Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Bela vingança e as chagas abertas pelo patriarcado

Carey Mulligan entrega uma das melhores atuações da carreira no filme dirigido por Emerald Fennell
Bela Vingança. Foto: Focus Features
Bela Vingança. Foto: Focus Features

Bela vingança é um thriller. Daqueles em que as informações nos são apresentadas aos poucos e quase que de mãos dadas com a diretora, Emerald Fennell, que também fez o roteiro, vamos nos surpreendendo com a hipocrisia do mundo machista. Sim, ainda vivemos nele! Bela vingança é sobre o patriarcado e quem faz parte deles. Homens e mulheres.

Carey Mulligan interpreta Cassie, uma ex-estudante de medicina que abandonou o curso para executar um plano de vingança. Funciona mais ou menos assim, ela sai para as baladas, se finge de bêbada até que um homem vem se aproveitar dela. Aí é a hora da vingança!

Isso não é spoiler nenhum porque é a primeira cena. Mas o mais interessante desse filme é como a diretora vai desembrulhando esse plano. Aos poucos vamos entendendo as razões que deram origem a ele, as mágoas e defesas que a protagonista precisou criar para sobreviver.

Bela estreia

É o primeiro filme dirigido por Emerald, mais conhecida pelo trabalho como atriz e o papel de Camilla Parker Bowles em The Crown. Ah, ela também é produtora executiva de Killing Eve. Ou seja, conhece do metiê. Mesmo assim, por ser uma estreante atrás das câmeras, chama a atenção a segurança como ela conduz a história. 

Embora a atuação de Carey Mulligan seja o ponto que inicialmente chama a atenção, te convido a reparar a condução do roteiro em detalhes. Bela vingança é aquele tipo de narrativa que os detalhes dos personagens não necessariamente aparecem em falas, mas estão nos objetos que circulam a protagonista. Por exemplo, a correntinha que ela usa contém informações.

O filme é muito irônico nas críticas que faz ao patriarcado. Ok, nem todos os homens são como os retratados ali, mas muitos ainda seguem o abominável modelo traçado pela história. Agora, é curioso também como as mulheres também são criticadas. Duas cenas são particularmente muito bem construídas, ou seja, com tensão bem distribuída. São as que envolvem a diretora da escola e a ex-amiga. Repare bem! 

Machistas não passarão

Combater algo tão arraigado na cultura do mundo não é uma coisa simples. Emerald Fennell sabe disso. Traça o plano de vingança ciente de que muita água ainda há de passar por essa ponte. Falta muito.

Carey Mulligan em Bela Vingança. Foto: Focus Features/Divulgação
Carey Mulligan em Bela Vingança. Foto: Focus Features

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