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“Aniquilação”: Nova ficção científica da Netflix tem muitas reflexões e poucas respostas

Por matheusbongiovani

20/03/2018 às 14:06

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Foto: Netflix / Divulgação

Um grupo de corajosos exploradores se aventura em um lugar misterioso e sombrio, para onde muitos vão, e de onde ninguém volta. O potencial para despertar a curiosidade e cativar o público é justamente o que torna essa premissa de Aniquilação tão comum. O filme está disponível na Netflix.

O que diferencia essas histórias é o desfecho. Também a forma com que são conduzidas. Para tentar fugir das comparações com os concorrentes, o diretor e roteirista Alex Garland estrutura a narrativa  investindo em uma abordagem diferenciada.

Enquanto muitos filmes do gênero têm como grande atrativo a tentativa de descobrir a ordem com que os personagens serão eliminados da narrativa, aqui a identidade do último sobrevivente pouco importa. A revelação de quem sairá vivo dessa aventura é feita logo de cara.

Foto: Divulgação / Netflix

A TRAMA

Aniquilação é uma adaptação do romance homônimo de Jeff VanderMeer. No filme acompanhamos Lena (Natalie Portman), uma bióloga renomada, que recebe seu marido, o militar Kane (Oscar Isaac), em casa após retornar de uma misteriosa missão.

As comemorações de boas-vindas duram pouco. O comportamento apático, frio e monossilábico de um homem que sempre fora extremamente carinhoso causa um forte estranhamento na protagonista.

Certa noite, Kane passa mal em casa e é socorrido. A ambulância em que Lena acompanha o marido para o hospital é abordada por dezenas de policiais armados. O casal é levado para uma instalação do governo.

Chegando lá, Lena descobre que o estranho comportamento do marido estava diretamente relacionado à missão da qual acabara de retornar. Ele havia sido o único sobrevivente de uma expedição militar para o interior do “Brilho”, um fenômeno inexplicável que isolara uma área onde as leis da natureza pareciam não se aplicar.

O BRILHO

Não se sabe ao certo a natureza do fenômeno. Um evento religioso? Uma invasão extraterrestre? Uma outra dimensão? A vontade de desvendar esse mistério e a chance de encontrar algum tipo de antídoto para salvar seu marido – que está gravemente doente – é o que motiva Lena.

Ao longo do filme, uma série de Flashbacks ajuda a sedimentar a motivação da personagem. Suas experiências anteriores ao contexto apresentado justificam sua personalidade corajosa e determinada. Além disso, existe um inevitável sentimento de culpa, brilhantemente expressado por Natalie Portman.

Agora, em vez de militares, o grupo de exploradores que irá se aventurar no Brilho é formado por 5 cientistas. Todas mulheres. É uma questão de – pouco – tempo até que coisas estranhas comecem a acontecer. Desde perdas coletivas de memória até violentos ataques de animais geneticamente modificados.

No interior do Brilho, o que mais chama atenção é o visual. O belíssimo trabalho da direção de arte consiste na criação de uma versão mais colorida do Mundo Invertido de Stranger Things. Ruínas, anomalias genéticas na fauna e na flora, e a presença de fascinantes organismos cósmicos conferem ao longa uma identidade singular.

Foto: Divulgação / Netflix

RESPOSTAS

O caráter suicida da missão é uma discussão muito presente ao longo do filme. Em uma cena fundamental para a compreensão da essência da obra, Lena e Dra Ventress (Jennifer Jason Leigh) conversam sobre a diferença entre o suicídio e a autodestruição. A tendência supostamente natural do ser humano para se autodestruir ainda é reforçada por uma pela metáfora no terceiro ato. Não espere respostas fáceis.

A opção de Garland por revelar tão precocemente quem seria o único sobrevivente logo se justifica. Além de querer evitar a utilização de um recurso clichê para manter o interesse do público, o objetivo aqui é mais ambicioso.

Trata-se de uma valorização da experiência vivida pelos personagens, e da forma com que ela altera suas perspectivas e os transforma. Não é sobre o destino, é sobre a viagem. Assim como na história narrada, o que vai conquistar – ou não – o espectador de “Aniquilação” não é a coerência das respostas, mas sim a qualidade da experiência.

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