Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

30 anos sem Gonzaguinha: um legado que resiste

Conheça os principais pontos da vida e trajetória de Gonzaguinha, nome fundamental na música brasileira que reverbera mesmo 30 anos após a sua morte.

Em 29 de abril de 1991, morria Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha. Filho de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, e da cantora, compositora e dançarina Odaléia Guedes dos Santos, 30 anos após a sua morte, ainda é lembrado como um artista singular, de resistência e legado inegável para a música brasileira. Além disso, mesmo sendo filho adotivo de um dos maiores nomes que a música já teve, trilhou o próprio caminho na MPB, resistiu à ditadura militar e é dono de grandes canções que vivem no nosso imaginário. Entre elas: O que é o que é?, Eu apenas queria que você soubesse, Lindo lago do amor e Sangrando.

Então, para celebrar essa história e a memória de Gonzaguinha, destacamos os principais pontos da carreira do artista. Elas vão da vida pessoal à trajetória na música. Confira!

Origens, relação com o pai e início na música

Nasceu em 22 de setembro de 1945 no Rio de Janeiro e perdeu a mãe aos dois anos. Com o novo casamento de Gonzagão e rejeitado pela nova esposa, foi criado pelos padrinhos Henrique Xavier Pinheiro, com quem aprende a tocar violão, e Leopoldina de Castro Xavier. Passou a infância no Morro de São Carlos, no Rio, e na adolescência volta a morar com o pai para estudar. Entretanto, a relação com o pai volta a ser conturbada devido à difícil relação com a madrasta. Assim, aceita continuar os estudos em colégio interno. Em seguida, formou-se em ciências econômicas, mas nunca atuou na área. 

Gonzaguinha
Gonzaguinha. Foto: Rudi Bodanese

Pouco antes disso, aos 14 anos, compôs a primeira canção, Lembranças de primavera. Em 1968, começou de fato a carreira na música. Naquele ano, participou do Festival Universitário de Música Popular, da TV Tupi, e foi finalista com a música Pobreza por pobreza. Em 1969, participou novamente e venceu o festival com a canção O trem

Movimento Artístico Universitário (MAU)

Em 1965, passou a frequentar a casa do psiquiatra Aluízio Porto Carrero, pai de Ângela, que viria a ser sua companheira. Nessa convivência, conheceu e se tornou amigo de Ivan Lins, Aldir Blanc, César Costa Filho, Paulo Emílio e Márcio Proença, com os quais desenvolveu o Movimento Artístico Universitário, o MAU. O movimento teve papel importante na música nos anos 1970 pois reuniu cada vez mais compositores que mostravam e desenvolviam suas músicas no local com violões, saraus e muita cantoria. O movimento, inclusive, rendeu o programa Som Livre Exportação na TV Globo, apresentado por Elis Regina e Ivan Lins. Nele participavam grandes nomes da MPB, além de ter revelado uma nova geração de artistas. 

Primeiro disco e relação com a ditadura militar

Apesar da presença frequente em festivais de música e no programa Som Livre Exportação, Gonzaguinha só foi lançar o primeiro disco em 1973. O álbum tem letras sempre ácidas, diretas, com sentimento de agonia e amargura. O sentimento geral do disco tinha relação com o descontentamento com a ditadura militar e possivelmente com a relação confusa que tinha com o pai. 

Vale destacar, que pouco antes do lançamento do primeiro disco Luiz Gonzaga Jr, Gonzaguinha chegou a gravar algumas canções, como Comportamento geral, por exemplo. Mas como ele era constantemente alvo do DOPS, o Departamento de Ordem Política e Social, foi fortemente censurado. Só para exemplificar, das 72 músicas que ele apresentou ao órgão na época, 54 sofreram censura. Desde então, passou a compor letras mais “suaves” na tentativa de despistar a fiscalização, sempre mantendo a postura de combate e o teor social e político. Por outro lado, sem deixar de lado o apelo romântico, o que o ajudou a se popularizar em diferentes camadas da sociedade. Em seguida, mais de uma dezena de discos vieram na sequência. 

Gonzaguinha
Gonzaguinha e Luiz Gonzaga em show no Canecão em maio de 1987. Foto: Cristina

Parcerias

Samba, rock, valsa, ritmos nordestinos e boleros foram alguns dos gêneros pelos quais Gonzaguinha passou ao longo da carreira. Na década de 1980, após a abertura política e a expansão da temática das suas canções, passou a ser um compositor requisitado no cenário musical. Suas músicas chegaram em vozes como a de Elis Regina com Eu apenas queria que você soubesse, Simone, com Começaria tudo outra vez, e Maria Bethânia, por exemplo, a artista que mais gravou Gonzaguinha segundo dados do Ecad.

Mas como ficou a relação com Gonzagão nessa história toda? As divergências pessoais, familiares e políticas de pai e filho duraram muitos anos. Foi só no fim dos anos 1970 que os dois se reconciliaram publicamente em apresentação juntos no show Vida de viajante. Eles fizeram turnê pelo Brasil e, em 1981, lançaram o disco A viagem de Gonzagão e Gonzaguinha. O disco completo e toda a obra de Gonzaguinha estão disponíveis no Spotify. A história completa da relação dos dois está no livro Gonzaguinha e Gonzagão, de Regina Echeverria.

Gonzaguinha morreu em 29 de abril de 1991 em um acidente de carro na cidade de Renascença, no Paraná. 

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