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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

O que ‘O Auto da Compadecida’ significa para o Cinema Brasileiro?

No ano em que completa duas décadas do lançamento, filme de Guel Arraes ganha masterização e novos efeitos especiais. Baseado na peça de Ariano Suassuna foi o filme brasileiro mais visto em 2000 e deixou um legado para o audiovisual

Por Thiago Fonseca *

29/09/2020 às 16:48 | * Escreveu com a supervisão de Carolina Braga

Publicidade - Portal UAI
Foto: Globo Filmes/ Divulgação

Longa brasileiro mais assistido no ano 2000, O Auto da Compadecida, de Guel Arraes, baseado na peça de Ariano Suassuna, celebra neste mês de setembro 20 anos.  A boa notícia: esse clássico do cinema nacional foi remasterizado. Sendo assim, o público poderá conferir o resultado no próximo dia 30. Vai ter exibição no canal da Estação Net de Cinema no YouTube. A série que deu origem ao longa também está disponível no Globoplay.

“O filme é do período do cinema de retomada. Vem depois de uma fase muito difícil para o audiovisual no Brasil. Se apresenta como uma restauração da identidade brasileira. Um longa muito importante, pois, vai contra as instituições oficiais com humor e deboche. A essência do filme é vingança dos pobres em relação aos ricos e instituições, como por exemplo, a igreja. É diferente do que era produzido antes e abre um legado”, explica Paulo Henrique Silva jornalista e crítico de cinema.

O Auto da Compadecida é uma comédia dramática, baseada na peça teatral de 1955. Sendo assim, o texto de Suassuna conta sobre dois amigos, Chicó (Selton Mello) e João Grilo (Matheus Nachtergaele)  que tentam sobreviver no Sertão. Sem nada no bolso e com a esperança da fortuna de uma porca de barro, eles criam uma ciranda de trapaças. O longa chegou aos cinemas no dia 15 de setembro de 2000. Mais de dois milhões de espectadores foram ver naquele ano. Sendo assim, os onze milhões de reais arrecadados na bilheteria foram recorde.

Além do feito, coleciona premiações: direção, roteiro, lançamento e ator para Matheus Nachtergaele no Grande Prêmio Cinema Brasil. Também arrebatou público na Argentina, Chile e Venezuela.

Novos efeitos especiais e melhor qualidade

Para celebrar os 20 anos desse sucesso, a Globo Filmes resolveu remasterizar o filme. Dessa forma, O Auto da Compadecida está com maior qualidade de imagem e novos efeitos especiais. A cena do dia em que João Grilo se encontrou com o Diabo, por exemplo, ganhou uma aparição da Compadecida mais natural e com anjos. O início das comemorações das duas décadas foi dado em dezembro de 2019 com o lançamento da minissérie remasterizada no Globoplay, já com cenas inéditas e novos efeitos.

 

Fernanda Montenegro interpreta Nossa Senhora da Compadecida – Foto: Globo Filmes / Divulgação

 

Sucesso

“O sucesso vem de vários fatores. A linguagem que Guel Arraes usa, com dinamismo, é um deles. Vindo da TV, ele soube fazer um longa de humor com ritmo. Quebra o que as produções anteriores traziam. A teoria que o filme que traz reflexão teria que ser mais pausado. O público também se identifica com os personagens, com o pobre que luta para sobreviver”, explica Paulo.

As filmagens do longa começaram em 1999, na cidade de Cabaceiras, interior do estado da Paraíba. Foi um investimento de peso da Globo Filmes. No elenco grandes nomes como, por exemplo, Matheus Nachtergaele como João Grilo, Selton Mello como Chicó, Lima Duarte como o Bispo, Denise Fraga como Dora, Diogo Vilela como Eurico e Fernanda Montenegro como Nossa Senhora da Compadecida. Além de Rogério Cardoso, Marco Nanini, Enrique Diaz, Paulo Goulart, Luís Melo, Maurício Gonçalves, Virgínia Cavendish, Aramis Trindade e, por fim, Bruno Garcia.

 

 

 

O Auto da Compadecida remasterizado estará disponível no dia 30 de setembro no  Estação Net de Cinema no YouTube. Além do link do filme haverá, também, um debate com os realizadores. A série que deu origem ao longa também está disponível no Globoplay.

 

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