Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Conheça o Cozinha Trop, situado em um belo quintal do bairro Anchieta

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Comandado pelo chef Pedro Barros, o Cozinha Trop funciona em um endereço no qual as mesas dividem espaço até com uma mangueira

Patrícia Cassese | Editora Assistente

Na primeira vez em que foi convidado para capitanear um restaurante no quintal do coworking Trop, que fica localizado na Rua Professor Eugênio Murilo Rubião, no Anchieta, mesmo tentado, o chef Pedro Barros teve que, gentilmente, declinar. O motivo: à época, ele tinha acabado de fechar com Leo Paixão para trabalhar no que, então, era o mais novo empreendimento do chef: o Nico, estabelecimento voltado a sanduíches artesanais. Passado um ano e meio, porém, com a casa já estabelecida e cumprida a função firmada com Leo Paixão, Pedro pode partir para essa nova aventura. Nascia, então, o Cozinha Trop.

Cozinha Trop: culinária autoral e local aprazível (Pedro Barros/Divulgação)
Cozinha Trop: culinária autoral e local aprazível (Pedro Barros/Divulgação)

Era o final do ano de 2019 e, como todo mundo sabe, meses depois veio a pandemia. Mas antes do advento do novo coronavírus, é preciso dizer que o Cozinha Trop despontou com um propósito diferente do que hoje o norteia. “A proposta era diferente, a casa era focada em almoço executivo, tanto que abria de segunda a sexta, além de eventualmente abrigar eventos corporativos à noite ou nos finais de semana”, conta Pedro, ao Culturadoria. No caso do almoço, a grande fatia dos frequentadores era formada por pessoas que trabalhavam no entorno, seja no Shopping Anchieta ou em bancos e escritórios. Lá, eles podiam escolher entre três pratos executivos, inclusive, um vegetariano.

Na pandemia

Com a pandemia decretada, o grosso da clientela do Cozinha Trop foi, claro, para home office. “Naquele período, inclusive, eu tinha acabado de contratar mais gente. A gente servia de 40 a 50 pratos executivos por dia, e, de repente, caímos para zero”, lembra Pedro. Foi preciso, pois, se reinventar. “Começamos a trabalhar com delivery, mas deu muito problema”, reconhece o chef. Na sequência, ele passou a fazer pratos fixos e sanduíches especiais, que as pessoas iam buscar – isso, em meio aos respiros que a evolução da pandemia no Brasil permitia.

O quintal do Cozinha Trop, espaço localizado no bairro Anchieta (Pedro Barros/Divulgação)

Só que, quando as pessoas chegavam ao endereço do Trop para buscar a comida encomendada, não raro, comentavam o quanto o local era aprazível. E, assim, sugeriam a Pedro que pensasse na possibilidade de, quando a circulação livre das pessoas fosse novamente viabilizada, no caso do controle da pandemia, abrir um restaurante no qual os comensais pudessem passar mais tempo. A semente, portanto, foi plantada. “De fato começamos a pensar: ‘Bom, talvez seja uma boa ideia abrir um lugar de lazer mesmo, e não de almoço executivo”.

Virada de chave

De pronto, o que também mexeu com a cabeça de Pedro foi a possibilidade de poder trabalhar em moldes que, ao contrário dos pratos executivos, envolveriam mais criação, criatividade. “E aí, começamos a testar abrindo aos sábados. E foi uma virada de chave”, recorda o chef. Isso porque o Cozinha Trop começou a lotar. “Na verdade, a gente não tinha nem o cardápio, e a estrutura do local era menor. Mas, a partir deste momento, com os sábados, a gente começou a perceber que poderia fazer o que queria de verdade, ou seja, uma criação mais elaborada, uma cozinha autoral. Não mais ficar amarrado no prato do dia”.

Fornecedores confiáveis garantem a qualidade dos pratos com frutos do mar (Pedro Barros/Divulgação)

Assim, o cardápio fixo foi sendo implementando. Como Pedro trabalhou um período longo no sul do país, já tinha contato com fornecedores de frutos do mar e afins. O que foi um facilitador na hora de garantir ingredientes de qualidade. Mas sim, o menu ainda tem espaço para os pratos executivos, só que mais elaborados. “Todo dia tem um prato executivo diferente”. Atualmente, o Trop funciona de terça a domingo. “Mais recentemente expandimos o funcionamento até o domingo, e acabou virando o forte. As pessoas vêm e passam o dia. Mas a gente também continua fazendo eventos à noite”.

Cardápio

Pedro enfatiza que o cardápio do Cozinha Trop é propositalmente muito enxuto – não bastasse, ele está sempre introduzindo novos pratos, enquanto outros saem de cena, ainda que por vezes apenas por um tempo. “Aliás, a gente não disponibiliza o menu em nosso perfil justamente por conta disso, pois teríamos que mudar toda semana. Hoje, o espaço funciona com sete petiscos, seis pratos e duas sobremesas”.

O chef Pedro Barros com uma de suas esmeradas criações (Laura Rath/Divulgação)

Um fator que também pode alterar o prato é a sazonalidade do ingrediente. “Por exemplo, tenho um pastel com taioba, mas, quando não chove, a taioba não existe. Mas de repente eu posso fazer com ora-pro-nóbis. Ou acho uma Maria Gondó. E no caso do prato vegetariano ou vegano, tenho realmente que mudar, pois a pessoa enjoa”, entende Pedro.

Porém, um prato fincou mastro no cardápio. “Tem um que não consigo tirar nunca, o filé mignon grelhado com arroz cremoso de queijo Canastra e chips. É disparado o campeão de pedidos, seguido da truta grelhada”.

Chamarizes

Aliás, perguntado sobre o público do Trop, Pedro conta que ele é diversificado. “Mas sim, tem alguns perfis. Geralmente, vem muita gente da região, apesar de vir público até da Pampulha. A faixa etária é de 35 a 60 ou mais, não é um ‘lugar jovem’. E é pet friendly”.

Além do sabor, a apresentação visual é outro trunfo do Cozinha Trop (Pedro Barros/Divulgação)

Além da comida, Pedro conta que outros chamarizes do Cozinha Trop são a enorme mangueira, que fica no quintal, além da horta e do pé de mamão. Como o espaço fico ao lado do Parque Municipal Julien Rien, até macaquinhos costumam aparecer no quintal (há registros, no perfil do Instagram do restaurante). “É um ambiente de casa mesmo”, diz ele, lembrando que, quem se interessar em ir aos finais de semana, vale fazer reserva. “Durante a semana, não, pois o giro é muito grande, o tempo de permanência das pessoas é menor”.

Novidades

Em tempo: Pedro revela que o restaurante deve mudar de nome no final do ano. É que, com o tempo, tanto o coworking quanto o Cozinha Trop começaram a ficar mais conhecidos, e, com isso, eventualmente uma confusão se estabelecia. “Em dezembro, vamos fazer uma reforma e, assim, vamos aproveitar para já reinaugurar com outro nome”. E sim, o nome “Trop” faz alusão à palavra tropa, que faz todo sentido no caso do coworking.

Trajetória

Pedro Barros nasceu em Belo Horizonte. Em 2011, foi estudar gastronomia em Santa Catarina. “Á época, em BH, as faculdades de gastronomia ainda estavam começando. Cheguei a pensar em fazer em São Paulo, mas era caríssimo”. Hoje, olhando para trás, o sócio do Cozinha Trop entende que, de certo modo, a culinária sempre esteve presente em seu imaginário. “Vejo que sempre tive essa pegada. Quando minha mãe viajava, por exemplo, era eu que fazia o almoço. Da mesma forma, quando a gente ia para o sítio. E era uma época não qual não havia o tanto de informação que se tem hoje. Aliás, não havia celular com internet. Ou seja, não tinha esse acesso ao conhecimento como as pessoas hoje têm”.

Ainda assim, Pedro entende que, mesmo inegável, o interesse pela gastronomia não era visto por si próprio como algo especial, imperativo. “Ou seja, estava na veia, mas não saltava. Tanto que fui estudar Direito”. Pedro, de fato, só se rendeu às evidências aos 23, 24 anos. Foi quando, como já citado, se mudou para o Sul do país, para estudar. Lá mesmo, passou a trabalhar na cozinha de um Sushibar. “Tudo o que aprendi, acabou me ajudando depois, principalmente como base criativa”.

Depois, Pedro passou a trabalhar com cozinha internacional, inclusive no restaurante da Heineken, no Balneário Camboriú. Seguiu-se uma passagem pela cozinha de alguns hotéis, onde se deparou com uma estrutura que o surpreendeu. Na sequência, foi chefiar uma cantina portuguesa. Mais tarde, voltou para BH, para trabalhar com Leo Paixão, no Glouton, onde ficou dois anos. Seguiu-se o Cabernet Butiquim, no Belvedere, a já citada passagem pelo Nico…

Entenda-se que nada foi por acaso. “Eu realmente queria traçar esse caminho, o de ter bases diferentes. Nunca quis ser um sushiman, mas, como sempre gostei de peixes, frutos do mar, então, aproveitei que estava na praia, onde tinha acesso a peixes muito frescos, e, assim, comecei. Porque queria de fato saber receber o peixe, limpar… Enfim, ter essa base de cozinha. Queria ter um vocabulário amplo, dominar técnicas diferentes”.

Serviço

Cozinha Trop (Rua Professor Eugênio Murilo Rubião, 222, Anchieta)

Funcionamento: de terça a sexta, das 12 às 14h30. Sábados e domingos, 12h30 às 17h.

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