Depois de passar por três centros culturais de Belo Horizonte, a exposição Oríenxadigma chega ao Centro Cultural Usina da Cultura, no bairro Ipiranga, para encerrar sua circulação pela cidade. A mostra reúne obras dos artistas Fernando Costaa e Babilak Bah, que investigam a memória afrodiaspórica, a ancestralidade e a resistência negra em Minas Gerais. A abertura será no dia 7 de novembro, às 11h, com entrada gratuita.
O encontro contará com a participação de Leda Maria Martins, poeta, dramaturga, pesquisadora, Rainha de Nossa Senhora das Mercês e professora emérita da UFMG. Na ocasião, ela compartilhará suas percepções sobre a exposição, que reúne dez gravuras, chamadas Origrafias, e dez esculturas em ferro, denominadas Enxadigmas.
A presença da pesquisadora tem um significado especial para Fernando Costaa. Segundo o artista, o pensamento de Leda acompanha o projeto desde sua concepção. “A autora em sua produção contribui com um rico aporte conceitual fundamental para se refletir na contemporaneidade sobre os processos de restauração, resistência e persistência da cultura afro diaspórica no Brasil”, comenta.
Antes de chegar à Usina da Cultura, Oríenxadigma passou pelo Centro Cultural Venda Nova, pelo Centro Cultural Lagoa do Nado e pelo Centro Cultural Padre Eustáquio.
O que propõe o encontro entre gravuras e enxadas?
A exposição nasceu da convivência entre os dois artistas, que compartilham o mesmo bairro e se encontravam em viagens de ônibus e atividades culturais. Embora trabalhem com diferentes linguagens, ambos perceberam afinidades em suas pesquisas sobre ancestralidade africana, orixás e resistência cultural.
Nas esculturas de Babilak Bah, as enxadas ganham novas configurações e sonoridades. Batizadas de Enxadigmas, as peças relacionam o trabalho nas lavouras, a mineração colonial, as rebeliões quilombolas e as disputas contemporâneas pela terra. Além disso, transformam uma ferramenta associada ao trabalho forçado em instrumento de criação artística.
Já Fernando Costaa apresenta as Origrafias, gravuras que exploram rostos ancestrais como registros da memória afrodiaspórica. As imagens dialogam com o conceito yorubá de Orí, que compreende a cabeça como morada do destino e ligação com os antepassados.
A parceria também envolve dimensões subjetivas e espirituais. Para Babilak Bah, a convivência artística proporciona aprendizados que ultrapassam a produção das obras e alcançam a construção coletiva.
Oficina amplia a programação
Além da exposição, o projeto oferecerá a oficina Plantas Afrodiásporicas, conduzida por Fernando Costaa, ainda em novembro, no Centro Cultural Usina da Cultura. A data será divulgada posteriormente.
A atividade abordará as relações entre plantas da diáspora africana, memória, ancestralidade e identidade. A proposta também pretende discutir apagamentos históricos e preconceitos presentes no cotidiano brasileiro.
Serviço
Exposição Oríenxadigma, com Fernando Costaa e Babilak Bah.
Abertura: 7 de novembro de 2026, às 11h.
Período: 7 de novembro a 7 de dezembro de 2026.
Local: Centro Cultural Usina da Cultura
Endereço: Rua Dom Cabral, 765 – Ipiranga, Belo Horizonte.
Entrada gratuita.
Mais informações: Instagram @orienxadigma
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