O Cine Humberto Mauro exibe até 29 de abril, a mostra “Truffaut por completo”, dedicada ao cineasta francês François Truffaut, um dos principais nomes da Nouvelle Vague. A programação reúne 23 filmes e propõe ao público um mergulho na obra completa do diretor, com todas as sessões gratuitas.
A retrospectiva chega a Belo Horizonte um mês depois de Truffaut ganhar destaque na revista francesa “Cahiers du Cinéma”, publicação que marcou sua trajetória como crítico antes da consagração como diretor. A mostra já passou por São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia e Brasília, e agora desembarca na capital mineira em realização do Cine Humberto Mauro.
Entre os títulos programados estão “Os Incompreendidos” (1959), “A Noite Americana” (1973), “Jules e Jim – Uma Mulher para Dois” (1962) e “Fahrenheit 451” (1966). Além disso, cinco filmes serão exibidos em cópias restauradas em 4K. Para ampliar o acesso, cada obra terá três exibições ao longo do período.
A programação também inclui sessões comentadas. Entre os destaques, está uma edição do projeto “Cinema e Psicanálise”, voltada ao filme “A Mulher do Lado” (1981). Já outros encontros abordam obras de cineastas que dialogam com a trajetória de Truffaut, como “A Regra do Jogo” (1939), de Jean Renoir, “Desejos Proibidos” (1953), de Max Ophüls, e “Um Corpo que Cai” (1958), de Alfred Hitchcock.
Do crítico ao diretor
A seleção ajuda a apresentar não apenas a filmografia de Truffaut, mas também seu percurso intelectual. Antes de dirigir, ele teve atuação importante como crítico na “Cahiers du Cinéma”, onde defendeu um cinema guiado pela visão pessoal do diretor. Essa formulação ajudou a consolidar a chamada “política dos autores”, um dos pilares teóricos da Nouvelle Vague.
Nascido em Paris, Truffaut teve infância e adolescência marcadas por instabilidade familiar e rebeldia. Nesse contexto, encontrou no cinema um refúgio. Sua aproximação com André Bazin foi decisiva. O crítico e teórico francês o acolheu, interveio em sua vida pessoal e abriu caminho para sua formação cultural e sua entrada na crítica cinematográfica.
Pouco depois, Truffaut levou suas ideias para a prática e passou a integrar, ao lado de nomes como Jean-Luc Godard e Éric Rohmer, o movimento que transformou a linguagem do cinema. Em sua obra, conciliou traços do cinema clássico com soluções de produção mais simples e um olhar íntimo sobre os personagens.
Segundo Vitor Miranda, gerente-programador do Cine Humberto Mauro, destaca-se “a delicadeza com que filma a vida: seus afetos, dúvidas e imperfeições. Seu cinema nos convida a olhar para os personagens com empatia e a reconhecer, neles, algo de nós mesmos”.
Serviço
Truffaut por completo
Data: Até 29 de abril
Horários variados
Local: Cine Humberto Mauro
Gratuito
Ingressos: metade on-line, a partir de 12h do dia de cada sessão, pela Sympla. O restante fica disponível na bilheteria do Palácio das Artes, uma hora antes das exibições.
Mais informações no site.
Publicado por juniodecarvalho
Publicado em 03/04/26
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