Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Antonio Villeroy lança “Banquete” na Casa Outono

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O cantor e compositor Antonio Villeroy, atualmente radicado em Portugal, se apresenta na capital mineira neste sábado, dia 15

Patrícia Cassese | Editora Assistente

Neste sábado, dia 15, o palco da Casa Outono abriga um “banquete” musical. Trata-se da apresentação do repertório do novo álbum do cantor e compositor Antonio Villeroy, intitulado “Banquete”, que, por seu turno, vem a ser o terceiro disco de uma trilogia cujo o tema é o amor. A tríade foi iniciada com “Gravidade do Amor” (2016). Depois, veio “Luz Acesa” (2020). “O título ‘Banquete’ é uma alusão à obra de Platão, na qual vários filósofos se reúnem. Banqueteiam, bebem, comem e, depois, vão apresentar suas visões sobre o amor”, conta o artista, em entrevista ao Culturadoria.

Antonio Villeroy, que está lançando "Banquete" (Daryan Dorneles/Divulgação)
Antonio Villeroy, que está lançando "Banquete" (Daryan Dorneles/Divulgação)

Villeroy ressalta que as visões sobre amor contidas no livro não orientaram o disco. “É apenas a ideia de diálogos. De pessoas dialogando, apresentando suas ideias de amor. Assim, fui reunindo canções em diversos idiomas para ter um apanhado o mais amplo possível de visões do amor. Porque a própria linguagem determina muito o que se sente, e até mesmo que se pensa, sobre o amor. Afinal, cada cultura tem uma maneira de amar, né? Mas há temas que são comuns, como o ciúme, o desejo de estar junto e tal”.

No entanto, ainda como frisa o gaúcho, o disco não é só sobre o amor carnal, aquele que se comumente se acende entre duas pessoas que vão ter um relacionamento. Inclui, por exemplo, também a amizade. “Tal qual, o amor por uma cidade, pela civilização, pela ciência…”, prossegue Villeroy.

Parcerias e duetos

Neste que é seu 14º disco de carreura, Villeroy apresenta 13 canções, a maioria, cantada em duo com artistas de diversas nacionalidades. Entre os brasileiros, estão Francis Hime, Gelson Oliveira e Colombo Cruz. Também integram o time, falando de amor, a portuguesa Joana Amendoeira, as italianas Mafalda Minnozzi e Chiara Civello, a francesa Marie Minet, o espanhol Pedro Guerra e a venezuelana Georgina.

“A questão de convidar outros artistas para dividir o microfone comigo, para fazer esses duetos, de uma certa forma reporta-se ao que falei, antes, sobre Platão, de criar diálogos. Diálogos sobre o amor. Assim, chamei pessoas de diferentes países, de diferentes idiomas”. Algumas canções foram escritas em duos. “Com Pedro Guerra, com Joana, com a Mafalda, a Chiara Civello… Por terem sido feitas em parceria, já na feitura da composição há duas visões sobre o amor. E o disco mostra isso (as várias visões) também com os timbres das vozes, com as vozes se entrelaçando, com as vozes se intercalando para falar sobre o tema. Acho que (esse recurso) confere bastante autenticidade para essa ideia de diálogos sobre o amor. Por isso, os duetos”, elucida Villeroy.

Mosaico

Solicitado a destacar algumas faixas do disco, Villeroy diz ser uma tarefa hercúlea, posto que, atenta, cada canção complementa a outra e dá equilíbrio ao conjunto. “Assim, todas têm o mesmo peso, foram importantes para compor esse mosaico, digamos assim, que é o disco ‘Banquete'”. Mesmo assim, ele escolhe falar, de pronto, pela canção que inicia os trabalhos, “A Tal Fotografia”. “Ela foi realizada a partir de uma ação que fiz com meus seguidores, com as pessoas que interagem comigo nas plataformas. Solicitei que me enviassem fotos que porventura tivessem tirado comigo depois dos shows. A partir daí, compus, falando da importância que isso (o carinho do público) tem para o artista. E, para além disso, para mim como pessoa”.

A capa do disco, que é lançado pela PIC Music, gravadora do próprio Antonio Villeroy

“As Coisas do Mundo”, por seu turno, parceria com Joana Amendoeira (“grande cantora portuguesa”) tem, em sua primeira parte, uma inspiração em uma fala de (do filósofo francês) Giles Deleuze (1925 – 1995), que fala do humanismo. Que, na visão dele, seria esse olhar que se estende para o horizonte e que, a partir dele, chega ao observador de uma maneira empática. Assim, enxergando o outro, vendo o outro. Não o tendo como um adversário, mas como parte também de si. Uma visão bastante humanista, realmente. E é sobre isso que trata a música”, explica Villeroy.

Parceria com Hime

Já a segunda parte tem sua inspiração, como comenta Villeroy, em escritos de Umberto Eco (1932 – 2016), sobre a linguagem. “Logo, discute o que é mais importante: a coisa ou a representação da coisa. Em outras palavras, como o próprio Eco colocou, A Rosa ou O Nome da Rosa? Então, o que é mais importante, a visão que se tem do amor ou o amor em si? É disso que se trata”.

Por último, mas não menos importante, Villeroy destacaria “O Choro Chorado”, parceria com Francis Hime. Trata-se de um chorinho cuja letra versa sobre amores dos carnavais cariocas. “O Francis Hime foi um compositor, arranjador e artista muito importante na minha formação como músico. Ele é parceiro do Chico Buarque na maioria das músicas de uma fase brilhante, que vai de 1975 aos primeiros anos da década de 1980. De ‘De Meus Caros Amigos’ até as canções do ‘Almanaque’. E há pessoas que não sabem disso. Aliás, há muitas músicas famosas que têm o Hime como compositor, e que as pessoas não sabem”.

Villeroy lembra que, como compositor, sempre foi atento às fichas técnicas, às informações de bastidores. “Assim, sempre soube que o Francis estava por trás de tantas preciosidades. Agora, eu, como compositor, ter um parceiro deste calibre, é uma grande honra e alegria. Eu enviei a letra e ele fez a melodia. É a primeira de uma série de canções que ainda vamos fazer juntos”, comemora.

Em Lisboa

Cumpre lembrar que, atualmente, Antonio Villeroy está morando em Lisboa. “Na verdade, eu já vou para Europa em turnê desde 1994. Mas nunca havia morado. Aliás, algumas pessoas pensam que eu morei uma época na França, porque, de 1996 a 2006, eu produzi um festival de música brasileira em Sanary-sur-Mer, que é uma cidade à beira mar. Acabava passando grandes temporadas lá, às vezes, ficava até seis meses na Europa. Mas, na verdade, eu sempre morei no Brasil”.

Antonio Villeroy conta que, nas turnês mais recentes (para a Europa), começou a frequentar Portugal. “E, assim, me deslumbrei com a efervescência que está acontecendo naquele país. Lisboa, em especial. Com a dinâmica, com o quanto ela se tornou uma cidade visitada, cosmopolita – e, culturalmente, fervilhante”.

E então, no ano passado, em turnê, muitos locais atiçaram Villeroy (no sentido de ele se mudar de mala e cuia para lá). “Diziam que eu tinha que morar em Portugal e tal. Enfim, acabei aceitando o convite. Fui com a minha família e está sendo muito bom. Primeiramente, porque estou mais perto do mercado no qual mais atuo, que é o europeu. Antes, quando ia em turnê, ficava um mês e meio longe do Brasil. E, com família, crianças… Eu ficava com o coração apertado. Agora, é só pegar um avião e ir para a Holanda, França, Áustria, Espanha… Muito mais rápido, né? E toda a família, todo mundo, se adaptou bem. Felizmente, estamos indo muito bem”.

Outras faixas

Além das citadas, o disco “Banquete”, de Villeroy, traz faixas como “Quien como Yo”, um reggaeton com harmonia de bossa nova, composto em parceria com a dupla de produtores colombianos Mango e Nabalez e que traz a participação da cantora venezuelana Georgina. O samba “Consultório Sentimental” é executado em forma de diálogo entre Antonio Villeroy e Colombo Cruz para tratar de questões amorosas.

“Mañana” é uma parceria de Villeroy com Ana Carolina, Aleh e o saudoso Bebeto Alves, que mistura gêneros latinos e brasileiros e teve piano e tambores gravados por músicos da banda de David Byrne. E ainda conta com um especial de castanhola tocado por Paula Finn, bem como com Bebeto Alves nos vocais, ao lado de Villeroy.

“Serena Serenata” é apresentada como uma canção pungente, com a melodia composta em parceria com o hitmaker americano Jeff Franzel. Já a letra foi composta por Villeroy junto a Mafalda Minozzi, que canta em duo com o artista. “Del Amor” é uma morna, composta em parceria com Pedro Guerra, artista espanhol nascido nas Ilhas Canárias, e que atua em duo na faixa.

Além de “Canção da Magnólia”, um jazz manouche com pinceladas de bolero; “Por Amsterdam” é um tema inspirado na cidade mencionada no título. O samba exaltação “Mais uma vez” fala de encontros e desencontros amorosos. É uma parceria com Jerônimo Jardim e Gelson Oliveira, que divide os vocais com Villeroy. “Between Now And Goodbye” é uma balada jazz em parceria com a artista italiana Chiara Civello, que canta em duo na faixa.

PIC Music

Finalmente, “Certain Jour” se configura como uma balada em francês. É cantada em duo com a francesa Marie Minet, que, aliás, também vive em Lisboa. Ao todo, 62 músicos residentes em diversas cidades do mundo participaram de “Banquete”. Ao longo das faixas, eles se dividem nos mais variados instrumentos, como bateria, percussão, baixo, piano e teclados. Ou, ainda, violas, violões, violinos, violoncelos, vocais e guitarras. Tal qual, flauta, saxofone, trombone, trompete, clarone e clarinete.

As canções de “Banquete” foram gravadas em diversas cidades do Brasil e também em Nova Iorque, Málaga, Roma e Lisboa. O disco é uma produção independente realizada pelo selo PIC Music, que pertence a Antonio Villeroy, com distribuição digital de Nikita Music Digital.

Turnê

A turnê do novo disco de Villeroy teve início no dia 2 de junho, no Auditório Carlos Paredes, em Lisboa. Depois, o show seguiu, depois para outras cidades portuguesas, chegou ao Brasil no dia 7 de julho, com a estreia nacional no Teatro do Bourbon Country, de Porto Alegre, prosseguindo, depois, para Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo. O segundo semestre será dedicado aos shows na Europa Central.

Sobre o artista

Com 42 anos de carreira, Villeroy tem mais de 300 canções editadas por cerca de 130 artistas nacionais e internacionais, incluindo Ana Carolina, Gal Costa, Maria Bethânia, Seu Jorge, John Legend, Chiara Civello, Mafalda Minnozzi e Jesse Harris, entre muitos outros nomes.

O artista traz ainda na bagagem mais de 20 músicas que integram trilhas de telenovelas brasileiras, além de temas e bandas sonoras em filmes brasileiros e norte-americanos.

Serviço

Show de lançamento do álbum “Banquete”

Sábado, dia 15, às 20h30  

Casa Outono (Rua Outono, 571, Carmo)

Ingressos: R$ 50 (antecipados pelo Sympla)

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