Rusá leva devoção do Serro ao Museu da Inconfidência
Mostra de Tiago Aguiar revela memórias, fé e personagens da Festa do Rosário do Serro.
Foto: Tiago Aguiar
Mostra de Tiago Aguiar revela memórias, fé e personagens da Festa do Rosário do Serro.
Foto: Tiago Aguiar
Repleta de cores vibrantes, histórias, danças e tradições seculares, a Festa do Rosário do Serro, ou “du Rusá”, inspira a nova exposição do fotógrafo mineiro Tiago Aguiar. “Rusá: Devoção e Celebração” ocupa a Sala Manoel da Costa Ataíde, no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, entre 29 de novembro de 2025 e 22 de fevereiro de 2026. A entrada é gratuita e inclui visita guiada na abertura, no dia 29/11, às 10h.
Natural do Serro, Tiago convive com o Rusá desde a infância. Após temporada em Nova York, ele retomou a relação com a festa em 2010, desta vez com a câmera como guia. “O Rusá é um ímã: de som, cor, forma e movimento. Eu fui atraído”, lembra o fotógrafo. A pesquisa se aprofundou ao longo de dez anos, período em que ele registrou dançantes, rainhas, viajantes, benzedeiros e comerciantes. Em 2019, Tiago passou a integrar o grupo dos catopês, um dos congados que moldam a celebração com suas fardas coloridas e ritmos marcantes.
A mostra chega a Ouro Preto após circular pelas ruas históricas do Serro, durante a procissão deste ano, e pela Uncool Gallery, em Nova York. A conexão entre as duas cidades se reforça pela trajetória das irmandades do Rosário. Como explica o historiador Ariel Lucas Silva, “em Ouro Preto, a Irmandade foi formalizada em 1715 e, no Serro, desde 1716 já se elegiam reis e rainhas do Rosário”. A difusão rápida da devoção revela redes de sociabilidade que uniam diferentes territórios das Minas.
Ariel também destaca o caráter simbólico das narrativas. Em Ouro Preto, Chico Rei representa a liberdade reconquistada pela fé. No Serro, o relato da aparição de Nossa Senhora do Rosário sobre as águas evoca proteção e recomeço. Para ambos, o sagrado se apresenta como força comunitária diante das adversidades impostas pela escravidão.
Com cerca de 30 fotografias, instalações táteis e audiovisuais, a mostra se organiza em quatro eixos: “Dançantes”, “Caravana”, “Quermesse” e “lá du rusá”. As imagens, feitas propositalmente com flash, iluminam a individualidade dos participantes da festa.
Em “Dançantes”, Tiago leva os protagonistas ao estúdio, criando retratos íntimos dos marujos, caboclos e catopês. Em “lá du rusá”, ele revisita os fotografados sem as vestimentas tradicionais, em suas casas. O contraste aponta para a vida cotidiana por trás das fardas brilhantes.
No eixo “Caravana”, o fotógrafo volta o olhar para o crescimento econômico que acompanha o Rusá. Comerciantes de várias partes do Brasil e do mundo ocupam a cidade durante a festa, ampliando o ambiente de trocas culturais. Já “Quermesse” recria o clima das antigas barracas de bambu e dos retratistas populares, com lonas, cartazes lambe-lambe e monóculos que convidam o visitante a entrar na cena.
O público também pode ouvir áudios com histórias de figuras centrais do Rusá, como Seu Bastiãozinho das Lages e Seu Ildeu Coqueiro. Narrativas divertidas, como a venda de um pendrive de forró, dividem espaço com depoimentos de comerciantes tradicionais.
Em paralelo, o Movimento Áurea prepara para 2026 o projeto “Da Beira do Caminho”, no qual Tiago mapeia 14 cruzes de almas na estrada entre Belo Horizonte e Serro. Ele limpa, pinta e cuida desses marcos, gesto que conecta a devoção à Nossa Senhora do Rosário ao cuidado com quem está sempre a caminho.
Exposição “Rusá: Devoção e Celebração”, de Tiago Aguiar
Onde. Sala Manoel da Costa Ataíde, Museu da Inconfidência (Praça Tiradentes, 139, Centro Histórico de Ouro Preto).
Quando. 29/11/2025 a 22/2/2026.
Visitação. 10h às 18h.
Quanto. Entrada gratuita.
Mais informações no Instagram @rusa.mostra.
Publicado por Floriano Comunicação
Publicado em 19/11/25