Teatro

Armatrux estreia “Mordida Exploratória” no CCBB BH

Espetáculo marca os 35 anos do grupo e propõe reflexão sobre desmonte ambiental e social

Grupo Armatrux | Foto: Poly Acerbi

O Grupo Armatrux completa 35 anos de trajetória em 2026 com a estreia do espetáculo “Mordida Exploratória”. A montagem chega ao CCBB BH no dia 11 de abril, sábado. A temporada segue até 11 de maio, no Teatro II, com sessões de sexta a segunda-feira, sempre às 19h.

Com direção e dramaturgia de Amora Tito, a peça reúne Paula Manata, Rogério Araújo e Michele Bernardino. O trabalho constrói uma metáfora sobre o desmonte ambiental, social e de gênero. Ao mesmo tempo, amplia o olhar sobre ausências e vazios deixados por processos de exploração.

A trama parte de uma imagem simbólica. Três sacolas plásticas emergem no Oceano Atlântico após mais de trezentos anos à deriva. Elas compartilham experiências e observações sobre a vida humana. Em vez de se decompor, tornam-se testemunhas da existência.

O título da obra vem de um termo biológico. Refere-se ao comportamento de animais que mordem para investigar. No espetáculo, a ideia ganha dimensão política. “É uma metáfora para as mordidas que exploram corpos políticos, bens naturais e as potencialidades de ser; arrancar pedaços da liberdade, da expressão, da terra, dos direitos e dos desejos como medida que ameaça as existências. Como uma voçoroca que engole a terra, como tratores que arrancam minerais, como um tubarão que morde um pedaço de algo para perceber o que é. É o ato de tirar um pedaço de algo apenas para sondar, sem digerir, deixando um vazio preenchido por plástico”, afirma Amora Tito.

Processo criativo e parcerias

A montagem resulta de dois anos de pesquisa. O processo envolveu residências, oficinas e laboratórios. A criação se desenvolveu a partir da relação entre improvisação e escrita em tempo real.

Segundo Paula Manata, a escolha de Amora Tito e Michele Bernardino partiu de afinidades artísticas. “Amora chegou ao grupo através de sua escrita poética. Ficamos encantados com sua dramaturgia repleta de imagens e profundamente lírica. O processo de criação foi orgânico: enquanto o grupo explorava improvisações no tablado, Amora tecia o texto em tempo real, transformando gatilhos e ideias em dramaturgia. Desse diálogo, seu olhar precioso transbordou naturalmente para a direção e a encenação”.

A equipe reúne colaboradores recorrentes do grupo. Richard Neves assina a trilha sonora original. Eduardo Felix responde pelo cenário, objetos e bonecos. O figurino e a caracterização são de Agnes Antônia. A preparação corporal tem assinatura de Nadja Kai-Kai e Patrícia Manata.

Trajetória e linguagem

O novo trabalho marca a 24ª montagem do Armatrux. Ao longo de mais de três décadas, o grupo consolidou uma linguagem própria. A pesquisa combina teatro físico, música, dança, circo e manipulação de objetos.

A companhia já se apresentou em todas as regiões do Brasil e em sete países. Também desenvolve ações formativas e projetos culturais no C.A.S.A., em Nova Lima. Com “Mordida Exploratória”, o grupo reafirma sua investigação estética, agora atravessada por novas vozes da cena mineira.

Serviço

Grupo Armatrux celebra 35 anos com estreia do espetáculo “Mordida Exploratória” no CCBB BH
Estreia: 11 de abril, sábado
Temporada: 11 de abril a 11 de maio de 2026
Horários: sexta a segunda-feira, às 19h
Local: CCBB BH – Teatro II
Classificação indicativa: 12 anos

Sessões com intérprete de Libras: 18 e 25 de abril
Bate-papo após o espetáculo: 24 de abril

Ingressos: Entre R$15 e R$30, pelo site e bilheteria do CCBB BH.

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Publicado por juniodecarvalho

Publicado em 24/03/26

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