Música
Coletivo Vende Peixe-se leva experimentação ao Palácio das Artes
Show Tudo Que Se Pode Ouvir mistura música brasileira, ruídos e improvisação e marca o lançamento de clipe inédito em BH.
Foto: Liliane Pelegrini
Música
Show Tudo Que Se Pode Ouvir mistura música brasileira, ruídos e improvisação e marca o lançamento de clipe inédito em BH.
Foto: Liliane Pelegrini
O que pode virar música? Para o Coletivo Vende Peixe-se, até notificações de celular, alarmes e ruídos urbanos podem ganhar novos sentidos. Essa é a proposta do show Tudo Que Se Pode Ouvir, que chega à Sala Juvenal Dias, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, no dia 30 de outubro, às 20h. A apresentação integra o projeto Palácio Todo Dia, da Fundação Clóvis Salgado, e marca o lançamento de um clipe inédito do grupo.
Formado por Cesco Napoli, Raphael Sales, Danilo Derick e Pablo Campos, o coletivo desenvolve, desde 2025, uma pesquisa que aproxima música experimental, canção popular, improvisação e colagem sonora.
A proposta é explorar a fronteira entre música e sons cotidianos. Assim, uma melodia conhecida pode ser desmontada e reorganizada, enquanto um ruído aparentemente comum ganha função musical.
O trabalho também dialoga com diferentes momentos da música brasileira. Artistas como Tom Zé, Alípio Martins, Caetano Veloso e Gal Costa aparecem entre as referências que o grupo transforma durante o processo criativo.
Segundo Cesco Napoli, responsável por reunir o coletivo, a pesquisa parte de uma ideia que ele chama de iconografia sonora. O conceito relaciona a circulação de imagens, memes e símbolos na cultura contemporânea à maneira como determinados sons despertam reconhecimento e memória.
“A gente procura referências na internet, experimenta combinações improváveis e vai repetindo aquilo que produz algum tipo de tensão ou reconhecimento. Existe uma lógica muito próxima da imagem. Assim como o imaginário contemporâneo é povoado por ícones, memes e fragmentos visuais que circulam o tempo inteiro, a gente tenta pensar uma espécie de iconografia sonora”, explica.
A experimentação também orienta a construção das apresentações. Em vez de reproduzir exatamente uma composição, os músicos trabalham com estruturas abertas. Dessa forma, cada show pode ganhar combinações e caminhos diferentes.
“O Vende Peixe-se gosta de aproximar universos que aparentemente não deveriam coexistir. Tem música popular, ruído, meme, canção brasileira, improvisação, referências eruditas e elementos muito reconhecíveis convivendo no mesmo espaço. Existe um interesse em criar uma primeira camada de escuta que seja acessível, familiar e imediata, mas deixando outras camadas funcionando ao mesmo tempo”, afirma Cesco.
Outro destaque da noite será a primeira exibição pública do clipe de Chama Chama Ninguém Atende, música que marcou a estreia fonográfica do coletivo.
Produzida por Lisciel Franco, a faixa foi gravada ao vivo em janeiro de 2026, no estúdio Forest Lab, no Rio de Janeiro. A produção utilizou fita de rolo, sem computadores, preservando a dinâmica da performance e do improviso.
Coletivo Vende Peixe-se apresenta: Tudo Que Se Pode Ouvir | Lançamento do clipe Chama Chama Ninguém Atende
Data: 30 de outubro de 2026
Horário: 20h
Local: Sala Juvenal Dias | Palácio das Artes.
Ingressos: Entre R$5 e R$10 , pela Sympla, ou na bilheteria do teatro.
Publicado por juniodecarvalho
Publicado em 24/10/26