Literatura
COSAC retorna ao mercado editorial brasileiro. Mas diferente.
Charles Cosac - Foto: Avener Prado
Literatura
Charles Cosac - Foto: Avener Prado
Charles Cosac volta a editar livros sob a chancela COSAC, sem o Naify, com lançamento sobre o artista Siron Franco
Por Gabriel Pinheiro | Colunista de Literatura
Quem viveu o mercado editorial brasileiro entre o final dos anos 1990 e meados da década de 2010 lembra, acredito, com saudade da Cosac Naify. Do primeiro ou último livro publicado pela editora o primor editorial foi uma marca indelével da passagem da Cosac Naify pela cena literária nacional. Projetos arrojados, com materiais inusitados, impressões especiais, apostas ousadas de temas e autores… enfim, livros que eram verdadeiros objetos de arte.
O fim repentino causou comoção. Desde então, muitas editoras surgiram no mercado brasileiro apostando em projetos gráficos diferenciados e um olhar curatorial inusitado. Mas aquele buraco deixado pela editora nesse cenário segue ali. Pois bem, quão surpreendente não foi receber a notícia de que Charles Cosac voltaria para o mercado editorial? Isso mesmo, dos dois sócios iniciais, apenas a primeira metade da editora retornou, agora, sob o nome COSAC – de certa forma, o “apelido” pelo qual a editora anterior era frequentemente chamada por seus leitores, apenas Cosac.
Se a Cosac Naify estreou no mercado brasileiro com um volume “Barroco de Lírios”, de Tunga, é outro artista plástico fundamental da arte brasileira que marca o início da COSAC. A editora acaba de lançar “Siron Franco, na coleção Justo Werlang”, volume caprichado – como era de se esperar – sobre o artista goiano. Siron Franco é um dos pintores de maior destaque no Brasil desde meados dos anos 1970 até a atualidade.

“Siron Franco, na coleção Justo Werlang” cataloga a coleção privada do colecionador Justo Werlang. Por três décadas, ele reuniu 107 obras de Siron Franco, sendo a primeira de 1973 e a última de 2023, cobrindo integralmente toda a trajetória do artista. Com obras presentes em museus brasileiros e internacionais como o Museu de Arte de São Paulo, Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e o Metropolitan Museum of Arts, em Nova York, o presente volume é uma oportunidade valiosa de acesso à obra de um dos mais celebrados artistas do cenário brasileiro nas últimas décadas.
A impressão primorosa de “Siron Franco, na coleção Justo Werlang” salta aos olhos, permitindo ao leitor um mergulho profundo e visualmente prazeroso na obra múltipla de Siron Franco, obra esta que vai desde a pintura – Franco é um dos principais nomes contemporâneos da pintura brasileira – até experiências em materiais como a resina, cimento, terra e, surpreendentemente, enxadas.
Entretanto no melhor estilo dos antigos livros de arte da Cosac Naify, o novo livro da COSAC conta com uma série de textos que amplificam a experiência de observação e análise das obras de arte representadas. Um deles é de autoria do curador da 33ª Bienal Internacional de São Paulo, Gabriel Perez-Barreiro, que também entrevista o colecionador Justo Werlang. O atual diretor e curador do Museu de Arte Moderna de São Paulo, Cauê Alves, também colabora com a publicação. Há ainda um diálogo primoroso entre Siron e o curador espanhol Angel Calvo Ulloa.
Vida longa à COSAC, o mercado brasileiro agradece o retorno do olhar ousado de seu criador, Charles Cosac.
Encontre “Siron Franco, na coleção Justo Werlang” aqui
Gabriel Pinheiro é jornalista e produtor cultural. Escreve sobre literatura aqui no Culturadoria e também em seu Instagram: @tgpgabriel (https://www.instagram.com/tgpgabriel)
Publicado por Carol Braga
Publicado em 15/12/23