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Monólogos marcam segundo dia do ‘Tiradentes em Cena’

Por Thiago Fonseca *

06/05/2018 às 15:28 | *Colaborador

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O solo ‘A Descoberta das Américas’, de Júlio Adrião é veterano.A montagem participou da primeira edição do evento. Ainda assim, foi um dos destaques do segundo dia do Tiradentes em Cena. O que é um tanto quanto criticável convidar uma reprise para sua programação tendo apenas seis anos de vida. Ok. De todo modo, é um excelente espetáculo.

Ao todo foram seis peças em cartaz no sábado.  ‘O Batizado’, iniciativa local, foi apresentada dentro da Matriz de Santo Antônio; ‘Camille Claudel’ no Adro Museu de Sant’Ana; ‘Jagunça’ no meio da mata do Museu da Liturgia e ‘Na Esquina’ no Largo das Forras. Ou seja, rolou uma ocupação que infelizmente não foi acolhida pela cidade. Ou seja, interferências de som alto, carros, carroças não foram raros elementos que contribuíram para distrair o público. Será que pelo menos em alguns momentos a cidade de Tiradentes não pode se dedicar de verdade ao teatro que recebe?

Potencialidade

‘A Descoberta das Américas’ esteve em cartaz no Centro Cultural SESI Minas Yves. O palco mais tradicional à disposição do evento. Se o espetáculo já esteve por aqui antes, desta vez não caberia uma ousadia a mais de romper a tradição do palco italiano? A performance de Júlio Adrião é de encher os olhos de quem gosta de ver um ator inteiro no palco: tem domínio de corpo, de voz  e, obviamente, do texto. 

O monólogo escrito pelo italiano Dario Fo conta a história de Johan Padan. Em 1492, ele foge da fogueira da inquisição, embarcando em uma das caravelas de Cristóvão Colombo, rumo às Américas. Nessa jornada, vivencia aventuras além do script que conhecemos. A peça é uma comédia que te faz viajar. 

Foto: Marlon de Paula / Divulgação

Cidade como palco

A maior riqueza da cidade e, consequentemente, do festival, é poder utilizar espaços alternativos para as encenações. Assim, se diferencia dos demais eventos do gênero. Por isso, foi interessante a ideia de fazer da mata do quintal do Museu da Liturgia o palco para o monólogo de Michelle Ferreira, “Jagunça”.

Fomos todos para o meio do bambuzal, com direito a fogueira e demais elementos que remetem ao sertão, elementos que compõem o cenário da montagem dirigida por Ildeu Ferreira, que também assina o texto.  Porém, diversos problemas técnicos de iluminação e a interferência de som alto que vinha de uma festa religiosa no adro da Igreja de São Francisco prejudicaram a experiência.

O silêncio da personagem Zinha foi diversas vezes invadido por músicas eletrônicas, funk, sertanejo universitário e outros. Até a iluminação sentiu. A atriz segurou a onda, mas foi inevitável não se dispersar.

O texto conta a história de uma mulher simples que depois de perder o marido e o filho único, assassinados por um coronel, invoca proteção divina para vingar a sentença. Justiça feita, ela parte em saga pelo sertão mineiro, onde pedidos de acertos de conta lhe chegam. Sua fama se alastra, tornando-a conhecida como a Jagunça.  O texto chama atenção pelo lado emotivo e lembra os trabalhos de Guimarães Rosa. 

Peças locais

No sábado (05/05) pela manhã, ‘O Batizado’ e ‘Cortejo’, do grupo de alunos de teatro da Universidade Federal de São João Del Rei ocuparam a igreja Matriz de Santo Antônio, as ruas e a praça principal da cidade. Em resumo: foram mais experimentos do que espetáculos propriamente ditos.

cortejo celebrou os 300 anos desde quando Tiradentes foi elevado à categoria de vila. Já a encenação, fez uma representação do batizado de Bárbara Heliodora, considerada a primeira poeta brasileira, revolucionária e casada com o inconfidente Alvarenga Peixoto. Um espetáculo que soube aproveitar o espaço da cidade e cativar os presentes com dinamismo e caracterização de época.

Problemas técnicos

‘Camille Claudel’, de Ivana Andrés, foi encenada no Adro Museu de Sant’Ana. Como o nome entrega, a montagem se propõe a explorar a biografia da artista francesa. Enlouquecida e morando num hospício, Camille desenha, modela e canta, relembrando sua tumultuada relação de amor e arte com o grande escultor Rodin, bem como sua relação com seu irmão, Paul Claudel.

Foi mais uma peça em cartaz no Tiradentes em Cena que sofreu com as interferências externas e problemas técnicos. É um espetáculo que traz uma temática necessária, porém deixa a desejar na atuação e texto. Ambos não conseguem se aprofundar na complexidade da personagem que retratam. 

 

Roda de conversa sobre corpo e liberdade do movimento e de expressão. Foto: Thygo Andrade / Divulgação

Outras formas de Liberdade

A programação do dia ainda contou com roda de conversa sobre corpo e liberdade do movimento e de expressão com Morena Nascimento, Clarisse Panadés, Rafael Rocha, Carolina Correa e Julio Adrião. ‘Máquina de Histórias’ também esteve na programação e trouxe para Tiradentes o mundo do teatro de objetos. O ‘Tiradentes em Cena’ será realizado até o dia  12 de maio.

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