Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Vaga Carne é convite a experimentar o cinema de outra forma

Transcriação de peça de Grace Passô propõe novas posturas do espectador de cinema

Por Carol Braga

20/01/2019 às 10:59

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Foto: Leo Lara/Universo Producao

Assim como Vaga Carne, a peça, Vaga Carne, o filme é um convite ao espectador a se abrir a experiências diferentes em uma sala de cinema. É tão experimental que não seria equivocado dizer que se trata de uma performance para a tela.

O média-metragem dirigido por Grace Passô e Ricardo Alves Jr. abriu a 22a Mostra de Cinema de Tiradentes. A atriz, que também protagoniza o experimento, é a homenageada desta edição. Sendo assim, teve uma agenda intensa por aqui.

 

Performance no palco

Além dos longas da carreira exibidos, também criou para o evento uma performance em parceria com o músico Barulhista. Em Grãos da Imagem, Grace narrou cenas da história do cinema e sua voz se reverberou com diversos efeitos. Além do jogo em descobrir o filme em que aquela passagem se referia, a performance não surpreendeu. Quem esteve no Sesc Cine Lounge viu Grace em mais uma atuação em que o controle vocal foi protagonista.

A voz também é elemento principal da transcriação cinematográfica da peça que deu a Passô o prêmio Shell de melhor texto. Se o objetivo dos diretores era propor uma experiência diferente, no meu caso, fez pensar sobre o quanto a postura de espectador de cinema ainda é passiva. Até mais que o teatro.

As artes cênicas dependem da presença. Quando ela se dá, inevitavelmente existe troca de energia. Isso afeta tanto o público como o artista. No cinema esse processo se dá de uma outra forma, com outros elementos, muitos deles técnicos. O aparato, de certa maneira, amplia o distanciamento, pode criar barreiras.

Equipe de Vaga Carne. Foto Beto Staino/Universo Produção

Performance na tela

Vaga Carne é uma dramaturgia que desafia o significado das coisas. Dessa maneira, ao mesmo tempo em que propõe um exercício para a razão, quebra isso e conclama quem vivencia a obra a embarcar em sua ficção surreal. No teatro é mais “fácil” embarcar nessa.

No cinema, por mais que o desenho de som envolva, a busca por entendimentos tende a dominar. Sendo assim, ao ocupar o cinema, Vaga Carne propõe ao espectador, um desapego. Em síntese, é um convite a uma viagem diferente.

Instiga, inclusive, a exercitar outros sentidos. Para se ter uma ideia, o filme começa com uma tela preta que se prolonga. Em outros momentos, é o silêncio que se apresenta de uma maneira ativa. Dessa maneira, o contraste do claro e do escuro, da imagem e sua ausência, configuram o jogo em busca de novas linguagens para o cinema.

A equipe do Culturadoria viajou a convite da Mostra de Cinema de Tiradentes

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