Literatura

Asdrúbal: clássico infantil de Elvira Vigna é reeditado

As desventuras de Asdrubal, o Terrível, em quatro volumes publicados entre 1978 e 1983, ganham novas e caprichadas edições 

Elvira Vigna (Crédito Keiny Andrade)

Por Gabriel Pinheiro | Colunista de Literatura

Um jovem monstro amarelo de 700 anos em crise de identidade, que sofre com o fato de que suas maldades – como cuspir em borboletas – já não causam o efeito esperado nos seres que vivem na Floresta Dum Dum. Asdrubal é um personagem criado pela escritora Elvira Vigna, protagonista de uma série de quatro livros: A breve história de Asdrúbal, o Terrível (1978), A verdadeira história de Asdrúbal, o Terrível (1979), Asdrúbal no museu (1980) e O triste fim de Asdrúbal, o Terrível (1983)

Estreia de Elvira Vigna

Publicadas a partir de 1978, a desventuras de Asdrubal marcam a estreia de Elvira Vigna nas publicações – e não apenas na literatura infantil. A breve história de Asdrúbal, o Terrível foi publicado cerca de uma década antes do primeiro romance de Vigna, Sete anos em um dia. Verdadeiro clássico da literatura brasileira para infâncias, a série de livros ganha, agora, uma reedição caprichada pela FTD.

“Qual a graça de um monstro horrível ser tão comum? Não tem graça nem diferença. O que ninguém sabia, na Floresta Dum-Dum, é que Asdrúbal morava, dormia e comia igual a todos eles. E foi graças ao seu igualzinho-a-todo-mundo que Asdrúbal conseguiu chegar até o ponto em que chegou, espalhando o terror e a falta de alegria a absolutamente todos os bichos da floresta.”

A Verdadeira História de Asdrúbal, o Terrível
(Créditos: Elvira Vigna/FTD)

Asdrúbal e a ditadura militar

Engana-se quem pensa que as tramas desse monstro amarelo são direcionadas apenas ao público infantil. Do primeiro ao último livro, os temas e a ironia fina de Elvira Vigna causam um impacto especial também nos adultos. Publicados em um período de recrudescimento da ditadura militar no Brasil, os volumes observam, criticam e zombam, num olhar afiado, do cenário político e dos próprios costumes da sociedade brasileira sem nunca banalizar o mal que nos circula – por mais patético que ele possa, por tantas vezes, parecer. 

Tanto escrito quanto ilustrado por Elvira Vigna, as histórias de Asdrúbal ganham diferentes formas e relações entre imagem e texto ao longo dos quatro volumes, com o texto galgando cada vez mais espaço, livro após livro. O olhar satírico de Elvira Vigna segue atualíssimo, quando os monstros de outrora, seguem atuando – ou, por vezes, hibernando, esperando apenas o momento certo de atacar.

“Primeiro que eles não morrem, no máximo envelhecem, mas morrer não morrem. Segundo que eles viajam de um lugar para outro com rapidez incrível. Terceiro: monstros sempre ganham, mesmo quando parecem estar perdendo. Quarto e último: eles transformam para sempre os lugares onde se dão suas batalhas.”

Coleção Asdrúbal, o Terrível
(Créditos FTD)

Encontre A breve história de Asdrúbal, o Terrível aqui.
Encontre A verdadeira história de Asdrúbal, o Terrível aqui.
Encontre Asdrúbal no museu aqui.
Encontre O triste fim de Asdrúbal, o Terrível aqui.

Gabriel Pinheiro é jornalista e crítico de literatura. Escreve aqui no Culturadoria e também em seu Instagram: @tgpgabriel.

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Publicado por tgpgabriel

Publicado em 06/04/26

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