Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Com Antonio Fagundes à frente do elenco, “Baixa Terapia” chega a BH

Gostou? Compartilhe!

Montagem de texto argentino, “Baixa Terapia” se vale do riso para abordar temas em pauta na sociedade atual, como o machismo

Patrícia Cassese | Editora Assistente

Em entrevista a uma emissora de TV, concedida tempos atrás, no bojo de uma temporada do espetáculo teatral “Baixa Terapia” em São Paulo, Antônio Fagundes, o idealizador da montagem brasileira deste que é originalmente um texto argentino, fez um comentário particularmente curioso. Na conversa com a apresentadora Adriana Couto, o ator destacou que considerava que um bom texto de teatro seria aquele capaz de fazer o espectador refletir sobre o que assistiu pelo menos durante o percurso até o local onde deixou o carro estacionado. No entanto, prosseguiu, “Baixa Terapia”, no entendimento dele, tinha o poder de ampliar este tempo na mente do espectador.

Cena da peça "Baixa Terapia", que chega agora a Belo Horizonte (Caio Gallucci/Divulgação)
Cena da peça "Baixa Terapia", que chega agora a Belo Horizonte (Caio Gallucci/Divulgação)

Neste final de semana, o público belo-horizontino terá a oportunidade de concordar ou não com o ator. É que “Baixa Terapia” chega à capital mineira para três apresentações no Sesc Palladium, de sexta a domingo, em horários distintos. Assim, a sessão da sexta-feira começa às 21h. Tal qual, no sábado, às 18h, e domingo, às 17h. Importante frisar: o espetáculo começa rigorosamente no horário marcado. Portanto, não será permitida a entrada após o início sob qualquer alegação. Ah, sim. Este espetáculo oferece a possibilidade de uma visita aos bastidores da produção (leia no serviço, ao fim do texto)

O embrião da montagem

Agora, vamos às credenciais de “Baixa Terapia”, que, além de Fagundes, traz, no elenco, Ilana Kaplan, Mara Carvalho, Alexandra Martins, Fábio Espósito e Guilherme Magon. Primeiramente, vale lembrar que Antonio Fagundes assistiu à montagem original em uma viagem a Buenos Aires – a dramaturgia é do argentino Matias del Federico -, a partir da indicação de um produtor. Cooptado pelo humor peculiar que viu em cena, o ator não tardou a pensar em adquirir os direitos para montar o texto no Brasil.
O ator, dramaturgo e diretor Daniel Veronese se incumbiu da adaptação. Tal qual, a tradução ficou a cargo de Clarisse Abujamra (também atriz). A direção de “Baixa Terapia”, por seu turno, foi delegada a Marco Antônio Pâmio.

Narrativa

A narrativa de “Baixa Terapia” mostra três casais que se encontram na sala de espera do consultório onde supostamente teriam agendada uma sessão de terapia. Prontamente, e graças a bilhetes, percebem que a terapeuta não só não irá, como promoveu o encontro dos pares de forma proposital. Inclusive, deixando bebidas e copos para os seis presentes seguirem com a análise – lembrando que, até ali, os casais não se conheciam.

A partir daí, sucedem-se queixas, confissões, suspeitas, revelações, verdades e mentiras. O humor é um elemento-chave em “Baixa Terapia”, mas, voltando ao que ponderou Antonio Fagundes, não está ali apenas a serviço do riso fortuito – o que também não seria demérito, que fique claro. Ocorre que, na peça, o riso é instrumento que conduz o espectador a refletir sobre temas prementes, como machismo, sexismo e outras questões afins. Para saber mais sobre a encenação, a reportagem do Culturadoria conversou com o ator Antonio Fagundes, que revelou outras facetas da empreitada. Confira!

O elenco do espetáculo " Baixa Terapia", que está alcançando o marco de 600 apresentações (Caio Gallucci/Divulgação)
O elenco do espetáculo ” Baixa Terapia”, que está alcançando o marco de 600 apresentações (Caio Gallucci/Divulgação)

Pulo do gato

Bem, assisti a algumas entrevistas, e me detive muito na concedida ao programa “Metrópolis”, da TV Cultura. Nela, a atriz Ilana Kaplan observa que, mesmo em momentos em que há coisas cruéis sendo ditas, as pessoas riem… Na sua opinião, o que provoca esta reação?

“Baixa Terapia” realmente é um texto muito bem elaborado pelo Matias del Federico, que é argentino. Veja, ele escreveu esse texto em 2013 e ele continua atual. E, na minha opinião, infelizmente vai continuar assim por muito tempo. E digo infelizmente porque alguns dos problemas que a peça aborda são muito graves e, ao mesmo tempo, universais. “Baixa Terapia” já foi montada em 20 países com extraordinário sucesso, e isso sem se mexer em uma vírgula do texto, tal a universalidade dos problemas que aborda. Mas eu acho que o grande truque do Matias del Federico é que o texto tem uma reviravolta no final, que surpreende bastante a plateia.

É claro que eu não posso contar, não posso dar esse spoiler (risos). Em “Baixa Terapia”, nós já tivemos 400 mil espectadores com essa peça e até hoje ninguém contou o final. Exatamente porque é uma grande surpresa para o público, mas que o faz repensar a peça inteira. Assim, essa brincadeira que eu faço de que um bom texto de teatro é aquele que faz o público pensar cinco minutos até o estacionamento, eu acho que a nossa faz pensar um pouquinho mais, por causa dessa super bem elaborada revirada que o Matias propõe para a gente.

Escuta

Pelo que entendi, vocês, do elenco de “Baixa Terapia”, geralmente gostam de ouvir dos espectadores algumas impressões do espetáculo, após o fechamento das cortinas, procede?

Sim, a gente sempre realiza, depois do espetáculo, um bate-papo com a plateia. Assim, trocamos de roupa em cinco minutos e voltamos. O elenco inteiro de “Baixa Terapia” volta para um bate-papo rápido e informal com a plateia – e isso tem sido maravilhoso. Na verdade, nós já fizemos quase 600 desses bate-papos. E sempre aparece algum depoimento, alguma colocação de alguém que tenha passado por uma situação retratada no texto, ou que esteja passando por problemas que a peça aborda. E que acaba sendo sempre inovador para nós. (Tal qual) sempre muito esclarecedor para o público também. Então, podemos dizer que esse bate-papo é uma das coisas que são sempre surpreendentes para nós, já que a gente nunca sabe o que vai aparecer. Mas sempre aparecem depoimentos maravilhosos por parte da plateia.

Fidelidade

Você tem ressaltado o fato de que todas as montagens mundo afora de “Baixa Terapia” escolheram não modificar o texto original, mantendo-se fiéis à dramaturgia de Federico. Obviamente, vi, por vídeos, algumas contextualizações que (penso eu) visam estabelecer um laço afetivo com o espectador, como a citação a jogadores de futebol brasileiros. Trabalhando, pois, com um texto que é tão universal a ponto de se conectar com tantos países, sem a necessidade de adaptações, queria pedir que citasse, entre as questões tratadas, aquela que, sob o seu ponto de vista, mais faz o público se agitar na cadeira….

É, você tem razão. Na verdade, você percebeu na verdade a única mudança que a gente fez e que eu acredito que no mundo inteiro tenham feito também, que é uma hora que se fala de um time de futebol. E o personagem, então, tem que falar de jogadores do país. Mas essa é com certeza a única modificação que a gente faz no texto, além da própria tradução do espanhol para a língua que está sendo feito. Mas tem sim, grandes momentos de surpresa para o público. Novamente, eu não posso te adiantar muito, porque aí eu estaria dando um spoiler exatamente sobre a grande virada de “Baixa Terapia”. Mas essa virada realmente faz o público se mexer na cadeira. Assim, convido você e todo mundo que estiver lendo esta matéria para assistir, para comprovar que o que estou falando é verdade.

Planos

E estando em cartaz desde 2017 (obviamente, com a pausa da pandemia), quais são os planos para o espetáculo “Baixa Terapia” daqui em diante?
Pois é, Patrícia, a gente está em cartaz desde 2017, com o intervalo só da pandemia, e estamos atingindo o nosso espetáculo de número 600. Então, eu acho que já cumprimos, aí, uma belíssima temporada, com mais de 400 mil espectadores. Viajamos por mais de 40 cidades no Brasil, fizemos uma longa excursão a Portugal. Ficamos três meses em Portugal, só lá, tivemos mais de 60 mil espectadores. Também fomos aos Estados Unidos com “Baixa Terapia”. (Tal qual) fizemos inúmeras visitas aos bastidores, centenas de bate-papos. Logo, acho que cumprimos aí a nossa pequena função social com essa peça. Desse modo, agora vamos só até dezembro. Assim, a gente encerra essa belíssima experiência viajando por Belo Horizonte, Curitiba e Vitória. Deixando, eu tenho certeza, um monte de boas memórias para as pessoas que assistiram.

Serviço

Baixa Terapia”, com Antonio Fagundes e elenco 

Grande Teatro Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1046, Centro) 

Data: 10 a 12 de novembro, sexta-feira, às 21h, sábado, às 18h, e domingo, às 17h

Não será permitida a entrada do público após o início do espetáculo. 

Ingressos:

Plateia 1 – R$ 160 (inteira), Plateia 2 – R$ 140 (inteira), Plateia 3 – R$ 120 (inteira) e Plateia 4 – R$ 100 (inteira)

Vendas: https://abrir.link/uIs8u e bilheteria do teatro

Informações complementares

Instagram: https://www.instagram.com/fafacultural/

Ingressos para acesso aos bastidores de “Baixa Terapia”

Plateia I: 

R$ 260 (R$ 100 – visita guiada pelos bastidores do teatro, camarins e acesso aos atores + R$ 160 inteira – ingresso para a apresentação da peça). 

 – Ingresso bastidores meia entrada Plateia I: 180 (R$ 100 – visita guiada pelos bastidores do teatro, camarins e acesso aos atores + R$ 80 meia entrada – ingresso para a apresentação da peça). 

Ingresso bastidores inteira Plateia II: 

R$ 240 (R$ 100 – visita guiada pelos bastidores do teatro, camarins e acesso aos atores + R$ 140 inteira – ingresso para a apresentação da peça). 

 – Ingresso bastidores meia entrada Plateia II: 170 (R$ 100 – visita guiada pelos bastidores do teatro, camarins e acesso aos atores + R$ 70 meia entrada – ingresso para a apresentação da peça). 

Ingresso bastidores inteira Plateia III: 

R$ 220 (R$ 100 – visita guiada pelos bastidores do teatro, camarins e acesso aos atores + R$ 120,00 inteira – ingresso para a apresentação da peça “Baixa Terapia”). 

 – Ingresso bastidores meia entrada Plateia III: 160 (R$ 100 – visita guiada pelos bastidores do teatro, camarins e acesso aos atores + R$ 60 meia – ingresso para a apresentação da peça). 

– Ingresso bastidores inteira Plateia IV: 

R$ 200 (R$ 100 – visita guiada pelos bastidores do teatro, camarins e acesso aos atores + R$ 100,00 inteira – ingresso para a apresentação da peça). 

 – Ingresso bastidores meia entrada Plateia IV: 150,00 (R$ 100,00 – visita guiada pelos bastidores do teatro, camarins e acesso aos atores + R$ 50,00 meia entrada – ingresso para a apresentação da peça). 

Especificações

 Obs.: Não será possível adquirir o ingresso de acesso aos bastidores sem a compra do ingresso para assistir ao espetáculo “Baixa Terapia”. A visita aos bastidores é limitada a 20 pessoas por sessão. Quem adquirir o ingresso bastidores deve chegar ao teatro com 1h30 de antecedência da apresentação escolhida portando os ingressos que darão direito à visita. Não haverá visita aos bastidores em possíveis sessões extras.

Caso a pessoa já tenha comprado o ingresso (inteira ou meia entrada) e quiser adquirir no dia do evento o acesso aos bastidores, haverá, no sistema, um ingresso no valor de R$ 100 (preço único) como “Complemento Bastidores”. Vale ressaltar que o mesmo será vendido na bilheteria somente para quem já adquiriu o ingresso para ver a peça e não sabia da possibilidade de acesso aos bastidores (e, claro, enquanto houver disponibilidade).

Gostou? Compartilhe!

[ COMENTÁRIOS ]

[ NEWSLETTER ]

Fique por dentro de tudo que acontece no cinema, teatro, tv, música e streaming!

[ RECOMENDADOS ]