Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Ana Cañas e a beleza da valorização de Belchior

Cantora lançou o segundo EP no dia 20 de agosto com lançamento de videoclipe com participação de 47 artistas
Ana Cañas
Ana Cañas em foto de Marcus Steinmeyer

O encontro entre Ana Cañas e Belchior tem sido um presente. Eu particularmente gosto bastante de intérpretes que têm pé forte no teatro. Maria Bethânia e Ney Matogrosso são grandes exemplos disso. Ana segue o mesmo caminho. Sabe porque eu gosto disso? Com eles as letras ganham dramaturgia e, assim, as músicas ganham outro sentido pra mim. 

Por exemplo, foi com Ana Cañas cantando Coração Selvagem que eu percebi a beleza de muitos versos. Um que me arrebatou? “Meu bem, mas quando a vida nos violentar / Pediremos ao bom Deus que nos ajude / Falaremos para a vida/ Vida, pisa devagar, meu coração, cuidado, é frágil / Meu coração é como vidro, como um beijo de novela”.

Com Alucinação, Ana ressaltou, para mim, a poesia da frase mais clichê da música: “Amar e mudar as coisas me interessa mais”. E sabe o que agrava? Ela canta à capela. Aliás, arranjos minimalistas tem sido uma marca dos projetos gravados durante a pandemia. 

EPs

Pois bem, o encontro de Ana Cañas começou em show. No caso, conheci nas livres que ela realizou ao longo de 2020. Aproveite porque elas estão disponíveis no YouTube. A coisa deu tão certo que a cantora abriu um financiamento coletivo para transformar esse potente encontro em disco. O lançamento tem sido em doses homeopáticas. 

O primeiro EP saiu no dia 09 de julho com Alucinação, Velha Roupa Colorida, Galos Noites e Quintais e Na hora do almoço. O segundo nasceu no dia 20 de agosto de 2021 com mais quatro músicas: Sujeito de Sorte, Divina Comédia Humana, A Palo Seco e Comentário a Respeito de John. 

Vídeos

Detalhe: além dos EPs, Ana Cañas também tem se dedicado aos clipes. É onde também podemos ver a vertente atriz dela. Coração Selvagem e Alucinação, respectivamente com Lee Taylor e Maria Casadevall, tiram o fôlego. Já Sujeito de Sorte é uma vibe diferente mas com uma energia impressionante. 

Ana convidou 47 artistas, amigos. Ver todos eles juntos faz a letra ganhar outra dimensão. Ô classe que realmente tem sangrado com tudo que está acontecendo. Todos os participantes gravaram com seus celulares, em vídeos muito simples e verdadeiros. Há um consenso: “Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro“. 

Totalmente de acordo com a frase estampada na camiseta de Pedro Luís: “Só cultura expulsa coisas ruins das pessoas”. Vamos em frente. O encontro entre Ana Cañas e Belchior, para mim, tem sido avassalador. E para você?

Ana Cañas em foto de Marcus Steinmeyer

[ COMENTÁRIOS ]

[ NEWSLETTER ]

Fique por dentro de tudo que acontece no cinema, teatro, tv, música e streaming!