Teatro

“A Língua do Fogo” volta em curta temporada no Sesiminas

Monólogo de autoficção de Vinícius de Souza, dirigido por Paulo André e João Marcelo Emediato, será apresentado de 13 a 15 de março no Sesiminas

Foto: Ethel Braga

13/03/2026 a 15/03/2026
20:00
Presencial
Pago
Entre R$20 e R$40
Teatro SESIMINAS - Rua Padre Marinho - Santa Efigênia, Belo Horizonte - MG, Brasil
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O monólogo “A Língua do Fogo”, do ator e dramaturgo Vinícius de Souza, retorna em curta temporada a Belo Horizonte. As apresentações serão de 13 a 15 de março, às 20h, no Teatro de Bolso do Centro Cultural SESIMINAS. Dirigido por Paulo André, do Grupo Galpão, e João Marcelo Emediato, o espetáculo propõe uma travessia cênica por temas como identidade, pertencimento e memória.

Ambientada no Brasil dos anos 1990, a obra dialoga com o contexto da formação das cidades industriais e do neocolonialismo latino-americano. A dramaturgia parte de experiências da infância do artista no subúrbio de Contagem (MG) e cria um percurso entre lembranças, sonhos e fragmentos de realidade.

Na trama, Vinícius interpreta um professor que, durante uma aula, esquece o próprio nome. O que parece um lapso trivial rompe a lógica da realidade e abre um território em que o tempo se fragmenta e a linguagem falha. A partir desse momento, o personagem inicia uma jornada por imagens e episódios de sua origem.

“Borges já dizia que nenhum ser humano é capaz de olhar para a luz do fogo sem um assombro antigo. Quando olhamos para o fogo, de um isqueiro ou de um incêndio, parece que olhamos para o nosso próprio passado, temos os olhos daqueles que o viram pela primeira vez. Para a nossa espécie, há algo de iniciático no fogo. E, no fundo, a peça é sobre a iniciação de um personagem, as suas primeiras imagens, as figuras e situações que o formaram”, contextualiza o ator e dramaturgo Vinícius de Souza.

Autoficção e memória

O percurso do protagonista passa por diferentes figuras e situações: uma rádio de bairro onde a mãe revela sua história ao vivo, um amigo albino que se refugia no vestiário da escola, um jantar de família atravessado por um patrão japonês e um tio poeta que percebe ter se tornado personagem da peça escrita pelo próprio sobrinho.

A dramaturgia combina elementos autobiográficos com ficção e imaginação. Para Vinícius, a relação entre essas dimensões atravessa toda a sua trajetória artística.

“Em todos os meus trabalhos, sobretudo quando assino a dramaturgia, as minhas memórias e experiências de vida estão sempre presentes, camufladas de ficção. Acontece que alguns trabalhos parecem exigir um pacto mais complexo e provocativo entre o real e o ficcional, o corriqueiro e o absurdo; como se a sua matéria prima morasse justamente nessa tensão”, comenta.

O espetáculo surge após montagens como “O Maior Trem do Mundo” (2023) e “Os Terrestres” (2024), que investigaram o imaginário rural mineiro. Desta vez, o artista volta o olhar para a formação dos polos industriais, as migrações por trabalho e as transformações urbanas.

Cena minimalista e atmosfera onírica

A encenação aposta em uma estética minimalista. O espaço cênico utiliza recursos visuais simples e precisos, valorizando a presença física do ator e a relação direta com o público.

“O intuito é que cada momento se desenvolva sobretudo a partir da performance e fisicalidade do ator, luzes e sons, que surgem com precisão, sempre a serviço da imaginação do espectador”, comenta Vinícius.

A trilha original do compositor Davi Fonseca, construída a partir do piano, contribui para criar uma atmosfera de sonho e labirinto. A direção de arte é assinada por Luiz Dias e a iluminação por Felipe Tristão. Já a direção corporal é de Rafael Batista e a preparação vocal de Ana Haddad.

No palco, Vinícius assume múltiplas vozes e personagens. Em alguns momentos, encarna diferentes figuras em diálogos simultâneos, utilizando variações corporais e vocais para conduzir o público por ambientes e memórias.

Serviço

Espetáculo: “A Língua do Fogo”
Temporada: 13, 14 e 15 de março
Horário: sexta a domingo, às 20h
Local: Teatro de Bolso – Centro Cultural SESIMINAS BH
Endereço: R. Padre Marinho, 60 – Santa Efigênia, Belo Horizonte – MG
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia), pela Sympla ou bilheteria do teatro
Classificação: 16 anos
Duração: 60 minutos
Mais informações: @sesiculturamg @temosplanosincriveis

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Publicado por juniodecarvalho

Publicado em 04/03/26

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