrapartida, Bradley Cooper abraça o papel de Leonard Bernstein com uma abordagem mais expansiva e, por vezes, até exagerada.

A transformação gradual de Bernstein, tanto como figura pública quanto como criador de arte, é um fascinante ponto de reflexão, evidenciando como as escolhas e desafios enfrentados moldam sua jornada. Inclusive na vida pessoal.

Ao mergulhar na intrincada relação entre vaidade, identidade e expressão artística, Maestro apresenta uma análise envolvente sobre o impacto desses elementos na trajetória de um homem multifacetado como Leonard Bernstein. É uma exploração perspicaz de como a busca pela excelência e reconhecimento pode moldar a persona de um artista, acrescentando camadas complexas à narrativa e à experiência cinematográfica como um todo.

Maestro_Foto Netflix
Maestro. Foto: Netflix

Fotografia

No quesito fotografia, dois aspectos chamam a atenção em Maestro. O longa é projetado em um formato que hoje podemos considerar diferente do convencional 2,39:1. Outra característica marcante é a alternância da fotografia colorida para a preta e branca. É um caminho que o diretor encontrou para diferenciar o mundo exterior e a vida do maestro. Ou seja, as cores representam o mundo exterior e o P&B o interior. 

É uma dicotomia muito interessante pois, nem sempre o que o mundo exterior percebe é aquilo que se passa por dentro do indivíduo. É um conflito geralmente comum em pessoas públicas e que Bradley Cooper consegue representar na fotografia.

Departamento de arte

Certamente há muita pesquisa histórica para a reconstituição de uma personalidade tão importante para a música americana. Mas é impossível não destacar a onipresença do cigarro em cena. Bernstein aparece como um fumante voraz. Ao longo de toda a projeção, são pouquíssimas cenas em que o cigarro não está presente. 

Outros dois pontos merecem destaque no trabalho do departamento. Uma delas é a cena em que Leonard e Felicia discutem dentro do apartamento e, do lado de fora, há o tradicional desfile da loja Macy’s. Mais uma oportunidade para se refletir as diferenças entre o mundo interior e o exterior. Também vale prestar atenção no trabalho da maquiagem. Bradley Cooper está quase irreconhecível, especialmente à medida que o personagem envelhece.

No entanto, apesar de todos esses aspectos notáveis, Maestro parece deixar um gosto de algo faltando no final. Mesmo sendo uma forte candidata na temporada de prêmios, há uma sensação de que a obra poderia ter um tempero adicional.

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