Ferro, mel, arroz, feijão e cogumelos ganham novos significados na exposição “A ponta da língua”, da artista visual paulistana Valentina Tedeschi. A mostra entra em cartaz na Casa Fiat de Cultura nesta terça-feira, 28 de julho, e segue até 13 de setembro, com entrada gratuita.
Selecionado pelo 9º Programa de Seleção da Piccola Galleria, o projeto reúne quatro esculturas e uma pintura sobre ferro. As obras, por sua vez, exploram as relações entre gastronomia, corpo, natureza, memória e passagem do tempo.
A pesquisa da artista surgiu de uma herança familiar ligada à alimentação. Avós, pais e outros familiares trabalharam com gastronomia, fazendo da cozinha um espaço de convivência e transmissão de saberes.
Depois de concluir a graduação em Artes Visuais, Valentina viveu e trabalhou em um restaurante na Itália. Nesse período, reconheceu na alimentação o eixo de sua investigação artística. Assim, ingredientes, utensílios e materiais cotidianos passaram a revelar processos de transformação, permanência e deterioração.
O ferro ocupa uma posição central na mostra. Associado às panelas e aos utensílios de cozinha, o material aparece em sua condição bruta. A artista não esconde a ferrugem. Pelo contrário, incorpora a oxidação à construção das imagens e das superfícies.
“A comida sempre esteve presente na minha vida como parte da história da minha família e do trabalho desenvolvido por diferentes gerações. Depois da faculdade, percebi que esse universo também era o lugar da minha pesquisa. Trabalho com materiais que carregam o tempo em sua superfície, como o ferro e o mel, porque me interessa pensar como eles preservam histórias, transformam-se e continuam produzindo significados”, destaca Valentina Tedeschi.
Obras mudam durante o período da exposição
Nas esculturas “Escorpião-amarelo” e “Artrópode”, o mel assume formas inspiradas em animais ligados às cadeias ecológicas da alimentação. Durante a mostra, o material escurece naturalmente. Dessa maneira, a transformação torna visível a ação do tempo sobre a obra.
Em “Espetinho”, um cogumelo metálico é atravessado por um espeto. A composição aproxima o alimento em seu estado natural das mudanças provocadas pelo preparo culinário.
Já em “Arroz com feijão”, a artista registra as silhuetas dos alimentos sobre uma placa de ferro oxidada. A obra se inspira no Banco Global de Sementes de Svalbard, na Noruega, onde variedades agrícolas são preservadas para as futuras gerações.
O título “A ponta da língua” faz referência ao antigo mapa que atribuía à extremidade da língua a percepção do sabor doce. Embora a teoria tenha sido superada pela ciência, ela permanece no imaginário cultural e conduz reflexões sobre paladar e memória.
Na abertura, Valentina Tedeschi participa de um bate-papo com o público. A conversa será no dia 28 de julho, às 19h, e as inscrições gratuitas estão disponíveis pelo Sympla.
Serviço
Exposição “A ponta da língua”, de Valentina Tedeschi, na Casa Fiat de Cultura
Período expositivo: 28 de julho a 13 de setembro de 2026
Visitação presencial: terça-feira a sexta-feira das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h (exceto segundas-feiras)
Bate-papo de abertura da exposição com a artista Valentina Tedeschi
28 de julho, terça-feira, às 19h, na Casa Fiat de Cultura
Inscrições gratuitas pelo Sympla
Toda programação da Casa Fiat de Cultura é gratuita
Publicado por juniodecarvalho
Publicado em 27/07/26
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