Cinco artistas da cena do grafite de BH que você precisa conhecer
"A Ancestral do Futuro" - Carolina Maria de Jesus/ Fotografia de Devir Produções/ Instagram: @criola___.PNG
"A Ancestral do Futuro" - Carolina Maria de Jesus/ Fotografia de Devir Produções/ Instagram: @criola___.PNG
Conheça alguns nomes da cena do grafite belo-horizontino que realizam trabalhos de destaque na capital mineira
Por Letícia Finamore | Culturadora
Belo Horizonte é uma cidade cool, você não acha? O centro da capital mineira recebeu uma nova roupagem nos últimos anos, desde as últimas realizações do Circuito Urbano de Arte, o CURA. O evento, que incentiva a disseminação de pinturas e intervenções artísticas por BH, vem apostando na construção de empenas. São grandes murais feitos nas fachadas de prédios, principalmente naqueles localizados no centro da cidade.
É impossível não passear pela Avenida Afonso Pena sem se deparar com enormes pinturas, ou então circular pela cidade como um todo e topar um grafite pra lá de interessante. Assim, esta arte urbana tem vencido, aos poucos, o estigma de vandalismo que carrega e ganhado espaço nos muros e superfícies das cidades. Enquanto os grafites são feitos, na maior parte das vezes, em espaços autorizados para sua realização e com o intuito de embelezar diversas superfícies, a pichação não carrega em sua essência qualquer espécie artística. Muitas vezes se trata de uma forma de imposição de grupos urbanos rivais.
Já que Belo Horizonte é uma cidade cada vez mais colorida e ilustrada, separamos alguns nomes do grafite que realizam trabalhos de destaque na capital mineira. Conheça alguns deles:
A pintora, grafiteira e muralista é formada em Artes Plásticas pela Escola Guignard. Clara Valente recebeu destaque por suas intervenções artísticas com enfoque principalmente em paisagens estilizadas. Com especialização em desenho, a mineira pesquisa e estuda, desde a década de 1990, diferentes formas de se expressar. O início nas artes visuais começou em estúdios e ateliês. As intervenções urbanas vieram alguns anos depois, em 2000. Clara também é artista convidada para realizar projetos e exposições em espaços privados.
Não é preciso rodar toda a cidade de Belo Horizonte para se deparar com bolinhos grafitados em muros, painéis e viadutos da capital mineira. Tratam-se dos trabalhos de Maria Raquel Bolinho, artista responsável pela criação da personagem “Bolinho”. Assim, os divertidos cupcakes embelezam, além da Grande BH, as cidades de Itabira e São Paulo. Os bolinhos são inseridos em contextos relevantes para o momento em que é grafitado, como, por exemplo, músicas ou frases que caíram no gosto do público. Dessa forma, o trabalho de Maria Raquel agrega camadas de cultura popular e arte visual em grafites brincalhões.
Pedro Valente, filho da artista visual Clara Valente, mune-se da alcunha Drones para espalhar sua arte por Belo Horizonte. O artista urbano funde a técnica do grafite à do estêncil. Dessa maneira, que permite que a temática de seus trabalhos, que envolve estéticas étnicas e urbanas, consiga dialogar com o suporte utilizado. Sendo assim, as obras de Drones habitam diversas superfícies, desde muros de ruas, passando por trens e viadutos e chegando a quadros, vestimentas e demais áreas que podem agregar personalidade a ambientes interiores.
Esse é o nome artístico de Tainá Lima, nascida em Belo Horizonte e graduada em Design de Moda pela UFMG. Um dos trabalhos mais expressivos na capital mineira é “Híbrida Astral – Guardiã Brasileira”, uma das empenas feitas durante o CURA. A obra de 1365 m², que pode ser vista da Avenida Antônio Carlos, localiza-se no centro da capital mineira, na fachada lateral do edifício Chiquito Lopes. O mural foi alvo de uma disputa judicial em 2020, uma vez que um dos moradores do prédio exigiu que a pintura fosse apagada.
“Híbrida Astral – Guardiã Brasileira” é um dos exemplares das temáticas de Criola, que coloca sua ancestralidade e as matrizes africanas em seu trabalho. A grafiteira é um dos grandes nomes da cena nacional, além de ser uma representante da resistência preta.
A obra mais famosa do artista é, talvez, “O Galo e a Raposa”, uma grande empena localizada no hipercentro da capital mineira. Antes de se aventurar pela arte do grafite, Mazza, que é formado em Design Gráfico pela UEMG, trabalhava como publicitário. A temática das obras envolve, sobretudo, a admiração do artista pela natureza. O grafiteiro conta com um vasto portfólio espalhado pelo mundo. Sendo assim, as pinturas podem ser encontradas pela Suécia, Croácia, Rússia, Espanha, Inglaterra, México e, é claro, Belo Horizonte. Além de realizar grandes grafites, Thiago Mazza também dá novas fachadas a espaços urbanos abandonados, revitalizando-os.

Publicado por Letícia Finamore | Culturadora
Publicado em 10/12/21