Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Mostra Benjamin de Oliveira chega à 7ª edição

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A partir deste sábado, a Mostra Benjamin de Oliveira ocupa quatro espaços culturais de BH com espetáculos e ações formativas

Patrícia Cassese | Editora Assistente

A partir deste sábado, e até o dia 28 de maio, a Mostra Benjamin de Oliveira realiza a sua sétima edição, ocupando quatro espaços culturais da cidade com espetáculos e ações formativas. Todas as atividades são gratuitas e abertas ao público.

Meibe Rodrigues em momento da performance "Benzimento" (foto de Ibria Lopes)
Meibe Rodrigues em momento da performance "Benzimento" (foto de Ibria Lopes)

Desta vez, a curadoria da Mostra Benjamin de Oliveira ficou a cargo da cantora, atriz e percussionista Júlia Tizumba e do bailarino, coreógrafo e investigador de culturas Rui Moreira. Eles fizeram a seleção a partir dos 66 trabalhos inscritos em convocatória aberta ao público.

Ao todo, a Mostra Benjamin de Oliveira programa oito espetáculos e quatro oficinas de diferentes linguagens cênicas. Todas têm elenco/equipe predominantemente formado por pessoas negras.

Locais

As atrações se espraiam pelos seguintes espaços: Mimulus Escola e Cia de Dança, Espaço Cênico Yoshifumi Yagi – Teatro Raul Belém Machado, Zap 18 e Centro Cultural Vila Santa Rita.

“A Mostra Benjamin de Oliveira é, na minha forma de ver, um movimento que amplia a percepção da produção artística negra em Belo Horizonte”, pontua Rui Moreira. “É também a oportunidade de sugerir à população a contemplação de variados prismas possíveis da produção de artes e sentidos”, arremata ele, ao Culturadoria.

Processo curatorial

Perguntado sobre o processo curatorial da Benjamin de Oliveira, Rui Moreira diz que a diversidade (“fruto dos contextos convocados a cada chamamento para este evento”) espelha, de forma contundente, as “manifestações de espetacularização contemporânea das e dos artistas e produções negras de BH”.

Em virtude disso, prossegue ele, a trajetória dos artistas e sua contribuição na afirmação da identidade de uma arte negra na cidade e fora dela foram decisivos no processo.

“A inovação e qualidade na abordagem artística e apropriação criativa das linguagens de dança, circo, teatro ou os hibridismos que envolvem essas formas de expressão foram alguns dos nortes”, diz o curador da Mostra Benjamin de Oliveira.

Moreira aproveita para dar um conselho ao público: “Logo, sugiro que nenhum momento desta potente mostra (Benjamin de Oliveira) seja perdido”.

Destaques

Mesmo indicando ao público que assista a todas as atrações, o artista não se furta a destacar os espetáculos “Isidoro, Um Negro de Quilate”, com Evandro Passos; “Campo Minado”, com Lucas Gonçalves, e “Abre Caminho”, com o Grupo Identidade. 

Idealizada por Mauricio Tizumba, a Mostra Benjamin de Oliveira é uma realização da Cia Burlantins, com produção da Napele Produções Artísticas. Além disso, 7ª edição é viabilizada com patrocínio do UniBH por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.

Programação

Sábado (6)

Das 10 às 13h. “Palhaçaria Negra”, com Juliene Lellis. Em suma, a oficina trabalha a escuta, a oralidade e a prontidão. Para tal, aborda as temáticas étnico-raciais através de exercícios de palhaçaria, brincadeiras, improvisação, jogos teatrais e a formulação de pequenas cenas cômicas que partem do improviso e da oralidade.

Às 20h. “Isidoro Um Negro de Quilate“, com Evandro Passos. O espetáculo narra a trajetória do faiscador negro Isidoro Amorim, preso por um intendente que o acusou de contrabando. Em virtude disso, é arrastado pelas ruas do Arraial do Tijuco, hoje Diamantina, para servir de exemplo. Contudo, no imaginário coletivo negro da cidade, Isidoro vive.

Sexta-feira (12)

Às 20h. Círculo Ancestral, com Circo Ancestral. No Espaço Cênico Yoshifumi Yagi – Teatro Raul Belém Machado. Apresentação composta primeiramente por elementos das linguagens circenses e cênicas que dialogam com capoeira e musicalidade percussiva.

Sábado (13)

Às 20h. Abre Caminho, com Grupo Identidade. Dança. Espaço Cênico Yoshifumi Yagi – Teatro Raul Belém Machado. A partir de uma pesquisa sobre o genocídio da população negra e periférica do Brasil, Abre Caminho convida a vivenciar a realidade da cultura de Favela. Consequentemente, as violências sofridas por jovens de periferia.

Sábado (20)

Das 10 às 13h. A Mostra Benjamin de Oliveira apresenta a Oficina Poéticas do Tropeço: Dramaturgias e Negritudes, com Anderson Feliciano. A ação formativa tem, em primeiro lugar, como um de seus pilares, o compartilhamento de apontamentos e reflexões sobre as Poéticas do Tropeço. Este é, em resumo, o tema da pesquisa de mestrado que Anderson Feliciano desenvolve em Dramaturgia com foco nos Estudos Decoloniais.

Assim, as análises serão guiadas pelas noções de “Fabulação Crítica”, de Saidiya Hartman, e de “Comunidades Imaginadas Provisórias”, de José Fernando Peixoto. Além do mais, exercícios práticos.

Às 20h. Peça “Campo Minado”, com Lucas Gonçalves (60min | Livre). Na ZAP 18. Um jovem é atormentado por memórias que o instigam. É neto de Geralda, ex-Rainha da Guarda de Marujo São Cosme e São Damião, e, consequentemente, décimo filho da Maria. Todavia, ele encontra suas raízes alicerçadas no terreiro de sua antiga casa. O mesmo local onde começou a entender que, em virtude disso, e por isso, vivia – e ainda vive – em um campo minado.

Domingo (21)

Das 10 às 13h. Neste dia, a Mostra Benjamin de Oliveira apresenta a oficina Introdução à Crítica Teatral, com Guilherme Diniz. Na Zap 18.

A oficina estimula, em primeiro lugar, indagações sobre como o texto reflexivo pode tecer narrativas, memórias e perspectivas que questionem o mundo. E, além disso, a cena e suas relações, tudo isso a partir de saberes, referenciais e criações cênicas negras.

Às 20h. Espetáculo “Rainhas”, com a Coletiva Preta de Teatro. O espetáculo de contação de histórias negras tem como foco, em primeiro lugar, a propagação das histórias e contos das Yabás. Além disso, segue o pulsar da ancestralidade afro-brasileira por meio das “Escrevivências”, conceito criado por Conceição Evaristo.

Sábado (27)

Das 14h às 17h. Oficina Intérprete Urbano Criador, com Vic Alves. No Centro Cultural Vila Santa Rita. Serão abordados pilares básicos das danças urbanas. Entre eles, o balanço do corpo em consonância com ritmos musicais variados, musicalidade, passos básicos e desenvolvimento de micro células coreográficas.

Às 20h. No mesmo local, a Mostra Benjamin de Oliveira apresenta a performance “Benzimento”. Nela, a atriz e performer Meibe Rodrigues recebe as pessoas individualmente para um breve aconselhamento.

Assim, em resumo, trechos dos textos de Conceição Evaristo serão lidos para a pessoa como se fosse uma reza de benzimento. Sentada numa mesa com cadeira ou banquinho, a performer passa pelo corpo do participante galhos de manjericão. Em seguida a pessoa escolhe um texto (todos de Conceição Evaristo) que será lido por Maibe. Em conclusão, a pessoa pode se retirar do espaço, levando o texto.

Domingo (28)

Das 10 às 13h. Música e Tecnologia – Iniciação à Produção Musical para Trilha Sonora de Espetáculos, com DJ Black Josie (foto acima, de Janine Morais). Oficina a ser ministrada no Centro Cultural Vila Santa Rita. Serão abordadas ferramentas digitais disponíveis para produção musical (Daws, Plugins de efeitos, Plugins Vst, Midi, áudio). Assim, é explorada uma perspectiva histórica da produção musical para maior entendimento do que é um home studio.

Às 19h. O encerramento da Mostra Benjamin de Oliveira, no mesmo local, fica a cargo do espetáculo de dança “Negro Drama”, com Mascote.

O trabalho é, primeiramente, um resgate dos conhecimentos de Dewson Mascote como artista preto. Em suma, suas experiências e vivências de quebra dos padrões em uma sociedade racista.

É no samba, no som do tambor, na sua crença, no sampler do DJ, na acrobacia do BBoy e no seu preto véio que expressa primeiramente a força de sua ancestralidade e entende seu corpo presente hoje.

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