Música
Três motivos para ouvir o novo álbum de Rubel, “As palavras, vol 1 & 2″
Foto: Bruna Sussekind
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Foto: Bruna Sussekind
“As palavras, vol 1 & 2”, novo disco do Rubel, quebra expectativas e mostra diversas experiências do Brasil nos últimos 4 anos
Por Helena Tomaz | Assistente de Conteúdo
Rubel lançou, no dia 3 de março, o novo álbum, “As palavras, vol 1 & 2″. Depois de um “semi-hiatus“, de quase cinco anos, Rubel retorna. Nesse intervalo, o cantor lançou singles, mas nenhum disco. Em turnê, o cantor passará por BH em 26 de agosto, no Festival Sarará.
Depois de ouvir (mais de uma vez) as 20 faixas desse projeto robusto, destacamos aqui, três bons motivos para você prestar atenção no trabalho. Rubel tem dez anos de carreira e três discos na bagagem. Em pouco tempo, se consolidou como um artista respeitável da nova MPB.
Há quase cinco anos Rubel não lançava um álbum completo. Depois de publicar “Casas”, em 2018, o cantor lançou diversos singles, como “Partilhar”, “O homem da injeção II”, “Medo bobo (cover de Maiara e Maraisa) e “Baby” (junto com Gal Costa) mas nenhum disco. Como que com a intenção de recompensar os fãs pela espera, “As palavras, vol 1 & 2″, foi lançado como um disco duplo, que conta com 20 faixas.
No lado 1, ficaram as músicas mais alegres, solares e envolventes, como “As Palavras” e “Forró Violento”. Já no lado 2, se encontram as músicas mais introspectivas, como, por exemplo, “Lua de Garrafa”, com Milton Nascimento e a dilacerante “Assum preto”, com Dora Morelenbaum.
Rubel nunca foi tão eclético. Depois de passar pelo folk com “Pearl” (de 2013) e pela MPB com “Casas” (2018), “As palavras, vol 1 & 2″ expande o olhar para outros ritmos musicais. Através do forró, do funk e do pagode, podemos ver novas versões de um cantor que o público já conhece.
O fator experimental, no entanto, em grande parte não atrapalha, apenas faz o disco mais interessante, tornando a maioria das músicas mais frescas e inusitadas. Por falar em inusitada, o funk “PUT@RIA”, com Mc Carol, BK e Gabriel do Borel, é uma das melhores faixas. Ouvir Rubel cantar forró ou pagode, apesar de diferente, não causa tanto estranhamento como ouvi-lo no funk. A batida e a produção da música, no entanto, compensam a estranheza que, a princípio, quem ouve pode sentir.
Já o pagode “Grão de Areia”, escrito em parceria com Ana Caetano e cantado com Xande de Pilares, soa mais natural, talvez pela proximidade maior com a MPB do que o funk. Em um post no Instagram, Rubel conta como o encontro começou: “Foi em um aniversário da Regina Casé que ela me apresentou o Xande. Era uma roda de samba, pedi para ele tocar ‘Na Trilha do Amor’. Ele cantou, terminou a música, olhou pra mim e falou: agora a gente tem que fazer a nossa.”
Depois de 4 anos em que o Brasil parece ter se desfigurado, lançar, no primeiro trimestre de 2023, um álbum que relembra o funk, o pagode e o forró, é relembrar o país que nunca deixamos de ser. Que continuou pulsando, ainda que às vezes não o víssemos – e nem o ouvíssemos-.

Para que houvesse tamanha diversidade de ritmos, no entanto, foi preciso recorrer, também, a múltiplos artistas. Sozinho, seria difícil navegar por tantos estilos. A variedade de colabores no álbum se apresenta como uma alternativa para um disco com tantas faixas: 20 canções cantadas só pela mesma pessoa o tornaria monótono.
Como consequência, encontramos no álbum uma quantidade de feats inusitada: Milton Nascimento – que, como disse na turnê “A última Sessão de Música”, se despediu dos palcos, mas nunca da música. Além dele, ouvimos Tim Bernardes, Ana Caetano (dupla de Vitória Falcão, do duo Anavitória), Bala Desejo, Mc Carol, Liniker, Luedji Luna, entre outros.
A canção com Milton Nascimento, “Lua de Garrafa”, relembra o estilo clássico do Clube da Esquina, mas esconde uma beleza sutil. Milton a compôs com já com o olhar marcado pelo tempo, por isso, escreve: “No teu ombro, amigo / aprendi sobre essa vida / entendi que é de coragem e canção”.
Publicado por Helena Tomaz
Publicado em 15/03/23