Teatro

O Avesso da Pele chega ao FESTA

Espetáculo do Coletivo Ocutá, inspirado no romance de Jeferson Tenório, com sessão no dia 24 de abril

Foto: Helt Rodrigues

24/04/2026 a 24/04/2026
20:00
Presencial
Pago
Entre R$21,5 e R$50,
Minas Tênis Clube I - Rua da Bahia - Lourdes, Belo Horizonte - MG, Brasil
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A segunda edição do FESTA – Festival de Teatro e Artes recebe “O Avesso da Pele”, adaptação do livro de Jeferson Tenório, vencedor do Prêmio Jabuti em 2021, na categoria Romance Literário.

Idealizada pelo Coletivo Ocutá, a montagem tem direção de Beatriz Barros e elenco formado por Alexandre Ammano, Bruno Rocha, Marcos Oli e Vitor Britto. Em cena, a peça transporta para o palco a história de Pedro, filho de um professor de literatura assassinado em uma abordagem policial. A partir desse episódio, ele mergulha em uma investigação sobre as próprias origens, o passado da família e a trajetória do pai, Henrique.

Ambientada em Porto Alegre, na década de 1980, a narrativa conduz o público por uma jornada que atravessa paternidade preta, racismo, afeto e redenção. O romance de Tenório serve como ponto de partida para uma encenação que busca preservar a densidade emocional e política do texto original.

“O Avesso da Pele não é um livro sobre o racismo e também não é um livro sobre a violência policial. Ele é antes de tudo uma reivindicação afetiva, que vai restituir a subjetividade perdida ou retirada em função do racismo e da violência. A questão central do livro é discutir as coisas que se perdem quando o Estado e a polícia agem dessa forma.” Jeferson Tenório, em entrevista ao Jornal Nexo.

Montagem destaca alternância de vozes em cena

O projeto começou a ganhar forma em 2020, quando Vitor Britto, Marcos Oli, Bruno Rocha e Alexandre Ammano entraram em contato com o livro e convidaram Beatriz Barros para dirigir a adaptação. A proposta incluiu um olhar feminino atento à cena teatral contemporânea e às questões sócio antropológicas que atravessam a narrativa, com embasamento teórico.

O elenco, composto por quatro atores negros com menos de 30 anos, se reconheceu nas experiências descritas no romance. Essa identificação aproximou o grupo da obra e também do autor, que deu aval à montagem desde o início.

No palco, os quatro atores se alternam entre os personagens, em um jogo no qual todos serão pai e filho em algum momento. O cenário representa o apartamento de Henrique. É desse espaço, após o assassinato, que Pedro passa a observar objetos e memórias como ponto de partida para reconstruir a história do pai.

“É necessário preservar o avesso, você me disse. Preservar aquilo que ninguém vê. Porque não demora muito e a cor da pele atravessa nosso corpo e determina o nosso modo de estar no mundo. E por mais que sua vida seja medida pela cor, por mais que suas atitudes de modos de viver estejam sob esse domínio, você, de alguma forma, tem de preservar algo que não se encaixa nisso, entende? Pois entre músculos, órgãos e veias existe um lugar só seu, isolado e único. E é nesse lugar que estão os afetos. E são esses afetos que nos mantêm vivos.” Trecho de “O Avesso da Pele”.

Serviço

O AVESSO DA PELE
Data: 24 de abril (sexta-feira), às 20h.
Classificação: 14 anos.
Local: Teatro Minas Tênis Clube (Rua da Bahia, 2.244 – Lourdes).
Ingressos: Entre R$21,5 e R$50, pela Sympla ou bilheteria do Teatro.

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Publicado por Minas Tênis Clube

Publicado em 26/03/26

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