Música
Rita Lee para além das músicas: em livro, as ideias permanecerão
Foto da capa do livro Rita Lee - Outra Biografia, que será lançado dia 22 (Editora Globo)
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Foto da capa do livro Rita Lee - Outra Biografia, que será lançado dia 22 (Editora Globo)
A própria cantora e compositora Rita Lee, que nos deixou hoje, tratou de publicar seus pensamentos em obras que também ficam como legado
Patrícia Cassese | Editora Assistente
Pergunte a quem tem mais de 45 anos onde exatamente estava no dia em que recebeu a notícia da morte de Elvis Presley (ocorrida em 16 de agosto de 1977). Ou da partida de John Lennon (8 de dezembro de 1980), Michael Jackson (25 de junho de 2009), Amy Winehouse (23 de julho de 2011) e tantos outros.
É fato. A partida precoce de ídolos da música tem o poder de impactar de tal forma seus fãs que, não raro, o tal do “onde eu estava” acaba vindo à tona em rodas de conversa que versam sobre expoentes do calibre dos citados.
Não tem muita margem de erro. Provavelmente, o 9 de maio de 2023 será um destes dias na memória dos fãs de Rita Lee. Um dia em que o Brasil, atônito (mesmo que todos soubessem a gravidade da doença que ela dignamente enfrentava), chorou a perda de sua mais irreverente estrela.
Bem, não só o Brasil. Artistas e sites do mundo inteiro tratam de repercutir a partida da musa. O argentino Fito Paez, por exemplo, fez questão de deixar seu recado: “Rita, meu amor! Teu sorriso e tua música trouxeram alegria e liberdade a este mundo”. O compositor formulou uma bela frase para falar de Miss Lee: “Paulista nuclear, tropicalista e mutante medular. (…) Santa Rita de Sampa!”.
O perfil Pagina 12, também argentino, também postou sobre “uma das figuras femininas mais populares da música do Brasil”.
No Brasil, não há como acessar qualquer rede social que seja, nesta terça-feira, sem se deparar com homenagens emocionadas, como a feita pela atriz Mel Lisboa, que interpretou a diva no palco. “Me sinto privilegiada por ter existido na mesma época que você. Por ter tido a ousadia de subir no palco fingindo ser você. Por ter tido a honra de ter estado a seu lado nesses últimos dez anos”.
Eu, autora dessas mal traçadas linhas, me sinto privilegiada por, enquanto jornalista de cultura, ter tido a oportunidade de ter conversado com Rita Lee antes de ela optar por só responder a entrevistas por e-mail (foi a primeira artista nacional a adotar este comportamento, aliás).
Certa vez, a entrevista por telefone foi precedida de orientações sobre alguns assuntos a ser evitados. Rita Lee havia passado por um momento turbulento, e foi a própria irmã da cantora, Virgínia, a pessoa incumbida de conversar previamente com os repórteres.
No entanto, na entrevista, foi a própria Rita Lee a adentrar o assunto “proibido”, para surpresa da jornalista. E o papo durou quase uma hora. Pena que, à época, não havia recursos para gravar a conversa.
Para sorte do séquito de fãs, de uns tempos para cá, há muito de Rita Lee por aí, e não só no que tange à sua contribuição na música. Livros, registros da participação da artista no “Saia Justa”, entrevistas e outros exemplos estão aí, para fazerem ecoar as ideias e pensamentos desta musa que também se tornou uma mega ativista da causa animal.
Amiga de Rita Lee, Luisa Mell escreveu, em seu perfil: “Hoje é um dos dias mais tristes da minha vida, perdi um pedaço de mim. Minha maior inspiração. Minha incentivadora. Minha rainha. Minha fortaleza. (…) Se já estava difícil prosseguir, imagine sem você, meu amor. (…) Sempre que eu pensava em desistir, lembrava de você e recuperava as forças”.
Luisa também assinala: “Ter virado um personagem em seu livro infantil foi a maior honra da minha vida”.
Pelo teor de todas as homenagens postadas hoje, é possível afirmar: Santa Rita de Sampa estará para sempre presente!
Listamos, a seguir, alguns dos livros sobre a veneranda Rita. Ou escritos por ela.
Globo Livros. A primeira autobiografia de Rita Lee conta histórias pra lá de interessantes, como o fato de o pai ter ficado chateado com a letra de “Ovelha Negra”. Nele, ela fala também dos boatos que pipocaram na imprensa certa época, dizendo que ela estava com leucemia; da amizade com a “pimentinha” Elis Regina, sobre o período Mutantes e sobre passagens mais recentes.

Ácida, fala sobre alguns desafetos e não poupa um livro publicado sobre os Mutantes.
Globo Livros. A segunda autobiografia será lançada no próximo dia 22. A própria editora brifou: “Ao mesmo tempo que o mundo passava por uma pandemia, Rita Lee foi diagnosticada com câncer no pulmão. Em um texto franco, ora cru e chocante, ora cheio de ironias, ora sutil e amoroso, Rita Lee não poupa detalhes de seu tratamento. Fala também da rotina, dos avisos do Universo, de seres de luz e dos caminhos que a vida tomou”.
DBA. Livro que se debruça sobre 123 músicas escritas por Rita Lee, como “Ando Meio Desligado”, “Coisas da Vida”, “Bandido Corazón” e muito mais. Trata-se, na verdade, de uma publicação voltada apenas às letras, sem análises. Mas a edição é o destaque.
É como se fosse um livro de arte com várias fotos de Rita Lee ao longo de sua carreira, inseridas a partir de um belo projeto gráfico. Está fora de catálogo, mas pode ser achada em sebos.

Subtítulo “Uma história triste, mas com um final feliz” – Editora Globinho, 2019. Livro direcionado ao público infantil. Quem ama animais sabe da paixão que a cantora e compositora nutria por estes seres que ela chamava de nossos companheiros de jornada na Terra.

No livro, ela conta um episódio real, no qual atuou decisivamente. Estamos falando da transferência da ursa parda siberiana Marsha da Fundação Zoobotânica de Teresina para o Rancho dos Gnomos, em uma ação que também envolveu a ativista Luisa Mell. Marsha foi capturada na Sibéria e vendida a um circo, tendo sido depois acolhida pelo zoo.
O livro, fofo, traz a participação imaginária de Brigitte Bardot na empreitada.
Companhia das Letras. Aqui, a inteligência e o humor afiado de Rita Lee se unem ao traço potente de Laerte, em uma obra pra lá de saborosa, com suas mini-histórias.

Globo Livro. Lançado pensado para balizar os 70 anos de vida da artista. Em uma edição especial e luxuosa, a obra apresenta textos autobiográficos e devaneios da autora.

A obra também traz fotos raras e inéditas dos mais de 50 anos de carreira da artista; um dossiê sobre a perseguição a Rita na época da ditadura ? com documentos e letras de músicas proibidas; a paixão e o ativismo pelos bichos em textos e fotos; figurinos dos seus shows; depoimentos de personalidades e artistas; ensaio fotográfico exclusivo para a edição e paper doll de Rita Lee.
Dropz – Globo Livro. Livro dividido com Guilherme Samora, jornalista e estudioso do legado cultural de Rita Lee. São 61 contos, todos com ilustrações feitas por Rita.

“Múltiplo como um pacote de drops. Bem sortido. Para todos os gostos. Ora melado, ora azedinho, ora misterioso. Mas sempre delicioso. E quem te conhece, não se esquece: o dropz da Rita é com Z”, diz a descrição da editora.
Globinho. Outro livro de Rita Lee voltado ao público infantil. Neste volume, Rita Lee conta a saga de um cientista alemão defensor dos animais que se transforma em um ratinho para se livrar de um grupo de malvados que não respeitam bichos e nem o meio ambiente.

Outros volumes completam a coleção, caso de “Dr. Alex e Vovó Ritinha” e “Dr. Alex e o Phantom”, por exemplo.
Panda Books. O livro escrito por Henrique Bartsch e publicado em 2006 foi adaptado ao teatro, em uma montagem protagonizada por Mel Lisboa.

Também está fora de catálogo, podendo ser encontrado somente em sebos.
Publicado por Carol Braga
Publicado em 09/05/23