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E quem diria: tudo o que precisamos está numa boa dose de “Veneno”

Série espanhola disponível na HBO Max aborda biografia de uma mulher trans na década de 1990
Série Veneno. Foto: HBO Max/Divulgação
Série Veneno. Foto: HBO Max/Divulgação

Por Breno Ribeiro | Colaborador Veneno

“Eu sou uma mulher desde que nasci”. O ano era 1996 e Cristina Ortiz, mais conhecida como “La Veneno”, era um sucesso absoluto nos programas da televisão espanhola. Exercendo o papel do que chamamos de uma subcelebridade completa, o furacão ruivo misturava irreverência, polêmica, sensualidade, sensacionalismo e uma boa dose daquilo que não se compra em qualquer esquina: personalidade. Receita perfeita para altos picos de audiência e um faturamento astronômico da emissora que a descobriu.

Mas esse primeiro plano, essa carcaça mostrada diante da sociedade da época, era apenas o começo. O que há ali dentro de Cristina também é o que garante à minissérie “Veneno”, disponível na HBO Max, a alcunha de um produto bárbaro, pra dizer o mínimo. 

Emoção e sensibilidade

Em oito episódios (dá pra maratonar num fim de semana, né não?), “Veneno” vai da glória à completa decadência sem perder a pose de estrela. Tudo isso diante dos olhos da biógrafa Valeria Vegas que, desde pequena, tem um fascínio peculiar a respeito da outra. Elas são duas mulheres trans, uma de cada época, descobrindo suas semelhanças e diferenças, suas dificuldades e seus anseios.

Lançando mão de recursos que o audiovisual espanhol tem de melhor, essa história não economiza momentos de muita sensibilidade e emoção à flor da pele. Até o fim  é possível se reconhecer em várias das sequências de vida de Veneno e entender cada uma de suas atitudes pouco ortodoxas. É uma mulher complexa, que é ferida pela vida e transfere um bocado dessas feridas para os outros. E essa complexidade faz com que o arco dramático da personagem proporcione um mix de sensações que fazem valer a pena cada minuto de arte. 

Riso e lágrima

É um pacote completo. Ou seja, ao passo que emociona, “Veneno” não deixa de lado as doses de bom humor das personagens, além, é claro, de ser verdadeiro grito sobre como o afeto é negado às pessoas trans. Mais do que uma série com mero desejo de panfletar a causa, ela cumpre bem o papel de uma boa dramaturgia para o streaming. Mexe com sentimentos universais a ponto de gerar entendimento e compaixão pelas personagens. Indo por esse caminho, a minissérie atinge de forma certeira o principal elemento contra a intolerância: a empatia.

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Série Veneno. Foto: HBO Max/Divulgação
Série Veneno. Foto: HBO Max/Divulgação

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