Oportunidades na Cultura

Como transformar o seu imposto de renda em investimento em cultura

Ao declarar o Imposto de Renda no modelo completo, pessoas físicas podem apoiar projetos culturais aprovados em lei. Reunimos iniciativas que mostram como essa escolha fortalece a cultura.

Mostra Cinema de Tiradentes. Foto Leo Lara/Universo Producao

Pessoas físicas que declaram o Imposto de Renda no modelo completo têm até o dia 29 de dezembro para destinar parte do imposto devido a projetos culturais aprovados pela Lei Federal de Incentivo à Cultura. De acordo com dados divulgados pela plataforma Evoe.cc, no Brasil, mais de 17 milhões de contribuintes estão aptos a utilizar esse mecanismo. Este podem direcionar até 6% do imposto para a cultura. Ainda assim, apenas cerca de 12 mil pessoas físicas fazem essa escolha todos os anos. Ou seja, apenas 0,07% do total elegível.

No último exercício, enquanto o governo federal autorizou R$16,9 bilhões em renúncia fiscal para a cultura, apenas R$ 2,98 bilhões foram efetivamente captados. E mais: menos de 2% desse valor veio de pessoas físicas.

Caso todo o potencial fosse utilizado, o setor cultural brasileiro poderia receber até R$ 14,9 bilhões adicionais por ano. Isso sem aumento de carga tributária, apenas com o redirecionamento de um imposto que já seria pago.

A destinação feita por pessoas físicas tem um papel estratégico. Ela descentraliza recursos, reduz a dependência de grandes patrocinadores e amplia o acesso de projetos diversos ao financiamento cultural. 

A seguir, apresentamos algumas iniciativas consistentes que podem ser apoiadas por meio da destinação do Imposto de Renda, fortalecendo a produção cultural em Minas Gerais e no Brasil.


Carol Braga. Foto: Aline Prado

Culturadoria 

O Culturadoria é um projeto de jornalismo cultural e curadoria que organiza, contextualiza e antecipa informações sobre a vida cultural de Belo Horizonte, ajudando o público a escolher melhor o que consumir. O apoio ao projeto fortalece a manutenção da produção de conteúdo para o portal e demais canais, assim como a implementação de ações de mediação cultural. A contribuição é livre: cada pessoa pode destinar o valor que desejar, dentro do limite legal de até 6% do Imposto de Renda devido.


Foto: Alexandre Rezende

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Em 2026, a Filarmônica de Minas Gerais celebra dez anos do Programa Amigos. A destinação de parte do Imposto de Renda vai para projetos educacionais e de formação de público ligados à música de concerto. As contribuições viabilizam ações como Concertos Didáticos, Concertos para a Juventude, a Academia Filarmônica, o Festival Tinta Fresca e apresentações gratuitas em praças e cidades do interior. Em dez anos, mais de 220 mil pessoas foram impactadas pelas ações educativas da Orquestra.


Grupo Galpão (Um) Ensaio sobre a Cegueira. Foto: Tati Motta/Divulgação
Grupo Galpão (Um) Ensaio sobre a Cegueira. Foto: Tati Motta/Divulgação

Grupo Galpão

Com mais de 40 anos de trajetória, o Grupo Galpão é uma das companhias mais importantes do teatro brasileiro. Tem forte atuação em circulação, formação e acesso público à arte. O programa de apoio oferece categorias definidas, com valores anuais que vão de R$ 50 a R$ 1.000, permitindo diferentes níveis de participação de acordo com o perfil do apoiador.


Os bailarinos mergulham na batida tecno em "O Corpo" (José Luiz Pederneiras/Divulgação)
Os bailarinos mergulham na batida tecno em “O Corpo” (José Luiz Pederneiras/Divulgação)

Grupo Corpo

O Grupo Corpo é referência internacional da dança contemporânea brasileira e mantém uma produção artística contínua e reconhecida. O apoio é estruturado em planos anuais, com valores intermediários, a partir de R$300/ano. Tem, ainda, cotas mais altas de até R$5.000. Entre os benefícios dessa categoria estão, cotas de ingressos para apresentações e fila exclusiva para retirada no teatro.


Foto da fachada do Galpão Cine Horto Foto Frederico Rocha

Centro Cultural Galpão Cine Horto

Há mais de 25 anos, o Centro Cultural Galpão Cine Horto atua como espaço de formação, pesquisa e difusão das artes cênicas em Belo Horizonte. Por meio da destinação do Imposto de Renda, é possível apoiar a manutenção de ações como o Festival de Cenas Curtas, os Núcleos de Pesquisa em teatro e o Conexão Galpão, que leva espetáculos gratuitos a escolas públicas, ampliando o acesso à cultura. O apoio pode ser feito a partir de R$ 100 por ano, com possibilidade de parcelamento.


Exposição ‘Bonecos Giramundo’ | Foto: Enzo Giaquinto

Programa Giramundo 2025

Com sede em Belo Horizonte e atuação desde 1971, o Giramundo é uma das instituições mais importantes do teatro de bonecos no Brasil. A destinação do Imposto de Renda para o Programa Giramundo 2025 contribui para a preservação do maior acervo de bonecos do país, a criação de espetáculos, a formação de marionetistas e a produção de filmes de animação, mantendo vivo o legado de Álvaro Apocalypse. Tem planos a partir de R$100 até R$1.000 por ano.


"Pretérito Imperfeito", espetáculo da Mimulus Cia de Dança (Guto Muniz/Divulgação)
Cena de “Pretérito Imperfeito”, espetáculo da Mimulus Cia de Dança (Guto Muniz/Divulgação)

Parceiros Mimulus

Desde 2001, a Associação Cultural Mimulus desenvolve ações de criação, formação e difusão da dança. O programa Parceiros Mimulus permite que pessoas físicas destinem até 6% do Imposto de Renda para a manutenção do grupo, a realização de oficinas gratuitas, ações sociais e apresentações abertas em periferias e escolas públicas, fortalecendo o acesso à cultura e à formação artística. Os planos de apoio vão de R$100 a R$30.000, com diferentes contrapartidas.


Cine Praça em Tiradentes. Foto Leo Lara
Cine Praça em Tiradentes. Foto Leo Lara

Amigos da Mostra Tiradentes

A Mostra de Cinema de Tiradentes completa 29 anos em 2025 como um dos principais encontros do cinema brasileiro. Por meio do programa Amigos da Mostra Tiradentes, pessoas físicas podem destinar parte do Imposto de Renda para apoiar a realização do evento, contribuindo para uma programação gratuita, diversa e formativa, voltada à exibição de filmes nacionais e à formação de público. Apoios a partir de R$150.


inhotim william gomes
Foto: William Gomes / Divulgação

Amigos do Inhotim

O programa Amigos do Inhotim convida pessoas físicas a integrarem uma rede de apoio ao maior museu a céu aberto da América Latina. Por meio de contribuições incentivadas, com valores a partir de R$ 175 por ano e diferentes categorias de apoio, é possível destinar parte do Imposto de Renda para a manutenção dos acervos artísticos e botânicos. Além da dedução fiscal prevista em lei, o programa oferece benefícios como entrada livre e sem filas, descontos em serviços do Inhotim e vantagens em instituições culturais parceiras em todo o país.


Programa Amigos do Clube

O Programa Amigos do Clube, criado pelo Instituto Cidades Criativas, convida pessoas físicas a apoiarem a continuidade de projetos culturais ligados à música, à formação e à ocupação qualificada do espaço público. Inspirado pela trajetória do Café com Letras e do Clube de Jazz do Café com Letras, o programa permite a destinação de recursos, via Lei Federal de Incentivo à Cultura ou doações diretas, para ações como a realização de shows gratuitos, concessão de bolsas para composição de novas obras, oficinas musicais educativas e premiação de jovens músicos. Os planos de apoio variam de R$ 100 a valores acima de R$ 2.000 por ano, com dedução integral no Imposto de Renda e contrapartidas que aproximam o público da cena cultural e dos processos de criação.


Integrantes do Instituto Hahaha, que está completando 12 anos de atuação (Carol Reis/Divulgação)
Integrantes do Instituto Hahaha, que está completando 12 anos de atuação (Carol Reis/Divulgação)

Instituto Hahaha

O Instituto Hahaha é uma organização da sociedade civil que atua na promoção da arte da palhaçaria em espaços de saúde e de acolhimento. Com a missão de colocar o riso a serviço da vida, a instituição desenvolve ações continuadas que garantem o acesso à arte e à cultura para crianças, adolescentes, adultos e idosos, além de familiares, profissionais de saúde e equipes técnicas, reconhecendo a potência da linguagem artística como parte do cuidado, da escuta e da humanização dos ambientes de atendimento. Os planos custam a partir de R$100.

Destinar o Imposto de Renda é simples, legal e não gera custo adicional. É uma decisão que transforma um imposto obrigatório em impacto direto na cultura.

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Publicado por Carol Braga

Publicado em 18/12/25

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Apoiadores: Lei Rouanet, Instituto AngloGold Ashanti, UNIBH, AngloGold Ashanti, Ministério da Cultura