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Zezé Motta faz Tiradentes sambar dentro da Matriz de Santo Antônio

Por Thiago Fonseca *

07/05/2018 às 16:36 | *Colaborador

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Foto: Thyago Andrade

O que diferencia o Tiradentes em Cena de outros festivais de teatro é a possibilidade de ocupar espaços de fato pouco convencionais para as apresentações. Prova disso, foi o show ‘Divina Saudade’, de Zezé Motta, realizado dentro da igreja de Santo Antônio. Quem esteve lá teve a oportunidade única de ouvir a homenagem a Elizeth Cardoso e ainda cair no samba.

Sim, depois de pouco mais de uma hora de show o público se jogou no altar para sambar. E com intensidade, dentro da Matriz. Com um detalhe curioso, no passado os negros eram proibidos de pisar lá dentro. No Tiradentes em Cena, eles dominaram o discurso e a presença em cena. Inclusive dentro da igreja, momento que até agora foi o ápice do Festival.

Zezé Motta é a homenageada desta edição da Mostra. Apresentou o show ‘Divina Saudade’, um trabalho de 2003 que presta tributo a Elizeth Cardoso. Canções de Vinicius de Moraes e de Ary Barroso também estiveram no set list. Foi o primeiro show dela na cidade.

Zezé Motta e o público na Igreja da Matriz de Santo Antônio. Foto: Thyago Andrade/Divulgação

 

A felicidade em participar no evento era visível. Zezé estava acompanhada apenas de um tecladista. Vale ressaltar que embora o som do teclado estivesse bom, o mesmo não se pode dizer para o microfone da cantora. Parecia mais baixo do que o ideal. A questão técnica não parou Zezé. Ela aproveitou o espaço e andou pelos corredores da igreja, dessa forma interagiu com o público e até com os cães que insistiram em permanecer por lá.

O show que iniciou de maneira mais contida, cresceu. E muito. Por isso as pessoas se jogaram no altar, tamanha foi a entrega durante o espetáculo. Com ‘Senhora Liberdade’ Zezé Motta encerrou o show e foi ovacionada.

“É emocionante receber essa homenagem. A vida do artista parece ser sucesso e glamour, mas tem um lado difícil. Fazer arte no Brasil é difícil, manter uma carreira por 50 anos é muito difícil. Quando acontecem homenagens é um estímulo para que você vá em frente”, disse.

 

Roda de conversa com Zezé Motta e Aruana Zamby – Foto: Thygo Andrade / Divulgação

Diálogos e Liberdade

Pela manhã Zezé esteve presente em uma roda de conversa. O objetivo era discutir a representação da mulher negra nas artes cênicas. Ela dividiu a mesa com a atriz mineira Aruana Zamby, atriz do espetáculo ‘O Negro Conta’. Elas falaram sobre o racismo estrutural no Brasil e as dificuldades enfrentadas pelas mulheres. Dessa forma, a história de vida das artistas fundamentaram a conversa. A questão dos processos de embranquecimento também foi trazida à tona. O assassinato de Marielle Franco foi trazido para as discussões, fazendo com que as pessoas presentes levantassem o grito: Marielle presente!

 

O Negro Conta

A discussão sobre racismo, o lugar de fala do negro e a liberdade não ficaram apenas na roda de conversa e no show de Zezé. O espetáculo ‘O Negro Conta’ trouxe um discurso necessário inspirado nas memórias dos artistas negros mineiros: Aruana Zamby e Evandro Passos.  Uma narrativa que mescla humor, memória e reflexão. Dividida em blocos, as cenas resgatam figuras negras que marcaram a história, como a própria Zezé Motta, Betina, Virgínia Bicudo, Pixinguinha.

Os atores dialogam todo momento com o cenário, cheio de espelhos. O significado deles, no entanto, não fica tão claro. Certamente há metáforas por trás da escolha feita pela direção e representada pelo cenário. O que reforça o texto é a colocação da vivência dos atores que mostram o quanto a sociedade é racista.

‘O Negro Conta’ – Foto: Thygo Andrade / Divulgação

Experimentações

O terceiro dia do Tiradentes em Cena ainda contou com programação para a criançada. No Largo das Mercês teve ‘Chapeuzinho Vermelho’, da Cia O Trem Faz. Nesta versão do clássico os atores da trupe apresentam o ponto de vista de cada um dos personagens.

No Sobrado Cultural Aimorés a atriz Carolina Correa apresentou o solo Trombo. Balões ao chão, chapas de radiografias na parede e luz, muita iluminação. Ela interpretou a história da mulher que sente a dor, que sente os golpes, que procura um alívio para sua existência. Recorre a médicos, clínicas e hospitais, faz exames, testes e ressonâncias. Não encontra nada, apenas um falso diagnóstico que vai mudar a maneira de ver a vida e as suas relações. Um espetáculo que causa estranhamento.

 

Veja o vídeo do momento final do show de Zezé Motta na Matriz de Santo Antônio em Tiradentes!

[youtube modulo=”2″]q6VqHKll624[/youtube]

 

A equipe Culturadoria viaja a convite do Tiradentes em cena

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