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‘Bandeira de Retalhos’: A união fez a força no novo longa do veterano Sérgio Ricardo

Por matheusbongiovani

22/01/2018 às 19:22

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Para entender o termo “cinema de mutirão” criado pelo compositor e cineasta Sérgio Ricardo, bastava olhar para o palco no momento da introdução de seu filme “Bandeira de retalhos”, na Mostra de Tiradentes. Uma verdadeira multidão se aglomerou ali. Era apenas metade da equipe do filme.

“Afeto” foi uma palavra muito utilizada pelo respeitado artista em sua fala. Ele recebeu um dos aplausos mais calorosos da Mostra até então.  Afinal, somente com muito amor e boa vontade se poderia fazer um filme com um elenco tão numeroso, formado por atores voluntários. Todos integrantes do projeto Nós do Morro.

 

O músico e cineasta Sérgio Ricardo na Mostra de Cinema de Tiradentes. Crédito: Jackson Romanelli/Universo Produção

O filme

A sintonia entre os membros da equipe se traduziu no longa, nas interações entre os personagens. Somos imediatamente apresentados a uma comunidade unida. Formada por indivíduos que, apesar de diferentes entre si, sabem conviver e cuidar uns dos outros.

Bandeira de Retalhos” apresenta uma narrativa simples e direta. Comporta, além da luta dos moradores pela preservação do morro do Vidigal, um triangulo amoroso clássico. Uma moradora da comunidade, seu atual marido e seu ex-namorado, um traficante procurado pela polícia.

Com isso, o filme trabalha temas atemporais. A indiferença das autoridades com relação ao povo, a união das comunidades e a importância de humanizar os indivíduos, deixando os rótulos de lado.

Trata-se da adaptação de uma peça. A preservação da teatralidade da história original no filme foi uma preocupação do diretor. A câmera se movimenta pouco, os planos são abertos e forçam os atores a estar em constante atividade durante as cenas.

 

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Multitalentoso

Quando questionado sobre sua preferência acerca de uma atividade – música ou cinema – Sérgio assumiu o dilema. “Eu sou os dois: um cineasta que faz música e um músico que faz cinema”, brincou. Além da direção e do roteiro, ele também se encarregou de compor a trilha de “Bandeira de Retalhos”.

A música, aliás, é uma das protagonistas. É ela que imprime um tom nostálgico ao filme e transporta o espectador direto aos anos 70. No debate realizado após a exibição, Sérgio falou sobre como as duas paixões influenciam seu processo criativo. “Para mim é um grande desafio evitar que o filme se torne um musical. Porque considero a música como um personagem na história”, declarou.

Além disso, o diretor deu uma verdadeira aula sobre como os elementos musicais podem ser incorporados em todas as artes, inclusive no cinema. “A melodia se refere à linearidade do filme, a forma com que a narrativa se costura está relacionada à harmonia, e o ritmo é a capacidade de conquistar o envolvimento do espectador”.

 

O músico e cineasta Sérgio Ricardo na Mostra de Cinema de Tiradentes. Crédito: Jackson Romanelli/Universo Produção

 

Veterano

Aos 85 anos, o foco e a disposição já não são os mesmo de outrora. Fato que ele encara com bom humor. “Depois de uma certa idade é engraçado. Você começa uma frase sem saber como vai terminar, e depois não se lembra o que estava querendo dizer”, brincou. Mas engana-se quem pensa que a idade é um fator limitante para Sérgio Ricardo. Ele garantiu que não pensa em se aposentar tão cedo, e já tem dois projetos encaminhados.

Apesar da vasta experiência como músico e cineasta, foi em um episódio conturbado que ele ganhou notoriedade nos anos 60. Ele quebrou e arremessou seu violão contra a plateia durante um festival de música em reação às vaias. Mas com boa dose de carisma, humildade e bom humor, é seguro dizer que ele deixou esse episódio para trás. Conseguiu construir um legado que fala por si só.

*Viajou a convite da Mostra de Cinema de Tiradentes

 

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