O projeto “Clara Viva”, idealizado e interpretado por Aline Calixto, terá a apresentação final no dia 25 de julho, às 21h, no Sesc Palladium. A turnê, iniciada em 2023, passou por cidades brasileiras e países da América do Sul. O show retorna ao local onde estreou, marcando o encerramento oficial da circulação. Os ingressos variam entre R$ 20 e R$ 50.
A iniciativa homenageia a cantora mineira Clara Nunes, referência do samba e da religiosidade afro-brasileira. Segundo Aline Calixto, o projeto nasceu há dez anos, durante um convite para interpretar o repertório da artista. A partir da forte identificação com a trajetória de Clara, Aline construiu um espetáculo com repertório que inclui clássicos e canções menos conhecidas do público.
O show será apresentado na íntegra e coincide com o lançamento do álbum “Clara Viva”, que reúne as doze faixas escolhidas pela artista. Entre os destaques estão “Conto de Areia”, “Tributo aos Orixás” e “Guerreira”, além de “Um Ser de Luz”, única faixa não gravada por Clara Nunes, composta como homenagem póstuma.
Repertório conecta raízes religiosas, culturais e musicais
A escolha das músicas prioriza não apenas os sucessos de Clara Nunes, mas também composições que refletem aspectos menos abordados de sua carreira. Por exemplo, Aline opta por incluir “Fuzuê” e “Afoxé pra Logun”, que mesclam elementos do samba com influências de capoeira e afoxé. A cantora afirma que algumas faixas remetem diretamente às suas próprias referências religiosas e musicais, como a Umbanda.
A faixa “Nação”, composta por João Bosco, Paulo Emílio e Aldir Blanc, também faz parte do repertório. Ela foi o título do último álbum de Clara em vida e conecta o contexto brasileiro à mitologia do orixá Oxumaré. Aline, ao escolher essa música, também presta homenagem a seu próprio orixá de cabeça.
Já em “Tributo aos Orixás”, o espetáculo recupera a ancestralidade do povo negro escravizado e a relação com os orixás, elemento central da obra de Clara Nunes. Para ressaltar esse aspecto, Aline prioriza os instrumentos de terreiro, como percussões e vozes, criando uma atmosfera ritualística que remete às tradições afro-brasileiras.
Colaborações e referências complementam o espetáculo
O encerramento da turnê terá participações especiais no medley “O Mar Serenou/Coroa de Areia”. Aline dividirá o palco com três artistas mineiras: Júlia Tizumba, Vi Coelho e Eliza de Sena. Juntas, elas interpretarão a homenagem à Iemanjá. A escolha da faixa reforça o compromisso do projeto em destacar a ligação entre música e religiosidade de matriz africana.
O repertório também abre espaço para outras vertentes além do samba. A música “Feira de Mangaio”, composta por Sivuca e Glorinha Gadelha, introduz o forró ao espetáculo. Segundo Aline, essa escolha busca evidenciar as outras faces musicais de Clara Nunes, que também gravou gêneros diversos ao longo da carreira.
A canção “Morena de Angola”, escrita por Chico Buarque especialmente para Clara, encerra o repertório do disco. A faixa foi inspirada em viagem que o compositor fez com Clara a Angola, e conecta novamente a artista à ancestralidade africana.
O jornalista e biógrafo de Clara Nunes, Vagner Fernandes, afirma que “Clara Viva” propõe caminhos não óbvios na homenagem à cantora. Ele destaca a inclusão de músicas menos conhecidas e a qualidade da interpretação de Aline Calixto como pontos centrais do projeto. Vagner também relembra a origem do show, nascida de uma apresentação literomusical realizada há dez anos.
Serviço
Espetáculo: Clara Viva – Aline Calixto canta Clara Nunes
Data: 25 de julho de 2025 (sexta-feira)
Horário: 21h
Local: Sesc Palladium – Rua Rio de Janeiro, 1046 – Belo Horizonte (MG)
Ingressos: Entre R$ 20,00 e R$ 50,00
Classificação indicativa: Livre
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Publicado por Carol Braga
Publicado em 20/07/25
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