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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

‘The Post: a guerra secreta’: as impressões decantadas sobre o belo encontro entre Meryl, Hanks e Spielberg

Por Carol Braga

16/02/2018 às 07:21

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The Post: A guerra secreta. Crédito: Niko Tavernise.

Eu sou suspeita para escrever qualquer coisa sobre filmes que tem o jornalismo como protagonista. A paixão pela profissão me faz sair emocionada na maioria das experiências que tive com o gênero. Com The Post: A Guerra Secreta não foi diferente. Sabe aquela coisa de achar maravilhosa toda cena que tem rotativa, o ritual do jornal sendo impresso, as reuniões de pauta.

Dito isso, vamos ao filme propriamente dito. É dirigido por Steven Spielberg, tem como protagonistas Meryl Streep e Tom Hanks. Tipo só gente que dispensa apresentações, né?

O que me chamou atenção foi ritmo da montagem. The post é um triller. Spielberg nem nos dá espaço para respirar direito. A trama gira em torno da publicação de documentos ultrassecretos pelos jornais norte-americanos. O furo foi do New York Times mas a coisa era tão grande e séria que o esforço de reportagem contaminou as outras redações. Inclusive a do Washington Post.

Tempo

Escrevo este texto quase um mês depois de ter visto o longa no cinema. Isso significa que as impressões que registro aqui são aquelas já decantadas. O que ficou de forte e o que vai marcar minha relação com The Post pra sempre? Mery Streep como Katherine Graham, a dona do jornal e responsável por tomar a decisão que impactou a história americana.

Só com a respiração ela consegue dar a dimensão para o espectador sobre o peso de cada sim que ela deu para a equipe.

 

 

The Post: A guerra secreta. Crédito: Niko Tavernise.

Nostalgia jornalística

The Post mostra a rotina do jornalismo visto pelo lado de dentro.  De cima pra baixo também. Diz mais sobre as escolhas editoriais, o impacto financeiro de cada uma delas do que propriamente da rotina da reportagem. É claro que o operacional se faz brilhantemente presente, mas não é o foco principal. É a consequência.

Não deixa de ser nostálgico rever etapas da produção de um jornal que já desapareceram ou tendem a sumir. O “ritual” da impressão, da distribuição, a expectativa pela chegada da notícia “fresca”. O jornalismo digital já não depende de muitos daqueles processos.  Sempre me pergunto por que ainda precisamos esperar o dia seguinte para ter acesso à edição, já que ler em papel é cada vez mais uma raridade.

Em The Post, me emocionou o respeito que Katherine Graham sempre teve para com o bom jornalismo, a defesa da liberdade de imprensa. Ela demonstrou ter sempre muito claro preferir pagar bons repórteres do que investir em conteúdo de impacto efêmero. “Qualidade gera rentabilidade” é uma das tantas frases de impacto ditas por ela.

Sobre a importância do jornalismo para as sociedades democráticas então, são diversas citações. Ahhh e ainda tem o peso da liderança feminina.

The Post: A guerra secreta. Crédito: Niko Tavernise.

Outras críticas

Como você deve ter reparado, falei muito pouco sobre a trama propriamente dita. Isso porque, volto a dizer, a abordagem do jornalismo como profissão me atraiu mais atenção do que sobre a importância do jornalismo como “rascunho da história”. É só um ponto de vista.

Para não te deixar na mão, gostaria de recomendar algumas leituras. Que tal conferir o que o próprio Washington Post disse sobre o longa de Steven Spielberg? Também gostei do texto de Silvana Arantes, do Estado de Minas, sobre o filme. Sempre dou uma passadinha em sites mais populares como Omelete.

 

 

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