Festival Farofa celebra 10ª edição no Bixiga
Festival ocupa cinco espaços culturais entre 7 e 15 de março, reunindo mais de 70 artistas e cerca de 60 aberturas de processos criativos
Anonimato, Cia Mungunzá | Foto: João Leoci
Festival ocupa cinco espaços culturais entre 7 e 15 de março, reunindo mais de 70 artistas e cerca de 60 aberturas de processos criativos
Anonimato, Cia Mungunzá | Foto: João Leoci
A Farofa do Processo chega à sua 10ª edição entre os dias 7 e 15 de março de 2026 e ocupa o bairro do Bixiga, em São Paulo, com uma programação dedicada às artes da cena em diferentes estágios de criação. Ao longo de nove dias, cinco espaços culturais recebem cerca de 60 aberturas de processos criativos de mais de 70 artistas e coletivos.
A programação se distribui pela Casa Farofa, Teatro Manás Laboratório, Teatro do Incêndio, Teatro Estelar e Teatro da Vertigem. Além disso, também se estende pela Rua Treze de Maio, com ações no Bar da Angela, na casa de Maria de Lourdes Inácio e intervenções realizadas na própria rua.
Realizada pela Corpo Rastreado, a Farofa nasceu em 2020 como FarOFFa – Circuito Paralelo de Artes de São Paulo, a partir de uma provocação da MITsp. Desde então, atravessou diferentes formatos, presenciais, digitais e itinerantes, incluindo iniciativas como FarOFFa no Sofá, durante a pandemia, além de projetos como OcupAÇÃO FarOFFa, Dispositivo FarOFFa e Faroffa Zona.
Em 2024 o projeto assumiu o nome atual. Agora, ao alcançar sua décima edição, o festival reafirma seu papel como espaço dedicado à experimentação, pesquisa e acompanhamento de processos criativos nas artes cênicas.
A edição de 2026 coloca em foco os espaços culturais independentes, considerados fundamentais para a criação, pesquisa e circulação de artistas e grupos. A proposta é evidenciar o papel estratégico desses locais na sustentação do ecossistema cultural.
Para Gabi Gonçalves, da Corpo Rastreado, “a Farofa sempre nasce das urgências da produção e, em 2026, escolhe olhar com mais atenção para os espaços independentes, que são onde o trabalho artístico ganha corpo, tempo e continuidade. São esses lugares que garantem experimentação, risco e permanência. Dar visibilidade a esses espaços é reconhecer sua função política e econômica no setor e fortalecer as redes que mantêm a cena ativa. No centro da Farofa permanece a ideia do encontro, entre artistas, territórios, públicos e modos de fazer.”
Entre os participantes desta edição estão artistas de diferentes regiões do país e também do exterior. A argentina Soledad Perez Tranmar apresenta o trabalho “Pluma”. Já o artista Alexandre Américo, de Natal (RN), compartilha o processo “Papangu”, investigação iniciada em 2016 que propõe uma instalação com elementos cortantes para refletir sobre fronteiras e vulnerabilidades de corpos negros.
De Belo Horizonte, Dudu Melo e Junior Dias, da Pigmentar Companhia, apresentam o processo “Cuidado”, enquanto a performer HBLynda Morais, de Recife, traz o trabalho “HBLYNDA EM TRÂNSito”.
A programação inclui ainda obras que retornam à Farofa após passarem pelo evento em fases anteriores de criação. É o caso de “1 peça cansada”, de Natasha Corbelino, “Antígona Travesti”, de Renata Carvalho, e “Capengá!”, de Estela Lapponi.
Além disso, o festival também recebe apresentações como “Agropeça”, do Teatro da Vertigem, com direção de Antonio Araujo e texto final de Marcelino Freire, e “AnonimATO”, da Cia. Mungunzá de Teatro, espetáculo concebido para o espaço público.
A edição de 2026 também dedica atenção à cultura DEF e às práticas artísticas relacionadas à experiência da deficiência. A acessibilidade atravessa toda a programação, com intérpretes de Libras e acompanhamento do público. E também um áudio tour acessível sobre a história e a arquitetura da Rua Treze de Maio.
Outra novidade é a Sessão Maldita, faixa que ocupa a meia-noite com propostas radicais e experimentais em diferentes espaços do festival.
Por fim, a Farofa amplia o diálogo com o público infantil. Entre os destaques estão “A Chave do Labirinto”, adaptação do livro de Regina França, e “O Bocejo da Serpente”, inspirado na obra da jovem autora Antônia Gomes Minchoni. Além de “Iní Berê – Somos Todos Estrangeiros”, da Cia Aya.
10ª Farofa do Processo
De 7 a 15 de março de 2026, das 11h às 22h
OBS.: Os ingressos seguem o modelo “pague quanto puder”, com exceção de Agropeça, com valores populares de ingresso (R$ 40/ R$ 20 (meia), via Sympla). Demais programações, os ingressos serão disponibilizados uma hora antes das apresentações.
Informações e programação completa em: Farofasp e @farofasp
Publicado por juniodecarvalho
Publicado em 04/03/26