A escritora e poeta “Mônica de Aquino” lançou, em Belo Horizonte, seu quinto livro de poesia, Tomar parte no enxame. Publicada pela Editora Fósforo, na Coleção Círculo de Poemas, a obra propõe um deslocamento do olhar humano. Para isso, a autora investiga outras formas de perceber a realidade a partir dos animais, das crianças e da própria linguagem.
O lançamento aconteceu em 12 de setembro, na Livraria Quixote, com um bate-papo entre Mônica de Aquino, a professora e crítica de arte Rachel Cecília de Oliveira, da Escola de Belas Artes da UFMG, e a crítica e escritora Maria Esther Maciel. Na sequência, Ana Martins Marques, Daniel Arelli, Marcelo Drummond e Lucíola Macêdo participaram de uma leitura de poemas.
Uma poesia que desloca o olhar
Em Tomar parte no enxame, Mônica de Aquino tira a perspectiva humana do centro e busca outras maneiras de perceber o mundo. Animais, crianças, matéria e linguagem atravessam os poemas e ampliam a reflexão sobre as relações entre seres humanos e não humanos.
“Busco, neste livro, outros modos de perceber a realidade: já não é a perspectiva humana que está no centro, mas o olhar dos animais – o que nós vemos, o que esta mirada nos devolve”, afirma a autora. “Atenção que se volta também para as crianças, que busca também nelas o que tantas vezes passa despercebido.”
A presença dos animais aparece como uma das linhas centrais da obra. Polvos, besouros, borboletas e, sobretudo, abelhas participam dos poemas e ajudam a construir uma reflexão sobre coexistência, linguagem e extinção das espécies. O próprio título remete à ideia de pertencimento a uma rede de seres que compartilham o mundo.
Nesse percurso, o corpo também ganha espaço. A imagem do apiário, recorrente no livro, deixa de representar apenas um ambiente externo e passa a integrar a experiência da voz poética. Assim, a relação entre corpo, mundo e outras espécies se torna um dos eixos da escrita.
Referências que atravessam o livro
A poesia de Mônica de Aquino dialoga com obras e pensamentos de artistas, escritoras e pensadoras como Sylvia Plath, Vinciane Despret, Maya Angelou, Louise Bourgeois, Adrienne Rich e Wim Wenders. Essas referências formam uma rede de vozes que amplia as discussões sobre linguagem, corpo, coexistência e vida.
“Aprender com elas que ‘escrever é escavar’. Aprender com os bichos que ‘toda linguagem é um curto-circuito’”, diz Mônica. “Poesia como matéria híbrida, imersa num tempo que nos ultrapassa e alarga, feita menos de estrelas que de plâncton e húmus. É no que acredito; é como tenho tentado escrever. Não só para dizer, mas para tentar ouvir o que só me parece disponível a partir da escrita.”
Tomar parte no enxame chega como mais um capítulo de sua trajetória na poesia brasileira contemporânea, com uma escrita que aproxima seres, matérias e experiências e convida o leitor a perceber aquilo que costuma passar despercebido. O livro pode ser adquirido pelo site da editora.
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