Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Adriana Calcanhotto reverencia Gal Gosta em show

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Neste domingo, Adriana Calcanhotto faz única apresentação de “Gal: Coisas Sagradas Permanecem” em BH
Patrícia Cassese | Editora Assistente

“Um dos shows mais luminosos de sua carreira”. Foi com essas palavras que o conhecido jornalista especializado em música Mauro Ferreira descreveu, ao site G1, o espetáculo “Gal – Coisas Sagradas Permanecem”. A carreira a que ele se refere, na fala, é a de Adriana Calcanhotto, que homenageia Gal Costa (1945 – 2022) neste show que chega à capital mineira neste final de semana.

Trata-se de uma única apresentação, no domingo, dia 7 de maio, às 20h, no palco do Minascentro.

Adriana Calcanhotto em momento do espetáculo "Gal – Coisas Sagradas Permanecem" (Giordano Toldo/divulgação)
Adriana Calcanhotto em momento do espetáculo "Gal – Coisas Sagradas Permanecem" (Giordano Toldo/divulgação)

A breve turnê deste emocionado tributo estreou em Porto Alegre, no dia 27 de abril, e já passou pelo Rio de Janeiro – onde Mauro Ferreira assistiu. Aliás, ele também registrou, no título da crítica que assina, uma impressão que não tem como não deixar os fãs belo-horizontinos de ambas as cantoras aguçados: “Adriana Calcanhotto serve iguarias em tributo para paladares refinados”.

Como se trata de um espetáculo de estreia recente, é justamente por meio de relatos assim que outros detalhes emergem. Em entrevista ao Culturadoria, uma simpaticíssima e atenciosa Calcanhotto confirma que sim, são duas horas de show. “Certamente ficou mais longo do que todos os demais shows que já fiz. Mas a gente não sente, porque é muito envolvente”, afiança.

“Nas apresentações (já realizadas), nem ninguém que assistiu e nem a gente no palco teve a sensação de (tanto) tempo assim”, emenda ela.

A cantora e compositora gaúcha em cena (atrás, representação da boca de Gal Costa). Foto de Giordano Toldo/Divulgação

O desafio de montar o roteiro

Fechar o repertório do show certamente foi a tarefa mais árdua desta empreitada. Para tal, ela contou com o apoio de Marcus Preto, diretor artístico dos últimos discos e shows de Gal. Juntos, Calcanhotto e Preto assinam roteiro e direção.

“Em um primeiro momento, a seleção parecia, assim, um sonho, né? Escolher livremente as canções que Gal gravou”, rememora Adriana Calcanhotto, acrescentando que grande parte das gravações que a baiana fez de canções inéditas acabaram se tornando os registros definitivos delas.

“Mas depois foi ficando muito difícil, porque muita canção ficou de fora, e o show era enorme… Enfim, teve um determinado momento que eu e o Marcos Preto tivemos que fazer um corte radical”, confidencia.

De pronto, uma canção que Adriana Calcanhotto sabia que queria não só cantar, mas que ficaria incumbida de abrir o show é “Recanto Escuro”, de Caetano Veloso, registrada por Gal no disco “Recanto”. “Eu acho ela uma beleza. E é uma canção para a Gal. Sobre a Gal”.

Parte “dolorosa”

Outra música na mesma linha é “Meu Nome é Gal” (Roberto e Erasmo Carlos). “Mas tem outras canções (que exaltam a baiana). Tem ‘Caras e Bocas’ que tem a melodia de Caetano Veloso e letra de Maria Bethânia feita para a Gal. Sobre a Gal, sobre a voz da Gal, sobre ela, sobre o modo de ela estar em cena”, analisa Calcanhotto.

Ao fim deste processo de seleção, ela revela que o lado mais prazeroso foi ficar ouvindo as canções registradas por Gal para escolher as canções que entrariam. “Essa foi a parte melhor. Mas depois, a hora de cortar canções (risos) é que foi a parte realmente dolorosa”.

Em tempo: no show do Rio, em determinado momento, Adriana Calcanhotto simula o célebre momento em que Gal Costa mostrava os seios – no show “O Sorriso do Gato de Alice”, de 1994, quando foi dirigida por Gerald Thomas. Era um gesto político evidente, mas que os que não o compreenderam como tal acharam por bem criticar.

Alteração necessária

Como (mais uma vez) Mauro Ferreira adiantou, na citada “Meu Nome é Gal”, Adriana Calcanhotto substituiu o trecho “E não faz mal que ele não seja branco”, da letra original, por “Não faz mal que ele não seja santo”.

Perguntada sobre como se deu essa iniciativa, a gaúcha conta que teve uma conversa com Marcos Preto. “Porque ele achava muito importante – e é muito importante – ter essa canção. Só ela poderia cantar ‘Meu Nome é Gal’ e está no tributo por ser um tributo, mas tinha o problema desse verso, né? Hoje em dia, não é possível (ele, verso) ser cantado. E a solução veio muito fácil. Aliás, do meu ponto de vista, ficou um verso bem melhor, bem mais interessante”.

Na estrada

Os shows já apresentados por Adriana Calcanhotto até agora foram, na definição dela, “impressionantes”. “A gente escolheu Porto Alegre para começar por ser a minha cidade. E vamos encerrar em Salvador por ser a cidade da Gal. Mas o Rio é uma cidade nossa, tanto minha quanto dela”, salienta.

Momento inicial do show de Calcanhotto dedicado a Gal (foto de Giordano Toldo/Divulgação)

E explica: “Porque ela morou muitos anos no Rio. Eu moro no Rio. A gente se encontrou várias vezes no Rio. Eu passei um Réveillon com ela, na casa dela, no Rio, e foi muito bonito”.

Adriana Calcanhotto entende que o entrosamento com os músicos já está alicerçado. São eles: Limma (teclados), Fabio Sá (baixo) e Vitor Cabral (bateria e percussões). Os três integravam o trio que acompanhou Gal Costa em sua última turnê, “As Várias Pontas de uma Estrela”. Completa a formação Pedro Sá (guitarra e violão), que esteve com a Gal na turnê “A Pele do Futuro”.

Calcanhotto se lembra do primeiro momento dos ensaios. “Quando eu cheguei no estúdio, eles já estavam tocando as duas primeiras canções. Confesso que fiquei muito emocionada de estar ali. Eles são muito queridos e excelentes músicos”, elogia.

Adriana Calcanhotto em momento de comunhão com os músicos que acompanhavam Gal (foto de Giordano Toldo/Divulgação)

Calcanhotto conta que, em seguida, quando começaram a tocar, “já virou uma coisa nossa, né?”. No entanto, admite: “Logo no comecinho, deu um aperto no coração. Um certo nózinho na garganta. Mas aí a gente seguiu… E foi lindo. Tem sido lindo”.

No meio do caminho, “Errante”

Como o público que acompanha Calcanhotto bem sabe, a cantora acabou de lançar um novo disco, o 13º de carreira, “Errante”. Perguntada sobre como foi finalizar o álbum ensaiando para esta breve turnê em homenagem a Gal, ela conta: “Então… Deu certo. Eu empurrei a turnê de ‘Errante’ o pouquinho que deu, para poder caber essa minitour que é (o tributo) a Gal”.

Assim que cumprir as datas de “Gal: Coisas Sagradas Permanecem”, Calcanhotto e os músicos que a acompanham embarcam para Portugal. “Vamos estrear a turnê ‘Errante’ em Coimbra. Aí, a gente faz algumas cidades por lá e volta”.

Em tempo: desde 2015, Adriana Calcanhotto é embaixadora da Universidade de Coimbra. No primeiro semestre de 2017, ela foi professora convidada da Faculdade de Letras da instituição, tendo desenvolvido um vasto programa de atividades, que incluiu aulas abertas e ateliês sobre escrita e produção artística, além de palestras e exposições.

A exemplo de “Gal: Coisas Sagradas Permanecem”, a turnê brasileira de “Errante” também vai estrear em Porto Alegre. “De lá, começo a fazer a agenda de apresentações Brasil afora”.

Próxima turnê

Adriana confessa: está apaixonada pelo novo espetáculo. “É muito bonito, o show do ‘Errante’. E tem pela primeira vez um naipe de sopros. Não sei por qual motivo demorei tanto para botar no palco! Mas estou contentíssima”.

No que tange ao roteiro do show “Errante”, ela avalia que tanto as canções do disco homônimo que entraram como as outras que complementa a lista formaram, ao fim, uma unidade sonora. “Na minha opinião, muito boa. Assim, eu estou gostando muito! Não vejo a hora de estrear – embora esteja me divertindo muito com o show dedicado a Gal”.

A “ousadia calma” de Gal

Não poderia ficar de fora da conversa o pedido para Adriana Calcanhotto falar do poderio de Maria da Graça Costa Penna Burgos, a inesquecível Gal Costa, e da marca que a baiana deixou nas páginas da MPB.

“Eu acho que a Gal tinha uma coisa muito feminina, assim, que era uma ‘ousadia calma’. Uma ousadia doce, uma coisa… Ela falava muito que gostava de riscos, de correr riscos. Que não via sentido na trajetória dela, no trabalho dela, se não corresse. Mas sempre mantinha aquele jeito doce”, explana Adriana.

“E era uma pessoa muito generosa, né?”, acrescenta Calcanhotto. “Quando Caetano e Gilberto Gil, os ‘meninos’, como dizia, estavam naquela dificuldade (referindo-se aos tempos de exílio), ela ia para Londres e trazia as canções (compostas por cada um). E ficava aqui, sem eles, fazendo esse trabalho de mostrá-las. Eu acho que ela foi muito, muito importante. E faz muita falta”.

Adriana faz uma pequena pausa, antes de repetir, como para sim mesma: “Faz muita falta”. Na sequência, complementa: “Mas deixa um legado incrível para a gente. E não só nos discos que gravou. Ando estudando tudo o que ela disse. As entrevistas (que Gal concedeu) têm coisas maravilhosas”. Mais uma vez, Adriana repete: “Coisas maravilhosas. Ensinamentos muito profundos, eu diria”.

Atire a primeira pedra que não foi ficou no afã de assistir tanto “Gal: Coisas Sagradas Permanecem” como “Errante”. Como o primeiro já está se avizinhando, fica o desejo que o novo espetáculo também tenha logo uma data para aterrissar na capital mineira (trocando em miúdos: ‘volta logo, Adriana’).

Serviço

Adriana Calcanhotto em “Gal: Coisas Sagradas Permanecem”

Onde: Minascentro (av. Augusto de Lima, 785, Centro)

Quando: Neste domingo (7 de maio), às 20h

Quanto. Plateia I: R$ 250 | R$ 125 (meia)

2A: R$ 230 | R$ 115 (meia)

2 B e Plateia superior: R$ 50 | R$ 25 (meia)

Vendas: bilheteria do Teatro | site ou App Sympla                 

Funcionamento da bilheteria: Segunda a sexta, das 9h às 12h, e das 13h30 às 17h

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