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Cine Humberto Mauro lança cineclube ibero-americano permanente
Mostra permanente destaca obras de cineastas ibero-americanas com encontros gratuitos ao longo de 2026
Mulher da Rua | Foto: Matilde Landeta
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Mostra permanente destaca obras de cineastas ibero-americanas com encontros gratuitos ao longo de 2026
Mulher da Rua | Foto: Matilde Landeta
O Cine Humberto Mauro inaugura, no dia 4 de fevereiro de 2026, uma mostra permanente dedicada aos trabalhos de cineastas ibero-americanas. A iniciativa propõe encontros bimestrais gratuitos ao longo do ano, com sessões comentadas que ampliam o acesso a obras dirigidas por mulheres de países como México, Argentina, Espanha, Brasil, Venezuela, Colômbia e Portugal. A programação tem início às 19h, no Palácio das Artes, com “Mulher da Rua” (1951), da cineasta mexicana Matilde Landeta.
Batizado de Cineclube Ibero-americano Permanente, o projeto consolida uma parceria entre o Cine Humberto Mauro, o Instituto Cervantes de Belo Horizonte e a plataforma virtual Sara y Rosa. Embora reconhecidas por sua relevância artística, as cinematografias ibero-americanas ainda circulam de forma limitada quando comparadas à produção hollywoodiana. Esse apagamento se intensifica quando o recorte envolve filmes realizados por mulheres. Diante desse cenário, a mostra surge como espaço contínuo de visibilidade, reflexão e formação de público.
A sessão inaugural apresenta “Mulher da Rua”, obra que aborda as semelhanças inesperadas entre as trajetórias de duas irmãs com vidas aparentemente opostas. Dirigido e roteirizado por Matilde Landeta (1913-1999), o filme integra a fase final da chamada Era de Ouro do cinema mexicano. A diretora iniciou sua carreira nos anos 1930 como continuísta em produções de Fernando de Fuentes e, entre 1949 e 1951, realizou três longas-metragens, entre eles “La negra Angustias” (1950), ambientado no contexto da Revolução Mexicana.
Com curadoria da pesquisadora, professora e crítica de cinema Juliana Gusman, os seis encontros da primeira jornada do Cineclube Ibero-americano Permanente têm como eixo o tema “As fictícias fronteiras do lar”. A proposta é incentivar o público a elaborar, de forma coletiva, outras narrativas possíveis para a história do cinema, inventariando filmes que dialogam com contextos territoriais específicos e diferentes formas de apropriação da linguagem cinematográfica. As sessões reúnem obras heterogêneas, conectadas pelo tensionamento entre o espaço doméstico e a vida pública.
Juliana Gusman observa que parte da teoria feminista do cinema priorizou produções experimentais e documentais, deixando à margem discussões sobre usos subversivos da narrativa clássica. “Apesar dos desafios materiais, financeiros e simbólicos – sobretudo nos países do Sul Global — algumas diretoras, da mexicana Adela Sequeyro (1901-1992) à brasileira Tereza Trautman (1951-), conseguiram ficcionalizar seus desejos e lutas. Nesse sentido, os filmes das realizadoras que escolhemos expandem os limites e os horizontes da experiência feminina”, afirma.
Cineclube Ibero-americano Permanente
Data: 4 de fevereiro de 2026 (quarta-feira).
Horário: 19h.
Local: Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes.
Endereço: Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte.
Classificação indicativa: 14 anos.
Entrada gratuita.
Ingressos: 50% disponíveis on-line, a partir de 12h do dia da sessão, no site da Eventim. O restante será distribuído presencialmente na bilheteria do Cine Humberto Mauro, 30 minutos antes da exibição, mediante apresentação de documento com foto.
Mais informações no site Cine Humberto Mauro.
Publicado por juniodecarvalho
Publicado em 30/01/26