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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

14 Bis 40 anos: por que a banda está e vai ficar na história da música?

Grupo belo-horizontino tem público de diferentes gerações e acaba de ganhar um songbook

Por Jaiane Souza *

26/11/2019 às 10:24 | * Escreveu com a supervisão de Carolina Braga

Publicidade - Portal UAI
Foto: Cristiano Quintino/ Divulgação

A banda 14 Bis surgiu no final de 1979 tendo como base referências muito ricas na história da música. Foi apadrinhada por Milton Nascimento e contou com influência do Clube da Esquina pelo motivo de todos os integrantes serem também mineiros. A única exceção é Sérgio Magrão, baixista originário do Rio de Janeiro. O fato é que a banda acaba de ter o trabalho registrado em songbook. A produção ficou por conta de Barral Lima, que é compositor, produtor musical e também músico. 

Um songbook é um livro no qual é possível encontrar letras de músicas acompanhadas das cifras e de melodias escritas em partitura. “O grande barato de um livro de música é que ele é feito com muita responsabilidade, porque temos que conseguir transcrever a música na forma mais original possível”, explica Barral Lima.

O registro em partitura tem a função de fazer com que a música seja executada com a maior verossimilhança em relação à original. Dessa forma, daqui a 100 anos, por exemplo, ela provavelmente vai ser a mesma. Pensando na permanência da música do 14 Bis além do songbook, e contando com o auxílio de Barral Lima, nós separamos alguns motivos pelos quais o grupo é tão importante para a música de Minas e de fora. 

A ideia do songbook

Em 2019, 14 Bis completa 40 anos de estrada. E como presente para a música e para os fãs, chega o sétimo lançamento da série especial de livros musicais da Neutra Editora. A ideia é dedicar publicações a obra de grandes artistas mineiros. O songbook do 14 Bis já está disponível no site da editora e custa R$ 90. Em ordem, a Neutra já publicou Lô Borges (2014), Flávio Venturini (2015), Milton Nascimento (2016), Pato Fu (2017) e Jota Quest (2019). “A ideia do songbook surgiu como uma forma de deixar a música desses artistas para as futuras gerações. Além disso, fazer com que as pessoas toquem as canções exatamente da forma como foram escritas”, coloca Barral Lima.

A autenticidade das transcrições fica cada vez mais garantidas, pelo menos no caso da Neutra Editora, pois os artistas revisam os songbooks e, muitas vezes, acompanham o processo de produção. E não foi diferente no caso do 14 Bis. Quem ficou responsável pelo texto de apresentação do livro foi o compositor do Clube da Esquina Márcio Borges. Ele fez uma linha do tempo relatando a sua história com 14 Bis e no fim, deixou boas esperanças e expectativas para os fãs.

Escreveu “Este é o meu trabalho com o 14 Bis que eu tenho para mostrar. Mas eu sinto que ainda não é tudo. Em suma, continuamos amigos e na ativa até hoje. Então, temos canções novas engatilhadas. Enquanto isso, vou cultivando meu grande orgulho de ter escrito para eles cantaram frases e versos que continuo assinando com força e fé”.

 

14 bis

Foto: Sylvio Coutinho / Divulgação

Sofisticação nos acordes

Mas por que o 14 Bis é uma banda que vai ficar na história? Em primeiro lugar, destacamos a complexidade de composição musical do grupo mineiro. De acordo com Barral Lima, só para exemplificar o que estamos tratando, a transcrição das canções para o livro demorou cerca de 10 meses. O caso mais extremo de complexidade registrada é a música Espelho das águas, que tem 52 acordes. Assim como essa, outras composições são extremamente complexas e “nenhuma banda psicodélica, de rock ou de outro estilo da mesma época fazia isso. Os acordes do rock, por exemplo, eram simples… três ou quatro”, esclarece Lima.

Poucos casos do Brasil são ressalva na afirmação. São elas O Terço, grupo anterior de Sérgio Magrão, e A Cor do Som, formado por músicos que acompanhavam Moraes Moreira nos Novos Baianos. Ainda de acordo com Barral, o maior diferencial de 14 Bis, causado por essa complexidade, é o estilo, que está entre o rock e a MPB. “É exatamente esse lugar, o que está no meio. Não é nem um e nem o outro”. 

Vocal e estilo

Outra característica que é destaque do 14 Bis é o conjunto de vozes dos integrantes. “Todo mundo da banda canta: primeira, segunda, terceira, quarta voz. Quando eles cantam juntos a música ganha dinâmicas diferentes, fica preenchida e isso é muito importante”, destaca Barral. Além disso, outro destaque vai para a fidelidade ao som de origem. 

“Desde o começo eles fazem a música que querem fazer de fato, e as pessoas gostam. Hoje em dia isso é mais difícil”, afirma. Isso porque, atualmente, os grupos se sentem na obrigação de mudar ou adequar o estilo para manter o público. Por outro lado, 14 Bis tem admiradores e fãs de diferentes gerações. “A gente percebe isso porque o último disco de inéditas foi lançado há muitos anos, mas eles continuam aí fazendo shows lotados”, comenta Barral Lima. 

Caminho

Atrelada ao estilo está a trajetória que a banda traçou e permanece até hoje. A complexidade faz com que 14 Bis percorra o caminho inverso de outros artistas, que em geral fazem música para a TV, para o rádio e para a internet. Isso não quer dizer que ela não seja popular, pelo contrário. “Os músicos conseguiam falar com as pessoas mesmo com o tipo de produção que mantinha. Eles não faziam música fácil para todo mundo cantar junto, a música era difícil e mesmo assim todo mundo cantava junto”, destaca Barral. Ou seja, a riqueza musical e a atuação em bares, casas de shows e na noite no geral fez o grupo popular. 

As letras

Nem precisa dizer que este é outro show à parte, não é? Os versos são recheados de poesia, histórias atemporais, como infância e juventude, falam de amor, de cachoeira e de ir para o mato. E falar disso é contar a história de Minas e fazer com que ela fique no imaginário assim como a da banda. “14 Bis canta tudo isso de uma forma muito poética, por esse motivo ficou projetada no Brasil, porque falou da nossa terra do jeito que nenhuma banda nunca fez aqui”, conta Barral. 

 

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