Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Autoridades e comunidade artística lamentam morte de Zé Celso

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Ator e dramaturgo Zé Celso Martinez Corrêa faleceu na manhã desta quinta, em SP, onde estava internado, após o incêndio que atingiu seu apartamento

Agência Brasil + Redação Culturadoria

Após a notícia da morte do ator e dramaturgo José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, de 87 anos, na manhã desta quinta-feira (6), o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, publicou uma mensagem em suas redes sociais lamentando a perda. Na postagem, Lula primeiramente lembra que o Brasil se despede de um dos maiores nomes da história do teatro brasileiro. Assim, de um dos seus mais criativos artistas. E prosseguiu dizendo que Zé Celso foi, por toda a sua vida, um artista que buscou a inovação e a renovação do teatro.

Em cena, na peça "Roda Viva", na Cidade das Artes, Rio, em 2019 (Akemi Nitahara/Agência Brasil)
Em cena, na peça "Roda Viva", na Cidade das Artes, Rio, em 2019 (Akemi Nitahara/Agência Brasil)

“Corajoso, sempre defendeu a democracia e a criatividade, muitas vezes enfrentando a censura. Transformou o Teatro Oficina em São Paulo em um espaço vivo de formação de novos artistas. Deixa um imenso legado na dramaturgia brasileira e na cultura nacional. Meus sentimentos aos seus familiares, alunos e admiradores. A trajetória de José Celso Martinez Corrêa marcou a história das artes no Brasil e não será esquecida”, afirmou.

“Zé Celso, presente!”

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse que Zé Celso escreveu uma rica história pessoal e para o Brasil e que irreverente, provocativo e dono de uma enorme capacidade inventiva, tornou o Teatro Oficina um patrimônio da cultura brasileira e um celeiro de talentos para nossos palcos. “Que seu legado continue a inspirar as próximas gerações de homens e mulheres que se dedicam às artes cênicas em nosso país”, expressou Alckmin.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também deixou uma mensagem de conforto para a família e amigos, dizendo que com a morte de Zé Celso morre também uma parte do sentimento de ousadia e coragem do teatro brasileiro. O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Celso Pimenta, demonstrou tristeza ao receber a notícia e elogiou a genialidade de Zé Celso. “Quero externar toda a minha solidariedade aos familiares, amigos e a legião de fãs e admiradores de seu trabalho, que assim como eu, se enlutam com sua despedida. Zé Celso presente!”, escreveu.

“Criativo, irreverente e com postura crítica”

Alexandre Padilha, ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais ressaltou que hoje o Brasil lamenta profundamente a perda de um dos seus mais brilhantes talentos e disse que o legado de Zé Celso está eternizado no Teatro Oficina, e que o ator foi um verdadeiro tesouro cultural de São Paulo, deixando sua marca nas gerações por meio de suas peças revolucionárias. “Neste momento de pesar, gostaria de expressar meus mais sinceros sentimentos aos familiares e amigos de Zé Celso. Sua partida deixa uma lacuna irreparável no cenário artístico brasileiro”.

A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, afirmou que hoje é um dia triste para a cultura brasileira que perde um grande artista que revolucionou o teatro brasileiro. “Sempre criativo, irreverente e com postura crítica, inspirou palco e plateia por onde se apresentasse. Viva Zé Celso! Viva o @oficinauzynauzona !”, escreveu em uma rede social.

“O próprio chão e céu”

A apresentadora de televisão Ana Maria Braga, escreveu que “os deuses do teatro estão em festa para te receber, Zé Celso, o ícone, o gênio, o artista”. “Meus sentimentos a todos que amam esse grande mestre”. O cantor e ex-ministro da Cultura Gilberto Gil enfatizou que Zé Celso marcou a história do Brasil e seu legado será eterno. A cantora Marina Lima, disse, em uma publicação: “Viva o Zé Celso! E que todo o seu legado se espalhe por esse país afora”. O ator Renato Góes, disse que a obra de Zé Celso é pulsante e que a arte perde profundidade com a sua ida.

Michel Melamed, também ator, afirmou que o dramaturgo Zé Celso e o Teatro Oficina são mais que pilares da cultura brasileira. “O próprio chão e céu, a certeza do país possível, em sua criatividade, singularidade, força, exuberância e excelência. Dos maiores criadores do mundo. Dos grandes brasileiros da história”.

O fotógrafo Bob Wolfenson postou uma das várias fotos que fez de Zé Celso, com a seguinte legenda: “Ao longo de toda minha vida, fui parcialmente assíduo do Oficina, quer como fotógrafo, quer como espectador. Zé Celso foi o mais íntegro, criativo e revolucionário encenador do Brasil, além de um ser humano docíssimo. Que morte trágica. Mas há muitos herdeiros no seu @oficinauzynauzona que não deixarão apagar esta incandescência revolucionária e dionisíaca que Zé inventou. Agradeço ter podido retratá-lo inúmeras vezes ( minha primeira foto publicada é um retrato dele à época de sua montagem de “Galileu Galilei”) e, assim, ter tido a possibilidade de assistir às suas geniais invenções teatrais. Evoé. Esta imagem, fiz a pedido dele para o cartaz e divulgação da peça ‘Ela’, de Jean Genet”.

“Em parte, esse Dionísio”

Do mesmo modo, o autor e diretor de teatro Gerald Thomas disse estar aos prantos. “Estou aos urros, estou com raiva. Você é eterno Zé!”. E prosseguiu: “O Zé Celso é o maior do mundo. Não somente do Brasil, mas do mundo. E não importa a peça. Não importa nada disso. Importa a ideia e importa o espetáculo que é a sua vida. E a sua vida é vivida com base no Deus do teatro”.

Sim, Dionísio e o ritual que isso tudo significa. Ou vamos dizer, os rituais. O Zé é, em parte, esse Dionísio. Sim, olha só pra ele! Olha como ele se transforma. Efêmero e concreto, etéreo, o extasiante “Eleutério”, aquele zoneador duplamente nascido e aquele que “baixa” assim como quem voa! E quem está ao seu lado recebe as incríveis vibrações, as ondas, um entendimento toda a cultura”, escreveu.

Kleber Mendonça Filho, cineasta, enfatizou que apesar de não ser de teatro, todos os seus filmes foram impactados de alguma forma por Zé Celso. “Com a energia de atrizes e atores, da arte e pitacos amigos de roteiro, um senso de direção e visão sobre o Brasil. Esse é o significado de um real impacto na Cultura. Obrigado Zé Celso”.

O músico, compositor e ensaísta brasileiro José Miguel Wisnik foi outro a dar um depoimento emocionado em seu Instagram: “Zé Celso chamou pra si e pra tudo as potências da Vida. Um Messias que se bebe. A pessoa mais livre e transparente que existiu, existe e reexistirá. Seu Não ao ser vil é um tremendo Sim. Não há morte que o morra”.

“Mil grandezas”

A  historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz, por sua vez, escreveu: “Zé Celso inventou, provocou, foi perseguido, preso e torturado pela ditadura militar, foi para o exílio, voltou e continuou sendo essa pessoa fundamental para a cultura do Brasil. Essa figura antropofágica, carnavalesca e que desafiava e desafia qualquer estrutura. O Brasil hoje chora com a perda desse grande intérprete que tocou o despertador nacional”.

Em seu perfil no Instagram, a atriz Alice Ruiz postou uma foto na qual Zé Celso olha fixamente para ela, no palco. “TBT necessário, doído e grato. Hoje, @zecelso.ator esse gênio do pensamento artístico, parou de atuar nesse nosso cenário passageiro. Nessa foto, ele está prestando atenção no que eu estava dizendo. Parece pouco, mas não é. São poucos os homens que realmente ouvem uma mulher. O Zé viu e ouviu. E essa é apenas uma entre suas mais de mil grandezas”.

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