O que existe por trás da imagem idealizada da maternidade? Entre perdas, desejos, culpa e renúncias, o espetáculo Água Viva leva ao palco experiências que muitas mulheres ainda encontram dificuldade para compartilhar. Com direção de Cynthia Falabella e Cláudia Assunção, a montagem estreia nos dias 6, 7 e 8 de novembro, no Teatro de Bolso do Sesc Palladium, em Belo Horizonte.
A peça acompanha duas mulheres que vivem experiências distintas. Uma delas passou por um aborto. A outra, após se tornar mãe, enfrenta a sobrecarga e o apagamento da própria identidade. A partir dessas trajetórias, a dramaturgia também investiga outras formas de gestação, como sonhos, expectativas e projetos que exigem escolhas e renúncias.
A discussão encontra eco em pesquisas sobre a saúde mental materna. Um levantamento das plataformas B2Mamy e Kiddle Pass, realizado em 2024 com cerca de 2 mil mães brasileiras, apontou que 86% relatam algum grau de esgotamento mental. Desse total, 9% apresentam burnout grave, 44% sinais moderados e 33% sinais leves de exaustão.
Além disso, dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicam que a depressão pós-parto atinge cerca de 25% das mulheres brasileiras entre seis e 18 meses após o nascimento do bebê.
Nesse contexto, Água Viva dialoga com o movimento de desromantização da maternidade, que amplia o espaço para relatos sobre cansaço, solidão e sentimentos contraditórios. Em cena, as experiências pessoais das intérpretes se misturam a histórias de outras mulheres ouvidas durante a criação.
A água ocupa um lugar central na encenação. Símbolo de vida, fluxo e recomeço, também remete à água-viva, criatura que combina delicadeza e capacidade de queimar. Essa dualidade orienta a narrativa sobre permanências, rupturas e transformações.
Experiências pessoais deram origem à montagem
O projeto nasceu do encontro das atrizes Isabella Lealy e Raquel Carneiro com Cynthia Falabella, durante oficinas de atuação em Belo Horizonte. A pergunta que impulsionou a criação foi: o que te atravessa nesse momento?
As respostas revelaram experiências diferentes, mas conectadas pela maternidade. De um lado, a perda de um filho. De outro, a sensação de perder a própria identidade diante das exigências de cuidar.
Ao longo do processo, as atrizes transformaram essas vivências em ficção por meio de improvisações, exercícios corporais e práticas de escuta. Assim, relatos, imagens e sensações passaram a compor uma dramaturgia fragmentada, que investiga o corpo como território de memória.
A equipe, majoritariamente feminina, reúne Sara Pinheiro na dramaturgia, Yara Tanure e Paula Hart na trilha sonora, Camila Félix na direção de movimento e Anna Amantino na assistência de direção.
Além de dirigir a montagem, Cynthia Falabella atua como atriz, educadora e preparadora de elenco. Já Cláudia Assunção acumula 48 anos de trajetória entre dança, teatro, cinema e televisão. As intérpretes também respondem pela concepção e produção do espetáculo.
Serviço
Temporada: de 6 a 8 de novembro de 2026.
Horários: sexta, às 20h | sábado e domingo, às 19h.
Local: Teatro de Bolso — Sesc Palladium
Ingressos: de R$ 15,00 a R$ 30,00, à venda na Sympla
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