A plataforma gratuita de streaming Itaú Cultural Play (IC Play) estreia, no dia 6 de março, a mostra Femininas Plurais. A programação integra as ações do Mês da Mulher e reúne nove curtas-metragens de animação dirigidos por realizadoras brasileiras.
A seleção apresenta documentários, ficções e experimentações visuais. As obras exploram diferentes técnicas de animação para discutir identidade, memória, ancestralidade e resistência feminina. Ao mesmo tempo, evidenciam a diversidade estética e narrativa da produção autoral no país.
Entre os destaques está o curta Carne (São Paulo, 2019), documentário dirigido por Camila Kater. O filme foi qualificado para o Oscar de 2021 e já recebeu mais de 95 prêmios em festivais. A obra combina diferentes técnicas de animação para retratar experiências de cinco mulheres em distintas fases da vida, abordando padrões de beleza, sexualidade, violência e liberdade.
Outro destaque é Apneia (Paraná, 2019), dirigido por Carol Sakura e Walkir Fernandes. A animação acompanha Muriel, uma menina que não sabe nadar e enfrenta memórias difíceis da infância enquanto tenta aprender a respirar e superar o medo. O filme recebeu mais de 15 prêmios, incluindo Melhor Curta no Festival de Gramado e no Anima Mundi, ambos em 2019.
Diversidade estética e narrativas femininas
A mostra também apresenta Mulher vestida de sol (Bahia, 2024), de Patrícia Moreira. Na trama, Liah embarca em uma jornada onírica para reencontrar sua essência e acessar memórias ancestrais. O filme utiliza aquarela, rotoscopia e animação vetorizada para explorar identidade e espiritualidade. A obra venceu o Prêmio Grande Otelo de 2024.
Primeiro curta de animação produzido no Amapá, Solitude (2021), de Tami Martins, acompanha uma mulher em processo de reconstrução após o fim de um relacionamento. Ao longo da narrativa, sua sombra foge para o Deserto do Atacama e desencadeia uma travessia pela região Norte do Brasil. A animação utiliza traços delicados e paleta multicolorida em 2D.
Também integra a programação Mãtãnãg, a encantada (Minas Gerais, 2019), dirigido por Charles Bicalho e Shawara Maxakali. Baseado em narrativa tradicional do povo Maxakali, o filme acompanha a travessia de uma mulher que segue o espírito do marido até a aldeia dos mortos. A produção foi realizada em colaboração com a comunidade indígena e é falada na língua desse povo.
Memória, futuro e experimentação
Entre as obras exibidas está Apoptosis (Pará, 2023), de Brenda Bastos. A narrativa apresenta um cenário pós-apocalíptico em que um vírus devastou a humanidade. Em meio ao silêncio e às paisagens desoladas, duas mulheres tentam sobreviver enquanto enfrentam solidão e luto.
Já o curta Jussara (Bahia, 2023), dirigido por Camila Ribeiro, retrata uma idosa reconhecida na comunidade por contar histórias e aconselhar moradores da vila. Em determinado momento, ela decide viver a própria vida em vez de apenas narrar a dos outros. A animação combina cenários em aquarela com personagens digitais.
Completa a seleção Mademoiselle Cinema (Rio de Janeiro, 1995), de Helena Lustosa. O filme utiliza imagens de arquivo e animação para questionar estereótipos femininos perpetuados pela história do cinema e refletir sobre a objetificação do corpo da mulher na indústria cultural.
Serviço
Mostra Femininas Plurais
A partir de 06 de março de 2026
Itaú Cultural Play
https://www.itauculturalplay.com.br
Publicado por juniodecarvalho
Publicado em 05/03/26
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