Música
Fofoca de Carimbó defende rios no Carnaval de BH
Bloco desfila no domingo, 15 de fevereiro, na Avenida dos Andradas, com o tema “Ode às águas: do Rio Doce ao Tapajós”
Fofoca de Carimbó | Foto: Paula Molina
Música
Bloco desfila no domingo, 15 de fevereiro, na Avenida dos Andradas, com o tema “Ode às águas: do Rio Doce ao Tapajós”
Fofoca de Carimbó | Foto: Paula Molina
O Bloco Fofoca de Carimbó desfila pelas ruas de Belo Horizonte em 2026 celebrando o encontro entre o carimbó paraense e a musicalidade mineira, marca que define a identidade do grupo desde sua criação. Ao adaptar o ritmo tradicional do Norte aos instrumentos, à cadência e ao espírito do Carnaval belorizontino, o bloco transforma a Avenida dos Andradas em espaço de dança, reflexão e manifestação cultural.
Neste ano, o cortejo adota o tema “Ode às águas: do Rio Doce ao Tapajós”. Assim, propõe que a festa também seja lugar de denúncia e defesa dos rios brasileiros e das populações que deles dependem. A escolha reforça o compromisso do bloco com pautas ambientais e sociais.
A escolha do tema dialoga diretamente com a trajetória do bloco, que desde a fundação constrói pontes simbólicas entre Minas Gerais e o Pará por meio da pesquisa do carimbó. Em 2026, essa conexão se estabelece entre dois rios emblemáticos.
O Rio Doce, que corta o território mineiro, carrega as marcas do maior desastre ambiental do país, ocorrido em 2015, após o rompimento da barragem da Samarco, controlada pela Vale. Já o Rio Tapajós, no Pará, enfrenta há anos os impactos do garimpo ilegal e, mais recentemente, a ameaça da dragagem associada a projetos de hidrovias, com riscos diretos às populações ribeirinhas, à fauna e ao turismo local.
“O Carnaval de Rua sempre foi um espaço de luta, de encontro e de reflexão coletiva. Ao falar das águas, estamos falando da base da vida e da urgência de protegê-la”, afirma Marina Araújo, fundadora e regente do Bloco Fofoca de Carimbó. “O Rio Doce e o Tapajós representam realidades diferentes, mas atravessadas pelo mesmo modelo de exploração que coloca em risco povos, culturas e ecossistemas. Levar esse debate para a rua é uma escolha consciente do bloco.”
O tema também se materializa no desfile. O minitrio será decorado para representar o encontro simbólico entre a água barrenta do Rio Doce e o azul cristalino do Tapajós, com referências visuais à biodiversidade dos rios brasileiros. Além disso, as cores azul e dourado dominam figurinos e adereços, convidando o público a participar visualmente do manifesto proposto pelo bloco.
Musicalmente, a Fofoca de Carimbó mantém o repertório que consolidou sua identidade no Carnaval de Belo Horizonte. O cortejo reúne canções autorais da banda Tutu com Tacacá, incluindo duas músicas inéditas compostas pela baixista Camila Menezes, ainda não lançadas. Soma-se a isso clássicos da música paraense de artistas como Dona Onete, Mestre Lucindo, Mestre Hermes Caldeira, Pinduca e Joelma. A fusão entre o carimbó nortista e a musicalidade mineira segue como eixo central.
A bateria é formada por cinquenta percussionistas veteranos, que desfilam com agogôs, agbês, surdos e caixas, sob a regência de Marina Araújo. Em 2026, o cortejo conta ainda com a participação da percussionista Yolinda, integrante da banda Tutu com Tacacá.
Outro destaque é a ala de dança, considerada a maior de Belo Horizonte, com cerca de trezentas pessoas de todas as idades. Preparada por Marina Araújo, a ala apresenta novas coreografias e leva para a avenida o já tradicional mar de saias de chita.
Bloco Fofoca de Carimbó.
Data: 15 de fevereiro de 2026 (domingo).
Horário: 14h
Local: Avenida dos Andradas, 908, em frente à portaria do Parque Municipal.
Percurso: Cortejo pela Avenida dos Andradas até o Viaduto Santa Tereza.
Tema: “Ode às águas: do Rio Doce ao Tapajós”.
Classificação: Livre.
Evento gratuito.
Mais informações no Instagram @fofocadecarimbo.
Publicado por João H. Eugênio
Publicado em 11/02/26