Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Editora Aletria lança selo Alegriô em evento com música e leitura

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Alegriô, novidade no catálogo da editoria Aletria, terá programação especial no Teatro Santo Agostinho, neste sábado

Com evento de contação de histórias e música, a Editora Aletria lança neste sábado, 30 de setembro, um novo selo, voltado à literatura afro-diaspórica, afro-brasileira, africana e indígena:  Alegriô. O evento acontece no Teatro Santo Agostinho, no bojo das comemorações dos 25 anos do espaço. A programação de apresentação do selo traz a estreia do espetáculo literomusical “Mama África: Contos Afro-Brasileiros”, que homenageia as tradições orais de povos africanos. A entrada é franca, com retirada de ingressos pelo Sympla.

O embrião

Nome à frente da Editora Aletria, Rosana Mont’Alverne conta que o selo Alegriô surgiu de conversas com o também editor e diretor comercial da Aletria, Luiz Carlos Elói, que sempre lhe indicava textos de autores negros. “Da mesma forma, sempre admiramos o trabalho inspirador de nossa amiga Maria Mazarello Rodrigues, editora da Mazza Edições”. Não por outro motivo, Rosana lembra o quanto ela e Luiz comemoram quando a Lei  10.639, que incluiu na rede pública de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, foi sancionada.

Capa do livro "Um Dia Feliz", um dos que inauguram o novo selo da Aletria (Editora Aletria/Divulgação)
Capa do livro "Um Dia Feliz", um dos que inauguram o novo selo da Aletria (Editora Aletria/Divulgação)
Ilustração de Leslie Staub para o livro “O Rouxinol da Mamãe”, de Edwidge Danticat (Aletria/Divulgação)

“Um belo dia, Luiz e eu percebemos que a lei estava completando 20 anos em 2023. E, daí,  chegamos à conclusão de que estava na hora de lançarmos nosso próprio selo dedicado às literaturas africana, afro-diaspórica, afro-brasileira e indígena, além de abrir oportunidades para autores e ilustradores pretos e indígenas. Assim, acreditamos somar esforços para repensar a literatura que se publica no Brasil e também os modos de se ensinar literatura”, diz a editora da Aletria, referindo-se à constatação de que grande parte do que se publica e do que se ensina no Brasil são reproduções de modelos e pensamentos eurocêntricos. “Logo, que não dialogam mais com a realidade dos brasileiros”.

Nome e marca

Perguntada sobre os critérios que levaram à escolha do nome do selo, Rosana Mont’Alverne conta que, em uma conversa com a equipe da Aletria, o então coordenador de Comunicação, Carlos Andrei Siquara, sugeriu: “Que tal Alegriô, junção de Aletria com Griot (cuja pronúncia é griô)?”. “De pronto, adoramos o nome e o registramos. O designer Romero Ronconi desenvolveu a marca e, agora, neste dia 30 de setembro vamos inaugurar o novo selo mostrando seus dois primeiros livros. É bom demais realizar sonhos”, comemora a publisher.

Primeiras obras

Tendo isso em vista, uma das obras que inauguram o selo da Aletria são “O Rouxinol da Mamãe” (“Mama’s Nightingale”), uma história sobre imigração, separação, prisão, família e ancestralidade, da autora estadunidense de origem haitiana Edwidge Danticat. A obra traz ilustrações de Leslie Staub. Outra novidade é “Um Dia Feliz”, da professora doutora belo-horizontina Patrícia Santana. Neste caso, com ilustrações de Carol Fernandes, jovem talento que vem se destacando no universo da literatura infantil no Brasil.

O traço de Carol Fernandes dá vida à história criada pela autora belo-horizontina Patrícia Santana (Aletria/Divulgação)

“Um Dia Feliz” aborda a conexão entre avó e neta, a força das tradições das famílias negras brasileiras e a importância das memórias afetivas da infância na construção da autoestima da menina preta. Ambos estarão à venda no evento de lançamento. Ao Culturadoria, Patrícia Santana conta que a obra, chancelada pelo selo Alegriô, da Aletria, foi inspirado na  avó dela, Maria da Conceição, que nasceu em 1912, em Belo Horizonte, e que viveu parte da vida no bairro Concórdia. “Ela era operária! Uma pessoa muito firme e ativa. Gostava muito de andar pela cidade e conhecer novos bairros. Sempre fomos muito próximas,  inclusive, morei com ela durante três anos – e ela me levava para muitos lugares”.

Alegria e afeto

De acordo com Patrícia Santana, “Um Dia Feliz” pretende transmitir às crianças – tal qual, a pessoas de todas as idades – a importância do afeto na vida familiar. Do mesmo modo, a alegria com as pequenas coisas da vida. As ilustrações, pondera a autora, reforçam o compromisso com a divulgação de uma estética que valoriza as pessoas negras. “Logo, que colocam personagens negras como protagonistas! E, de uma certa forma, o livro também reverencia a nossa ancestralidade, salientando a importância das pessoas mais velhas, que deixaram um legado de amor, sabedoria e resistência”.

Fofura a perder de vista: os encantadores desenhos de Carol Fernandes (Editora Aletria/Divulgação)

Mas não só. A autora acrescenta, ainda, que o livro também é uma homenagem ao bairro Ribeiro de Abreu. Localizado na regional norte de BH, o bairro possui, no território, parte da mata do Isidoro, tendo um manancial de águas. “Infelizmente, parte dessas águas está, hoje, poluídas, mas existe um movimento muito intenso de preservação e recuperação do lugar”, conta.

Contação de história e música

Celebrando o lançamento do selo Alegriô, o evento do sábado também contempla o espetáculo literomusical “Mama África: Contos Afro-brasileiros”, com narrativas de livros da Aletria Editora e da Mazza Edições. São quatro histórias de origem africana. Em foco, temas como a criação do mundo, ancestralidade, identidade e resistência, assim como a colonização do homem branco em terras africanas, escravização e diáspora. Logo, permeadas por sentimentos como representatividade e esperança.

As contadoras de histórias e escritoras Madu Costa, Sandra Lane, Anna Lirah e Rosana Mont’Alverne apresentam um conto cada uma. Além delas, compõem o espetáculo o percussionista Babu Xavier e o bailarino afro e coreógrafo Evandro Passos.

Histórias que serão contadas

“O Céu do Baobá”, de Beatriz Myrrha, ilustrações de Ana Cristina Maciel e Guile Seara, Aletria Editora, narração de Anna Lirah;

“O Pingue Pongue do Elefantinho”, conto tradicional do Zimbábue; narração de Madu Costa;

“Akenda Mbani, o homem que não ia duas vezes ao mesmo lugar”, de Rosana Mont’Alverne, ilustrações de Bruna Lubambo, Aletria Editora, narração da autora;

“Chico Rei”, conto integrante do livro “Histórias de Nossa Gente”, de Sandra Lane, ilustrações de Flávio Fargas, Mazza Edições, narração da autora.

Serviço

Lançamento do selo Alegriô e espetáculo “Mama África: Contos Afro-Brasileiros
Dia 30 de setembro (sábado), às 14h
Teatro Santo Agostinho (r. dos Aimorés, 2.679, Lourdes)
Entrada franca, com retirada de ingressos no Sympla

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